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No ar em sua primeira novela das 9, Paulo Miklos fala de se reinventar aos 60 anos, sem deixar de lado a música

Aniversariante deste dia 21 de janeiro, Miklos fala sobre atuar na TV, cinema e teatro e sua eterna paixão pela música: "A arte é vital para mim. É a maneira como eu me entendo com o mundo", disse Miklos

Publicado em 21/01/2019 | Por Bárbara Tenório

Se o propósito da vida é estar em constante aprendizado, Paulo Miklos faz questão de colocar isso em prática. No ar como Jurandir na novela O Sétimo Guardião da TV Globo, Miklos é um daqueles poucos artistas presentes em várias frentes da cultura nacional por estar sempre disposto a se reinventar. Ex-vocalista da banda de rock Titãs, desde 2016 ele segue carreira solo e se aventura pela atuação há mais de uma década. E hoje, dia 21 de janeiro, o roqueiro completa 60 anos de pura arte. E para comemorar essa data, o site HT teve um bate papo exclusivo com o músico e ator. “Eu olho para trás e vejo uma trajetória muito bonita e de muita entrega e batalha, mas de muitas aventuras interessantes também. Eu sou uma pessoa realizada com o que fiz, ao mesmo tempo que eu me lanço a novos desafios com a mesma vontade. Estou sempre me renovando, então hoje eu tenho uma sensação de mais maturidade”, contou Miklos, que admitiu não ter arrependimentos na vida, apesar de alguns exageros.

Do alto dos seus 60 anos, Paulo Miklos continua disposto a se reinventar (Crédito: Divulgação)

Integrante por 34 anos da banda que emplacou “Epitáfio” e “Enquanto Houver Sol” em todas as rádios do Brasil, Miklos começou em 2001 a flertar com a possibilidade de também ser ator. “Partiu de um convite do cineasta Beto Brant. Foi minha primeira experiência no cinema, no longa O Invasor, e já uma estreia premiada. Fiquei muito feliz com o resultado e foi uma paixão avassaladora, saí querendo mais e nunca mais parei”, afirmou. Entretanto, a interpretação sempre esteve com ele, mesmo em cima dos palcos com o Titãs. “A minha experiência de músico era com que eu contava até então. Eu como cantor gosto muito de interpretar as canções, eu acho que tem um pouco de atuação em cantar para o público, vestir a história das canções, entrar no clima de cada música. Tudo isso tem muito a ver com atuação”, analisou Miklos.

Aos poucos, essa vontade de representar enredos além das letras das músicas o levou a sair da banda que formou ainda quando era jovem. “Encerrou um longo ciclo de muito sucesso e chegou o momento de encarar novos desafios, por exemplo, esse de fazer uma novela das 9. O que é muito intenso e exigente. Eu fiz agora dois longas que estão para estrear esse ano, estou numa atividade frenética, ao mesmo tempo que eu lancei o meu disco solo e eu continuo trabalhando e fazendo shows com esse álbum. Ainda estou na música intensamente e agora com uma possibilidade de me dedicar à atuação e entrar em projetos que me exijam mais tempo”, disse Miklos. “Princípio Ativo”, uma das músicas do novo álbum A Gente Mora No Agora está na trilha sonora de Sétimo Guardião e é uma parceria do roqueiro com a cantora Céu. E estar sempre cercado de artistas talentosos é regra para o ex-Titã. “Foi natural o que aconteceu: partir para novos desafios e aventuras. Continuo fazendo as mesmas coisas que sempre fiz, ou seja, estar sempre perto de gente com veia artística. Assim foi no Titãs, assim foi no meu disco solo, os meus parceiros Erasmo Carlos e Guilherme Arantes e da nova geração gente importante como Emicida, Silva e Céu. Sempre estive cercado de grandes talentos e na novela nem se fala, porque tem um elenco fabuloso. Eu gosto muito e continuo trabalhando em grupo”, destacou.

No papel de Jurandir em O Sétimo Guardião, Miklos se dedica a atuação e a carreira solo como músico (Crédito: Divulgação)

Protagonista do longa O Homem Cordial de Iberê Carvalho e no elenco da elogiadíssima peça Chet Baker, apenas um sopro, que volta em cartaz no Brasil inteiro a partir de maio, Miklos traçou sua história toda movida pela arte. “A arte é vital para mim. É a maneira como eu me entendo com o mundo. É o meu cano de escape, é onde coloco meus desejos, meus anseios, minhas frustrações e como eu lido com as coisas. A arte para mim é essencial. Eu busco alimento para a minha alma. É ela que me alimenta e eu devolvo a arte para o mundo de volta”, afirmou o músico, que acrescentou: “A gente pode se ver nas novelas, por exemplo, que são tão importantes, porque o Brasil se vê na telinha e se reconhece. No cinema e no teatro também estampamos a problemática, nos percebemos e fazemos uma autocrítica. E a música brasileira nem se fala, ela é a nossa bandeira. O mundo inteiro a reconhece como uma das coisas mais bonitas que existem na humanidade. Precisamos cuidar muito da nossa arte e cuidar muito bem cuidado de agora em diante”.

Se engana quem pensa que Miklos só ouve rock no fone de ouvido. Desde quando começou a se envolver com música ele nunca se limitou aos toques marcantes das guitarras e baterias. “Há atualmente uma cena riquíssima com novos valores e compositores. O violão cabuloso da Jociara é o que eu tenho escutado. Está muito criativo e diverso de temas o cenário atual. Hoje estou muito mais ligado a essa diversidade do que o rock em si. Apesar de eu ter uma pegada rock and roll, que é a minha marca. E eu acompanho os diferentes gêneros, porque sou muito fã da música brasileira por completo”, admitiu Miklos, que acrescentou: “Hoje está tão bacana quanto na década de 80. A única diferença é que não escutamos no rádio e nem vemos na TV, não há programas em que toda essa nova geração possa se encontrar. Então agora temos que ser curiosos e procurar nas redes sociais”. Os diferentes ritmos brasileiros sempre influenciaram as composições e arranjos da consagrada banda de rock. “Eu sempre coloquei a música brasileira como o rock nessa mistura, desde Cabeça Dinossauro que traz as flautas do Xingu do Guarupe. Eu sempre trouxe essa brasilidade para dentro do trabalho do Titãs. A gente faz uma música brasileira, um rock brasileiro, a gente usou e teve essas influências”, disse.

Depois de 34 anos com o Titãs, o músico e ator está em uma fase mais tranquila (Crédito: Divulgação)

E nessa história que está completando hoje seis décadas há um novo e importante capítulo na vida do músico e ator. Casado há dois anos com a produtora Renata Galvão, Miklos está em uma nova fase longe dos excessos. Só há espaço para o amor e a arte. “Daqui para frente eu espero ser muito feliz com a minha mulher, meus enteados e minha filha, Manoela. Eu tenho essa família querida, que me acompanha e torce por mim e eu torço por eles. Estou fazendo novos amigos na profissão, tanta gente interessante e talentosa. Pretendo aprender muito com eles e trocar muito”, destacou o artista, que finalizou: “Eu como roqueiro tenho esse lado meio Peter Pan, eu brinco de que eu tive a adolescência mais longa de que se tem notícia, porque ela foi até os 47 anos. Agora completando 60, eu sinto mais tranquilidade, estou mais atento e calmo em mergulhar nessas novas aventuras, mas sempre sabendo me preservar e dar o tempo certo para as coisas, além de poder aprender sempre”.

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