De farmacêutico a stylist renomado: A trajetória de sucesso do mineiro Vitor Carpe em simbiose com a moda brasileira


O mineiro, descendente de indígenas e portugueses, conversou como site HT sobre o trabalho, vida e o prazer de criar: “Busco inspiração na exaltação à atitude e personalidade de cada ser humano”

Para início de conversa, o nosso entrevista é um lorde. Um ser humano de luz que ainda sabe os valores de gratidão, troca de experiências e o estender a mão ao próximo – e sempre com sorriso estampado no rosto. O site HT teve o privilégio de estreitar os laços com Vitor Carpe através da nossa musa, Erika Januza. Na hora em que falamos do ensaio exclusivo e bafônico com a atriz, ela imediatamente convocou o amigo que, em menos de 24 horas, veio direto de sua Belo Horizonte para a sessão de fotos com a incrível Prema Surya. Vitor é stylist e dos grandes – daqueles que sabe transitar pelos mais diversos universos que a moda nos proporciona. Mas, a história foi bem bacana até ele alcançar este espaço.

Quando estava cursando Farmácia, Vitor Carpe não imaginava o rumo que sua vida iria tomar. De família humilde, o pai é descendente de portugueses e a mãe de indígenas, ele lutou pelo seu lugar ao sol. Terminou a graduação, fez pós e ainda foi cursar um mestrado. E através de Alexander Dario, o companheiro de 12 anos de união, que ele teve contato com a moda. “Meu marido vive com moda. Ele e eu trabalhávamos em horários diferentes e nunca conseguíamos passar muito tempo juntos. A solução que eu encontrei foi que investíssimos na mesma área. Como eu não iria conseguir fazê-lo virar um farmacêutico, eu decidi estudar a arte de ser um figurinista”, conta.

Vitor Carpe (Foto: Arquivo Pessoal)

No início, o stylist mergulhou no estudo de figurinos para publicidade, filmes e videoclipes: “O meu primeiro filme foi um trabalho institucional, em Minas Gerais, no qual tive o prazer de vestir todo o elenco que iria contracenar com a atriz Regina Casé. Viajamos durante 15 dias juntos e foi uma ótima experiência”. Após esse período, ele já estava mostrando sua arte nos Estúdios Globo. Sobre a mudança drástica de carreira, Vitor diz que ama qualquer tipo de atividade e que busca ser produtivo: “Tudo me dá prazer. Amo trabalhar. Eu nasci para criar e contribuir. Amo o que faço e faço o que amo”.

Com o tempo, acabou assumindo um posto na área de marketing da marca Maracujá, onde conheceu a atriz Erika Januza, que o convidou para assinar seu styling. A amizade entre os dois tem quatro anos e o trabalho em sintonia rola há dois anos. Sobre a parceria com Erika Januza, Vitor é todo elogios. “A Erika tem um coração puro e gigantesco. Temos uma ótima ligação. Sinto um prazer enorme em trabalhar com ela”. Em 2019, os dois irão passar o primeiro carnaval juntos. A atriz irá desfilar pela Vai-Vai, em São Paulo, e pela Grande Rio. Apesar do look oficial do desfile ser idealizado pela escola, as roupas usadas nos ensaios técnicos são pensadas por Vitor.

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Com a sensibilidade e generosidade de Erika, Vitor colheu elogios mil e bons frutos e novas oportunidades de trabalho. Vestir as atrizes Aline Dias, Juliana Alves, Cris Vianna, Olívia Araújo e Lucy Ramos para um ensaio fotográfico da revista Marie Claire.

Aline Dias, Juliana Alves, Cris Vianna, Olívia Araújo e Lucy Ramos para a revista Marie Claire. Stylist de Vitor Carpe (Foto: Arquivo Pessoal)Sobre a moda, o stylist diz preferir roupas mais clean e que valorizem a real beleza da mulher. Segundo ele, o poder vem de dentro e não somente da roupa: “Gosto muito de mulheres fortes. Afinal, a minha vida sempre foi guiada por mulheres fortes. Busco inspiração na exaltação da beleza. Vem de um decote, fenda ou brilho. Vem da personalidade e do interior”, frisa.

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Quando perguntado sobre o preconceito hoje ainda latente na sociedade brasileira, Vitor é taxativo: “Sou gay, negro, de origem humilde e com muito orgulho da minha história e da minha família. Sou um profissional que acredito no meu diferencial. Sempre fui criado para crer nos meus sonhos e na possibilidade de ser o que eu quisesse. Nunca deixei o racismo e nenhum outro tipo de preconceito me abater. Eu venho de Belo Horizonte, uma cidade onde as pessoas ainda cumprimentam, agradecem, olham no olho e são gentis. Um compromisso firmado pela palavra é tido como certo. Levo esses valores comigo”.

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