Gente & Comportamento

SENAI CETIQT – Aula Magna enfatiza a importância das competências socioemocionais em todos os âmbitos da vida

Alunos dos cursos de graduação em Design de Moda e Engenharia Química do Riachuelo e Barra da Tijuca se uniram para participar do encontro que teve como cenário o Teatro SESC Jacarepaguá. “Aqui tivemos a oportunidade de abordar valores relativos às emoções, a sentimentos para as gerações mais novas. Sabemos que a tecnologia nos trouxe diversos benefícios, mas, na base de tudo isso, somos seres humanos”, frisou o diretor-executivo da instituição, Sérgio Motta

Publicado em 22/03/2019 | Por Heloisa Tolipan

Entusiasmo, amor, empatia, equilíbrio emocional, solidariedade… São sentimentos que podem (e devem) permear uma vida inteira. E o SENAI CETIQT inovou mais uma vez ao promover no Teatro SESC Jacarepaguá – cujo belíssimo projeto arquitetônico foi assinado pelo arquiteto Luiz Índio da Costa – a Aula Magna dos cursos de graduação de Design de Moda e Engenharia Química, unindo os alunos de áreas distintas em um cenário lúdico e provando que a sala de aula vai muito além de promover a formação profissional. Passa por propor e conectar a geração millennial ao desenvolvimento das competências socioemocionais. Para que seja uma prática hoje e amanhã (com atitudes, habilidades e emoções positivas) nas relações profissionais e sociais de cada indivíduo.

O diretor-executivo do SENAI CETIQT, Sérgio Motta, na Aula Magna dos cursos de graduação em Design de Moda e Engenharia Química (Foto: Divulgação)

O diretor-executivo do SENAI CETIQT, Sérgio Motta, na Aula Magna dos cursos de graduação em Design de Moda e Engenharia Química (Foto: Divulgação)

O diretor-executivo do SENAI CETIQT, Sérgio Motta, comentou sobre a ideia da Aula Magna: “Aqui tivemos a oportunidade de abordar valores relativos a sentimentos para as gerações mais novas. Sabemos que a tecnologia nos trouxe diversos benefícios, mas, na base de tudo isso, somos seres humanos. Esse é o objetivo da aula: trazer, realmente, esses valores que vão além dos cognitivos (interpretar, refletir e pensar) e a sinergia com o mercado profissional. Pensamos em educar para o mercado de trabalho, mas nunca sem dar ênfase a cada pessoa”.

Além de falar sobre todos as inovações tecnológicas do instituto, Sérgio Motta afirmou: “Aqui tivemos a oportunidade de abordar valores relativos a sentimentos para as gerações mais novas" (Foto: Divulgação)

Além de falar sobre todos as inovações tecnológicas do instituto, Sérgio Motta afirmou: “Aqui tivemos a oportunidade de abordar valores relativos a sentimentos para as gerações mais novas” (Foto: Divulgação)

Segundo o gerente de Educação do SENAI CETIQT, Robson Wanka, hoje a vida em sociedade é aceleradíssima e tudo “é para ontem”, além de lidarmos com a informação em todos os sentidos e full time. “Por isso, quisemos refletir sobre os valores básicos: ética, cidadania, comprometimento, integração e verdade. Parece óbvio e básico, mas não é. Como diz o presidente do Conselho Técnico Consultivo do SENAI CETIQT, Agnaldo Diniz, com uma vasta experiência e carreira profissional, ‘o otimismo, a integração, resiliência, empatia devem ser sempre frisados’. E cada um aqui vai poder escrever o livro da vida com os seus valores”, reforçou. Assim, todos que estavam na plateia puderam sentir a simbiose entre o mundo high tech e o dos mais belos sentimentos envolvidos, inclusive, pela performance dos integrantes do Circo Grock, oriundos de Natal (RN) e que desenvolvem um trabalho muito expressivo promovendo, através do humor, a reflexão sobre questões que passam desde a relação interpessoal até a postura do ser humano em relação ao trabalho, a carreira e a trajetória profissional, além da experiência adquirida com a vida.

Plateia atenta ouvindo as histórias de vida dos integrantes do Circo Grock (Foto: Heloisa Tolipan)

Na Aula Magna, que uniu os alunos dos cursos de Design de Moda e Engenharia Química das duas unidades do SENAI CETIQT (Riachuelo e Barra da Tijuca), o que vimos no palco, durante a performance, foram exemplos de autoestima, ética, superação de dificuldades, trabalho em equipe em sinergia com a plateia atenta. Em total respeito ao ambiente em que estavam inseridos, os alunos mergulharam naquele universo e não foi preciso nenhum pedido para desligarem os celulares. Foi bonito de se ver. “Os artistas em cena e através de metáforas estimularam os sentimentos mais bonitos dos seres humanos. A verdade mais pura e simples através da arte. Os alunos não vão esquecer este encontro”, afirmou o diretor-executivo, Sérgio Motta.

A plateia atenta composta por alunos dos cursos de graduação em Design de Moda e Engenharia (Foto: Heloisa Tolipan)

Logo depois das apresentações de abertura, o antropólogo Marcelo Ramos assumiu o microfone para destacar a importância das competências socioemocionais na vida social – e, que fique claro, isso inclui as searas pessoal e profissional. Antes de tudo, é importante destacar que, de acordo com Marcelo, as competências emocionais são adquiridas. “Em geral, acabamos tratando de temperamento como se isso viesse da natureza de alguém, e classificamos as pessoas em mais delicadas, empáticas, mais competitivas, agressivas. Mas tudo isso é aprendido”, comentou. “Somos um HD vazio e não temos nada ao nascer. Tudo é construído. O ser humano é o único ser vivo que possui cultura, então nós temos capacidade de aprender, comunicar, transmitir e reproduzir um determinado comportamento de geração para geração. Isso faz com que a gente reproduza uma sociedade e uma vida com base no processo de socialização que temos ao longo dos anos, as educações midiáticas, imitações, exemplos. A nossa cultura tem particularidades e cada uma tem a sua”, analisou. “Nós aprendemos a comer, a andar, a falar… até a rezar e a amar. Aprendemos a amar, porque fazemos isso juntos. O homem tem natureza de agregar e só é possível aprender a amar agregando. A competência socioemocional, tal como o amor, também pode ser aprendida, praticada e ensinada”, afirmou.

“A competência socioemocional, tal como o amor, também pode ser aprendida, praticada e ensinada”, afirmou o antropólogo Marcelo Ramos

Pois bem, partindo dessa premissa, o SENAI CETIQT prepara profissionais que, além das competências técnicas para a realidade do mercado de trabalho, sejam protagonistas de seus próprios desenvolvimentos para colaboração e bem-estar ao longo de toda a vida. “É importante destacar a metodologia da educação profissional que tem alguns princípios importantes. Currículo, perfil profissional, que, claro, estão dentro do que a indústria necessita. Mas vamos além e investimos fortemente no protagonismo do aluno para que, lá na frente, ele tenha desenvoltura no ambiente de trabalho. Por isso, acreditamos em um aprendizado significativo, porque isso torna tudo mais interessante e o processo de ensino e aprendizagem factível e real”, explica o antropólogo. A formação integral faz todo sentido, principalmente em uma sociedade em constante mutação e ritmo acelerado na potência máxima. Saber lidar com as mais diversas pessoas em diferentes ambientes é fundamental. “É importante estarmos atentos para neutralizar o que não devemos praticar e reforçar o que devemos. Quando estamos diante do diferente devemos neutralizar todo tipo de atitude etnocêntrica, de julgar o outro, e procurar empatia e relativização. Muitas vezes, o preconceito nasce da falta de informação”, afirmou. E, aqui, vale destacar, falamos de distância social e/ou psicológica. “Tem uma analogia muito interessante feita pelo antropólogo Gilberto Velho (1945-2012), que dizia: ‘me sinto muito mais próximo, apesar de distante socialmente e até geograficamente, de um antropólogo americano que eu encontro em um congresso, porque temos visões de mundo e formas de pensar parecidas, do que do grupo de surfistas que vejo todo dia pela manhã da janela do meu apartamento’. A distância também é um fator psicológico, de mentalidade, de visão de mundo”, destaca o antropólogo.

Solange Mezabarba (Foto: Divulgação)

O SENAI CETIQT tenta justamente estimular a interação, o diálogo e busca pela compreensão, como bem pontuou a professora Solange Mezabarba. “Levamos vocês, alunos, ao Centro da cidade, para que conheçam um Rio diferente do que achavam que conheciam. Criamos grupos de trabalho que nem sempre são de melhores amigos, porque o mercado de trabalho não é assim. Ensinamos entusiasmo. E isso lá se ensina? Digo que sim, porque é o convite à aventura. E para aventura não se tem que ir muito longe: é apresentar um trabalho na frente da turma, quando vemos vozes fortes e tímidas. São tatuagens que viram exposições no hall do Riachuelo; aulas que viram desfiles de moda com direito a participante do “The Voice Brasil”; quando fazemos a mágica de produzir vestidos do século 18 e serem apresentados no prédio do Riachuelo; são aulas que viram exposições audiovisuais e trabalhos de história da arte que se transformam em performances”, listou.

“Nós também ensinamos amabilidade, que é um caminho sem volta na construção de amizades. Atrás de trabalhos finais vemos choro de angústia, tristeza, alegria, e as palavras se transformam em conforto, ânimo e inspiração. O mundo do trabalho é a reprodução da sociedade, com muita competitividade, lutas simbólicas, derrotas… os sentimentos que geram insegurança devem ser tratados com amabilidade. Também investimos demais no equilíbrio emocional, por isso temos psicopedagogas para ensinar a lidar com medos que andam soltos por aí”, destacou ela.

Plateia atenta ouvindo o antropólogo Marcelo Ramos (Foto: Divulgação)

Marcelo Ramos endossou que, além disso, é necessário querer aprender. E isso parte dos alunos. “E todos nós precisamos praticar a empatia em uma sociedade que muda a cada dia. Ontem, nós éramos uma sociedade em que a mulher tinha papel restrito à esposa e mãe e o homem era o provedor, e hoje isso é flexível e plural; ontem, casamento era só o tradicional e, atualmente, temos mil arranjos conjugais possíveis. A família que era formada por homem e mulher – casados – e sua prole deu lugar a novos casamentos, famílias, filiações socioafetivas. Para ser família, ter vínculos socioafetivos é o mais importante…”, enumerou. “A sociedade era offline e hoje somos offline e muito online. Antes, o trabalho era a identidade do trabalhador e o que o definia. Hoje não. Existem novos trabalhos e projetos e a busca maior é pelo propósito. Volta e meia nos perguntamos: ‘o que eu estou fazendo está me realizando?’, e, se não está, mudamos”.

Mas ainda somos uma sociedade em transição. Tanto no ambiente pessoal, como no profissional, que já está apontando novas tendências, como a Quarta Revolução Industrial – que é a produção ligada ao pedido, em que o cliente faz a compra pelo celular e, em poucos dias, o produto em casa -, a Indústria 4.0, tecnologias e as mudanças que vêm com elas, principalmente em processos e atividades operacionais. Atualmente, os profissionais tendem a ter visão estratégica, caminhamos para uma maior valorização da diversidade. “Claro que há o conflito entre valorizar a equipe e promover um ambiente acolhedor no trabalho versus a competitividade e o foco no resultado. Mas é necessário equilíbrio para lidar com essas questões. A discussão é entre o que você é o que o estimulam a ser, mas aí entra a busca da felicidade e bem-estar, da segurança. A liberdade de poder ser você mesmo e lidar com as emoções da forma como melhor o satisfizer”, afirmou.

A dinâmica da empatia e colaboração (Foto: Heloisa Tolipan)

A Aula Magna contou ainda com uma dinâmica entre professores e alunos, verdadeira síntese de tudo o que foi analisado. Foi bonito ver a reação de todos repleta de respeito, equilíbrio e garra para o desenvolvimento de propósitos de vida. Todos os alunos vão contar ao longo da vida acadêmica com programa de Mentoria, de Iniciação Científica Acadêmica, Iniciação Científica de Inovação e Tecnologia, Programa de Monitoria, Programa de Startups, que tem previsão de abertura de edital para o segundo semestre e previsão de 25 capacitações, entre elas: inovação, gestão e liderança. E muito mais: o Fashion Lab e a planta Confecção 4.0 e novos laboratórios em Engenharia Química como de Simulação e Realidade Aumentada. Muita tecnologia em simbiose com o mercado de trabalho.

 

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