A 4TOWN transformou a passarela do DFB Festival 2026 em extensão das ruas de Fortaleza. Nascida a partir da cultura do pixo, a marca criada por Guilherme Carvalho apresentou uma coleção potente do streetwear, surfwear, hip hop, grime, punk e reggae em uma narrativa visual marcada por pertencimento, tecnologia e identidade periférica. O desfile apresentou modelagens inéditas, intervenções inspiradas no pixo, estampas termocrômicas, aplicações em prata 950 e referências que transitavam entre diferentes universos sonoros e visuais.
A coleção reafirmou a moda de rua como linguagem cultural e ferramenta de transformação social. O pixo emerge como linguagem visual de resistência, inscrição territorial e afirmação política. A coleção rompe com leituras estigmatizadas dessa manifestação e evidencia sua força enquanto expressão cultural, transformando em elemento central de uma narrativa autoral e profundamente conectada às dinâmicas da cidade. Fortaleza emerge como laboratório criativo onde periferia, praia, música, arte urbana, tecnologia e design estabelecem relações capazes de expandir cada vez mais o horizonte da moda autoral.

4Town (Foto: Nicolas Gondim)
O conceito do desfile foi a vivência da rua. Guilherme Carvalho destaca a relevância deste momento da estreia da 4TOWN no DFB Festival: “Representa muito para nós. São 10 anos construindo uma história nas ruas de Fortaleza, fortalecendo a moda de periferia como expressão de identidade, atitude e originalidade. Estar no DFB é uma oportunidade importante de apresentar essa narrativa em um espaço de grande visibilidade, levando a potência da moda de rua e das quebradas para dentro da passarela”.

4TOWN estreou no DFB levando a força das quebradas e da moda periférica para a passarela

4TOWN estreou no DFB levando a força das quebradas e da moda periférica para a passarela
Segundo Guilherme, a 4TOWN “nasce do pixo. Nasce da escrita marginal como linguagem de expressão e política. O que era visto como vandalismo se torna tipografia. O que era ódio se torna design. O que era muro se torna tecido”. A apresentação também foi resultado de uma parceria ampliada com a Kenner. Além das sandálias do desfile, a Kenner integrou a programação do festival, promovendo shows do rapper FBC e do 4rtin.

4Town (Foto: Nicolas Gondim)

4Town (Foto: Nicolas Gondim)

4Town (Foto: Nicolas Gondim)

4Town (Foto: Nicolas Gondim)

4Town (Foto: Nicolas Gondim)

4Town (Foto: Nicolas Gondim)
De acordo com o time criativo da 4TOWN, o desfile não apresenta só uma marca – apresenta uma origem. Antes de a 4TOWN existir, existia Guilherme e o pixo como seu primeiro contato com a arte, a ferramenta que encontrou para se expressar. Foi ao ver a quebrada se esforçando para consumir marcas de surfwear com valores fora da realidade — e ainda assim tratada como quem sonha de longe — que ele entendeu o que faltava: representação e acesso. Assim nasceu a própria marca, um streetwear que vem do pixo, dialoga com o surfwear e carrega vivência real — um projeto que começou a ganhar forma nas ruas de Fortaleza em 2016 e que, dez anos depois, chega à sua primeira passarela de um festival de moda autoral. No caminho, a estética encontrou o hip hop, atravessou o grime, esbarrou no punk e no reggae, e o desfile foi exatamente esse trajeto costurado em roupa: som, rua, identidade, arte e origem.

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)
Os estilos apresentados são capítulos dessa trajetória. Do universo do punk, vêm da história da 4TOWN com o Grime: correntes, calças e saias cargo, bolsos grandes, pixo, prata e o cyber punk. Peças com tecnologia NFC estampas com metal prata 950, jaquetas design de pixo, joias de prata como estampa da peça trazendo o afro vandal futurista.
Do sportswear, o movimento de quem faz o corre, traduzido em conforto e funcionalidade: roupas leves, viseiras, malhas, algodão, gola polo, shorts de tactel com elastano, meias esportivas e uma tecnologia termocrômica que faz as estampas reagirem à temperatura.

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)
Já o afro-reggae e o beachwear representaram ancestralidade, ritmo e origem. É a história de Fortaleza com o reggae e a comunidade negra, a ocupação ancestral nas nossas praias, peças como vestidos longos, turbantes, tecidos acetinados com estampa da 4TOWN, Biquínis, jaquetas do reggae, crochê, estampas de muro de artistas de fortaleza.
E o streetwear afirma a versatilidade da rua e rompe os estereótipos sobre o que ela veste. É uma personalidade plural, que mistura do punk ao reggae também afirma a marca como pioneira da moda de rua em Fortaleza.
Nesse sentido, a participação da 4TOWN no DFB Festival consolida um movimento de Fortaleza como um dos principais polos da moda autoral brasileira comprometida com questões sociais. A coleção evidencia que a periferia não deve ser compreendida apenas como cenário de inspiração, mas como protagonista na formulação de novos imaginários estéticos, novas economias criativas e novas formas de pensar o vestir. Ao reconhecer o valor simbólico de seus próprios códigos culturais, a marca demonstra que a moda pode atuar como instrumento de transformação social, fortalecendo identidades, ampliando representações e convertendo experiências historicamente invisibilizadas em patrimônio criativo. É justamente nesse encontro entre autoria, território e consciência coletiva que reside a força da 4TOWN: uma moda que nasce das ruas, dialoga com a cidade e projeta a periferia para o centro do debate contemporâneo sobre criação, cultura e futuro.

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)

4Town (Foto: Paula Matos/Ducker Studios)
O objetivo, no fim, era um só: transformar dez anos de vivência da rua em um desfile à altura de uma grande passarela, levando ao DFB a energia real do jovem periférico que veste 4TOWN, elevando essa estética sem que ela perdesse sua essência. Entregar inovação, identidade e pioneirismo, provando que a moda de rua de Fortaleza não é tendência — é movimento.

4Town, backstage (Foto: Nicolas Gondim)

4Town, backstage (Foto: Nicolas Gondim)

4Town, backstage (Foto: Nicolas Gondim)

4Town, backstage (Foto: Nicolas Gondim)
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