Moda & Beleza

Casa de Criadores Verão 17 #day2 – Enquanto Diego Fávaro investiu em uma coleção quase que fetichista, Rafael Caetano brincou com os tons pastéis e Felipe Fanaia uniu tribos

O segundo dia de desfiles teve inspiração nos motoqueiros ao maior estilo Harley Davidson, união entre os clubbers e o funk ostentação, jogo de proporções ousado em tons pastéis e ode ao processo criativo da moda com peças desestruturadas e descontruídas

Publicado em 15/04/2016 | Por Karina Kuperman

A Casa de Criadores continua a todo vapor. Depois de um primeiro dia com direito à estreia de Lui Iarocheski, Heloísa Faria fazendo uma ode ao empoderamento feminino, MRTNS trazendo uma moda praia ousada e Rober Dognani repleto de referências shakespearianas, como contamos aqui, o segundo dia teve mais tendências que prometem pegar entre os fashionistas. Diego Fávaro, que tem ganhado cada vez mais expressividade no mercado, apresentou uma coleção com inspiração no universo dos motoqueiros, bem ao estilo Harley Davidson, enquanto Felipe Fanaia uniu tribos, Rafael Caetano brincou com um jogo de proporções em tons pastéis e a Också fez uma homenagem ao processo criativo da moda. A Casa de Criadores é um evento responsável pela visibilidade de muitos dos estilistas que hoje desfilam nas semanas de moda ao redor do mundo e segue o calendário de lançamentos de coleção, mas tem, cada vez mais, se adequado ao conceito “see now, buy now”, um movimento que parte dos próprios estilistas. Desce para saber tudo sobre o segundo dia do evento!

Diego Fávaro
Seu nome tem ganhado expressividade e não é a toa. Em sua quarta apresentação na Casa de Criadores, Diego Fávaro trouxe seu DNA que combina streetwear e esporte em um universo motoqueiro. O estilista apresentou uma coleção outono-inverno no maior estilo “see now, buy now” e prometeu: as peças estarão nas lojas o mais breve possível. Com styling de Fernando Batista, o desfile mostrou muita pele dos modelos em alças finas e telas, mas o que chamou mais atenção foi a predominância do preto, que deixou tudo com um ar fetichista para lá de interessante. A geometria com a qual Diego Fávaro flerta não ficou escondida: surgiu na modelagem de um vestido de punho canelado acinturado. Lãs estampadas, assimetrias e fitas presas em telas também foram elementos marcantes, bem diferentes da coleção que ele apresentou na edição anterior do evento, inspirada no exorcismo e com peças supervolumosas. Palavras em negrito e setas, a cara de um estilista que é formado em arquitetura e urbanismo, viraram estampas divertidas e prometem pegar no streetstyle agender, provando que, de fato, quem veste Diego Fávaro são pessoas contemporâneas, livres de preconceitos, regras de estéticas e classificações de gênero. Não que não haja a separação entre coleções femininas e masculinas em suas lojas. Mas, se depender de Diego, isso durará por pouco tempo…

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Felipe Fanaia
Felipe Fanaia também faz parte do clube que não quer mais criar coleções divididas por temporadas e suas peças desfiladas na Casa de Criadores já estão, inclusive, à venda na Das Haus. A coleção tem referências claras: entre funk ostentação e cybermanos de montação clubber e, em vez de segregação, demonstra a diversidade coexistindo lado a lado. O visual andrógeno imperou na passarela, com meninos de batons vermelhos e roupas cheias de recortes ousados. Listras, tiras, assimetrias e cintura marcada também chamaram atenção. As camisas longas que já são marca registrada do estilista apareceram em diversas cores, mas, no geral, a cartela ficou entre preto, branco, vermelho e prata. A apresentação também foi um verdadeiro show. Assinada por Jeff Ferrari, teve direito até a “Careless Whisper”, de George Michael, como pano de fundo de uma dancinha animada dos modelos, além das clássicas clubbers como Johnny Luxo e “Wicked Game” de Chris Isaak. Empolgante.

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Rafael Caetano
Rafael Caetano é jovem, mas tem uma bagagem de nomes como Cavalera – aliás, contamos tudo sobre o desfile inovador da marca aqui, e Fábia Bercsek no currículo. Ele, que começou a desfilar na Casa de Criadores a partir do Projeto Lab, o projeto experimental dentro do evento, agora pode desenvolver ainda mais o conceitual que tanto gosta. A nova coleção veio em tons pastéis, mas nada muito cheio de delicadeza. O estilista brincou com a suavidade das cores em modelagens de blocos concretos nada sutis e muita ousadia. O tubinho preto com semicírculos de cores pastéis chamou muita atenção na passarela ao lado de roupas em malha jérsei, vestidos drapeados, com estruturas mais leves e curtos do que ele costumava fazer. Rafael Caetano é uma representação perfeita da nova geração de estilistas, sempre destemidos e com vontade de inovar. A moda agradece.

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Också
Också é uma palavra sueca que significa “também”, “igualmente”. Cai como uma luva para a marca dos gaúchos Igor Bastos e Deisi Witz, que propõe peças agender. A ausência de gênero virou tendência no mercado da moda e a marca naturalmente se encaminhou para essa estética. A ideia é pensar em modelagens e materiais que vistam bem tanto homens como mulheres. Nesse desfile na Casa de Criadores, os estilistas fizeram, mais uma vez, jus ao nome, com malhas fáceis de usar, linho, peças leves, assimetrias, detalhes, costuras e pences a mostra e peças desestruturadas. A ideia era justamente essa brincadeira de trazer a peça-piloto, que ainda sofrerá ajustes e servirá como modelo de produção, para a passarela. A cor neutra da maioria das peças também endossou o tom, dando impressão de peças inacabadas em um estilo descontraído. A marca se destaca pelo uso de fibras naturais como linho e algodão e materiais tecnológicos não convencionais. Trabalhar com roupas atemporais e livres de tendências tem suas vantagens: a Också desenvolve produtos menos descartáveis, ou seja: perfeitos para usar em qualquer temporada!

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