Moda & Beleza

Educação e empreendedorismo fecham debates no Senai Cetiqt e coordenador do curso de moda apresenta Confecção 4.0: “Em pouco tempo, todos os corpos serão mapeados”, garante Marco Aurélio Lobo

No Fashion Talks, o painel também abordou a necessidade de o ensino superior e profissionalizante acompanhar os novos comportamentos e vontades dos estudantes para que as salas de aula continuem cheias. "O jovem de hoje busca por conteúdo", destacou a especialista em inovação do IEL, Riveli Brigido

Publicado em 03/11/2017 | Por Julia Pimentel

Tecnologia, business, criatividade, internet e novos comportamentos. De fato, todos esses elementos são fundamentais para o sucesso no cenário fashion. Mas, nos bastidores de tudo isso, o ensino se destaca como base para qualquer crescimento profissional. E foi esse o tema do último painel do Fashion Talks. Para encerrar a tarde de conhecimento no Senai Cetiqt do Riachuelo na semana passada, o debate foi sobre “Moda, Educação e Empreendedorismo”. Com mediação de Jackson Araújo e Camila Yahn, a abordagem contou com a presença de dois grandes nomes do sistema de educação. De um lado, o coordenador do curso de moda do Senai Cetiqt, Marco Aurélio Lobo Jr e, do outro, a especialista em inovação do IEL, Riveli Brigido.

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No centro dessa discussão, a importância de o ensino profissionalizante como base para qualquer carreira. Quando o cenário é a moda, Marco Aurélio destacou o protagonismo do Senai Cetiqt entre as opções de formação profissional. “Quando se fala em Ensino Superior em Moda, o Senai é considerado um abridor de portas. Desde 2001 nós temos o curso de design de moda que é o único do sistema S e referência para todo o Brasil. Nesse tempo, nós estamos galgando e transformando o curso para que ele se adeque às novas práticas deste mercado”, contou o coordenador.

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Riveli Brigido e Marco Aurélio Lobo JR no painel Moda, Educação e Empreendedorismo (Foto: Divulgação SENAI/Camila Mira)

Aliás, este é um ponto importante quando se fala em educação em 2017. Em tempos de correria e vontades para ontem, a dedicação aos estudos passa a ser quase um material de luxo entre os profissionais contemporâneos. Mas, para evitar um esvaziamento das salas de aula, Riveli Brigido, do IEL, apontou a necessidade de acompanhar os novos comportamentos. “O jovem de hoje busca conteúdo. Por isso, a educação profissional está passando por um processo de readaptação que faça sentido nesses novos tempos. Afinal, hoje poucos estudantes se dispõem a ficar quatro anos em uma universidade”, disse a especialista em inovação que, como parte do IEL, afirmou que faz a sua parte. “A educação profissional precisa atrair e acompanhar a modernidade. Nós precisamos ficar cada vez mais perto dos jovens e identificar o que eles gostam para fazer com que eles queiram estudar e concluir o curso”, completou.

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E, de fato, o sistema de ensino que é referência no Brasil tem feito. Um exemplo foi o próprio Fashion Talks que, durante quatro horas, reuniu nomes como Lenny Niemeyer, Lino Villaventura, Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga para uma plateia com estudantes de todo o Brasil. “Eventos como esse, com grandes nomes da moda brasileira em contato com os estudantes, é como se fossem estágios para os alunos. É claro que nós reconhecemos a importância de avaliações e bons números sobre os nossos cursos. Porém, mais que isso, se nós não tivermos essa parceria com profissionais da área não adianta. Fica só na teoria”, defendeu Marco Aurélio.

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Riveli Brigido, especialista em inovação do IEL (Foto: Divulgação SENAI/Camila Mira)

Outro ponto que exemplifica esta preocupação com a inovação do Senai Cetiqt é a Confecção 4.0. No polo do Riachuelo, onde ocorreu o Fashion Talks, foi inaugurado no mês passado um centro de tecnologia que promete ser a moda do futuro. “As máquinas fazem a medição do tônus muscular, a antropometria de forma virtual para que a gente consiga desenvolver uma roupa para determinado corpo. Isso é inédito e, com essa tecnologia, a gente consegue desenvolver para pessoas plus-sizes, com deficiências ou que desejam modelos agêneros”, contou o coordenador do curso de moda. “Em pouco tempo, todos os corpos serão mapeados e será possível comprar pela internet as roupas exatamente do seu tamanho”, acrescentou.

Mas, mesmo com o esforço por parte das instituições de ensino, manter o aluno em sala de aula ainda tem sido um desafio. E não é só pela questão do interesse ou do tempo. “Hoje, no atual cenário, a gente percebe a dificuldade dos nossos alunos de se manterem vindo às aulas e pagando o curso. Para evitar esse êxodo, a gente tem um plano enorme de bolsas para ajudar a continuar levando educação e vencendo as dificuldades financeiras”, apontou Marco Aurélio.

O Fashion Talks reuniu diversos nomes de peso no Senai Cetiqt do Rio (Foto: Divulgação SENAI/Camila Mira)

Neste sentido financeiro, Riveli Brigido também destacou a dificuldade de os jovens de hoje empreenderem suas ideias de moda ou de outros segmentos. De acordo com ela, os obstáculos externos acabam desanimando muitas ideias promissoras. “Antigamente, o principal desafio do jovem era ter a coragem de empreender. A segurança com a vida profissional muitas vezes travava novas ideias. Hoje não. Agora, o jovem é muito mais descolado e gosta de se jogar. No entanto, o desafio passou a ser conseguir investimento para bancar essa ideia. Por mais que hoje já existam os chamados anjos, que compram esses projetos empreendedores, aqui no Brasil eu ainda destaco as políticas governamentais que dificultam”, disse Riveli.

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