Dr. Alessandro Martins tira as dúvidas sobre as cirurgias para homens realizadas na região do tórax


Segundo o cirurgião plástico, “é importante diferenciar os três tipos de comprometimento do tórax masculino para que possamos ter o melhor tratamento, o mais indicado. Lembre-se, também, que, muitas vezes essas três classificações se misturam em um mesmo paciente, tendo que haver uma associação de técnicas. Os tipos de comprometimento do tórax

*Por Alessandro Martins

Na Grécia Antiga, o corpo ideal para os homens era aquele em que os músculos do lado direito espelhavam os do lado esquerdo da maneira mais simétrica possível. No caso masculino, o tórax tornou-se um poderoso objeto de desejo. Na Grécia de cinco mil anos atrás, ser bonito de corpo significava que seu interior também era belo e harmônico. Melhor: tanta beleza e harmonia indicava que você era belo porque os deuses haviam te escolhido.

O homem moderno se preocupa muito com a definição do peitoral, particularmente com o tamanho da auréola e da papila. São as queixas que mais os incomodam e limitam do ponto de vista psicológico-comportamental. É comum recebermos pacientes que não têm coragem de tirar a camisa em público, que não conseguem ir à praia e não relaxam sequer com seus familiares, por conta do formato da mama e do tórax. Essa queixa é mais comum até que a do abdômen. Nesses pacientes que observamos a presença de um volume na mama ou a hipertrofia de um mamilo que faz com que eles sintam muita vergonha de se expor. Para esses homens isso é pior que uma silhueta abdominal não definida ou uma gordurinha nos flancos: eles enxergam o volume da mama e a hipertrofia dos mamilos como malformações. Isso determina a relação com a camisa. É duríssimo, especialmente num país onde não usar camisa é comum na prática de esportes ou em função do nosso clima tropical. Essa insatisfação mexe demais com os homens.

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Mas não vamos nos deter nas malformações congênitas. As queixas não relacionadas a malformações congênitas mais comuns são a ginecomastia, a hipertrofia da auréola e do bico e a falta de projeção da musculatura peitoral.

A ginecomastia é uma condição bastante variada que possui várias causas. Há um aumento real de glândula mais que de gordura. As lipomastias estão muito ligadas ao ganho de peso – às vezes desde a adolescência. Mesmo que o paciente tenha sido obeso na juventude e tenha perdido peso depois, às vezes, essa lipomastia, esse excesso de gordura na mama, se torna residual na vida adulta.

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Causas hormonais e medicamentosas também podem fazer com que o paciente tenha aumento da glândula. É o que chamamos de ginecomastia real, quando se tem mais glândula que gordura. É muito comum, desde a puberdade, o desenvolvimento da ginecomastia, graças à explosão dos hormônios. Algumas medicações (inclusive para tratamentos psiquiátricos), alguns diuréticos, a utilização de esteroides para ganho de massa muscular, fazem com que tenhamos o aumento da glândula. E essa ginecomastia verdadeira, além do volume, que incomoda o paciente, tem a característica de ser dolorosa. Essa dor faz com que o paciente não só fique incomodado como também se preocupe por ter alguma alteração neoplásica. Ele pensa que a dor na mama pode ter relação com câncer.

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A ginecomastia não tem, necessariamente, relação com o câncer de mama. São entidades patológicas completamente diferentes. O câncer de mama é pouco comum e está relacionado a outras causas, principalmente genéticas e algumas até esporádicas, mas não tem uma relação direta com a ginecomastia. Essa ginecomastia dolorosa, causada pelo aumento de glândulas e, muitas vezes associadas a distúrbios hormonais ou ao uso de hormônio, é muito comum. E compromete um grupo de pacientes magros, que praticam atividades físicas, que são muito vaidosos e se incomodam extremamente com esse volume.

A terceira alteração torácica é a perda de volume ou ausência de ganho de massa da musculatura peitoral. Alguns pacientes praticam atividades físicas de forma intensa, têm ganho de massa muscular em setor escapular, em região dorsal   , conseguem definir o abdômen, mas não ganham massa na região peitoral. Isso causa, além de uma não-conformidade estética, uma desproporcionalidade e uma grande frustração pois, apesar de todo o esforço que os pacientes fazem, eles não conseguem ganhar massa na região.

De acordo com essa divisão em três causas de alterações no tórax masculino, vou falar sobre o tratamento de cada uma delas. A lipomastia, que está associada a ganho de peso ou a ganho de peso na adolescência, pode ser tratada com a lipoaspiração das mamas. Por vezes essas lipomastias são mistas, possuem gordura e glândula. Então, além da lipoaspiração é necessário que se tire também a glândula residual, porque esses pacientes gostam de ter muito pouco volume no tórax e qualquer volume residual pode levar a uma queixa estética futura ou a uma insatisfação com o resultado. É importante compreender que a lipoaspiração e a retirada de glândula têm que ser proporcionais a toda a espessura do tórax: se retirarmos demais vamos causar um afundamento na região das mamas que não é compatível com o restante do tórax, membros superiores, abdômen etc.

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Outra causa são as hipertrofias de mamilo e auréola. Alguns pacientes não têm ginecomastia, aumento de glândula, aumento de gordura, mas têm auréola muito grande ou a papila muito grande. Isso incomoda muito porque marca na camisa. Nesses casos é bem mais simples. Vamos reduzir cirurgicamente a auréola e/ou o bico para um tamanho que seja proporcional ao tórax e à mama do paciente.

A ginecomastia pura, sem gordura, caso que mais leva pacientes aos consultórios, é tratada com a simples retirada da glândula. Isso é suficiente. Normalmente, a cicatriz fica na porção inferior da auréola, uma meia-lua que compromete metade do diâmetro da auréola. É por essa incisão que retiramos a glândula. Por vezes, quando tem associação de gordura, a lipoaspiração também é usada para refinar, para melhorar o resultado e, também, aumentar a definição e a visualização da musculatura peitoral.

Nos pacientes que possuem pouco desenvolvimento da musculatura, a única alternativa é a prótese peitoral de silicone. É colocada por uma incisão na axila, de cerca de quatro, cinco centímetros. O músculo peitoral maior é descolado e a prótese é colocada embaixo da musculatura peitoral. Dessa forma, a prótese dá um volume e é camuflada pelo próprio músculo peitoral maior, conferindo um resultado mais natural. É importante que esse paciente continue malhando para que essa prótese não fique esqueletizada, uma vez que a presença do implante de silicone abaixo do músculo leva a uma atrofia se ele não for trabalhado e essa prótese vai ficar visualizada, esqueletizada, transformando esse resultado, a longo prazo, em algo não bonito.

Existe um outro grupo que é o dos pacientes com grande perda ponderal (emagrecimento significativo e rápido), que são os bariátricos. Além de, às vezes, terem excesso de gordura ou de glândula, eles têm excesso de pele. Esses casos são totalmente diferentes dos outros de que ressaltamos até aqui. Para esse paciente atingir a estética do tórax masculino precisamos de incisões maiores. O tratamento de excesso de pele de todo grupo bariátrico é feito com incisões grandes. As incisões nesse grupo pós-bariátrico, em que temos que retirar pele, gordura e glândula podem comprometer todo o tórax na região do sulco submamário ou cicatrizes transversais na mama. Esse público é diferenciado e as cicatrizes são mais permitidas, pois é uma troca da flacidez, que incomoda muito, pelas cicatrizes. Nesses casos, os pacientes optam pela cicatriz, pois sua presença incomoda menos que a flacidez no tórax.

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ANOTE:

É importante diferenciar os três tipos de comprometimento do tórax masculino para que possamos ter o melhor tratamento, o mais indicado. Lembre-se, também, que, muitas vezes essas três classificações se misturam em um mesmo paciente, tendo que haver uma associação de técnicas. Os tipos de comprometimento do tórax masculino são a lipomastia, a ginecomastia e a atrofia da musculatura peitoral.

. Na lipomastia, o tratamento principal é a lipoaspiração com ou sem a retirada de glândula.

. Na ginecomastia clássica, o tratamento é a retirada de glândula, geralmente por uma incisão em meia-lua na região inferior da auréola.

. Na atrofia da musculatura peitoral, o tratamento principal seria a utilização das próteses de silicone, das próteses peitorais.

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