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Jacqueline Sato fala sobre a representatividade oriental na TV: “Muitas vezes me vi sendo a única em um set”

A atriz, que está em Los Angeles estudando no mesmo curso que formou diversos astros do cinema internacional, bateu um papo exclusivo com o site HT sobre feminismo, carreira e muito mais. Vem!

Publicado em 10/05/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Brad Pitt, Charlize Theron, Beyoncé, Halle Berry, Jessica Biel e… Jacqueline Sato. Nossa brasileiríssima está em Los Angeles, se dedicando ao curso “Ivana Chubbuck Studio”, o mesmo que já formou estes e outros astros do cinema mundial. “Participar destas aulas é maravilhoso, me trouxe ainda mais autoconhecimento e vontade de me desafiar. É muito trabalho, muita entrega, ensaio atrás de ensaio, que traz a sensação de alargar as possibilidades, expandir os conhecimentos, e também a gratidão por estar aqui aprendendo onde muitos que admiro também já estiveram”, conta, com exclusividade, ao site HT.

Há dois meses e meio, a bela se mudou para a capital mundial do cinema, onde tem investido em diversos cursos e muito estudo. “Nesta primeira parte do ano resolvi me dedicar em me aperfeiçoar e preparar ainda mais para as próximas oportunidades. Já fui convidada para dois longas. Em um deles para viver uma protagonista bem diferente de tudo que já fiz como atriz. Estou animada com este desafio. Mas, como sabemos, a situação da cultura como um todo no Brasil está passando por um momento delicado. Então, eu torço, e me uno aos demais artistas pela valorização dessa nossa profissão de contar histórias. Realmente acredito que ela tem o poder de gerar mudança, reflexão”.

Jacqueline Sato está aperfeiçoando sua técnica artística em Los Angeles (Foto: Pupin&Deleu)

Jacqueline Sato está aperfeiçoando sua técnica artística em Los Angeles (Foto: Pupin&Deleu)

Se, no Brasil, os tempos são difíceis para a arte, lá fora, a experiência de Jacque tem sido outra. “Olha, é sim uma possibilidade de carreira internacional. Tenho feito contato com profissionais daqui e muitos me falam para eu ficar, pois o mercado está muito voltado à diversidade. E dizem que esta mistura de latina e asiática que sou é interessante para o mercado internacional. Mas tenho ciência dos desafios e dos passos que preciso dar para tornar isto possível, então, tenho me preparado. Faço aulas para reduzir meu sotaque, vim fazer os cursos aqui e isto me aproximou mais e me trouxe uma noção mais nítida da dinâmica do mercado. Conheci agentes, empresários, produtores e diretores. Então posso dizer que estou começando a plantar sementinhas fora do Brasil também. Mas isto é algo incerto e imprevisível. Dedicação é a única coisa que está apenas nas minhas mãos e isto não vai faltar. E irei onde o trabalho me levar, não importa qual for o país. Se for uma boa história e uma boa personagem, lá estarei eu dando 100% de mim”, garante.

A bela chama atenção pela mistura de traços latinos e asiáticos (foto: Pupin&Deleu)

A bela chama atenção pela mistura de traços latinos e asiáticos (foto: Pupin&Deleu)

Falando na diversidade, a atriz é uma das poucas representantes orientais na TV brasileira. “Não é de hoje que nosso país é multiétnico. O público gosta se ver representado nas telas, ou nas páginas. Acho a diversidade e representatividade questões relevantes e urgentes. Tenho visto, aqui em Los Angeles, uma mudança positiva nesse sentido. Vi pelo volume de trabalho que tive ano passado que esta mudança também está acontecendo no audiovisual brasileiro. Mas pode ser mais! Digo isto em relação à todas as etnias e as misturas étnicas que possuímos no nosso país. Espero que, cada vez mais exista essa consciência da importância de haver esta multiplicidade em castings diversos”, reflete,

“Muitas vezes já me vi sendo a única num teste, ou até mesmo no set. Isto acontece, mas tenho a sensação (ou fé) de que está mudando para melhor. Posso dizer que tenho orgulho de viver este momento de transição, mas tenho certeza que ficarei muito mais feliz quando passar a ver mais e mais meninas e mulheres orientais ocupando seus espaços. Acho incrível você ter isto em pauta, por exemplo. Pois coloca uma lupa nessa questão e permite que mais pessoas reconheçam e reflitam. E acho que as pessoas em geral têm reivindicado mais representatividade; com a internet e esse modo mais imediato da comunicação a mensagem tem chegado àqueles que podem mudar este cenário”, analisa. “E uma vez que você se conscientiza de algo, não tem como voltar atrás. Então, quero acreditar que seja um caminho crescente, com mais diversidade e oportunidade”.

Uma das poucas representantes orientais da televisão, Jacque acredita que o cenário mudará para maior representatividade (Foto: Pupin&Deleu)

Uma das poucas representantes orientais da televisão, Jacque acredita que o cenário mudará para maior representatividade (Foto: Pupin&Deleu)

Falando em conscientização, Jacque viveu um papel importante em “Orgulho e paixão”, no final do ano passado. Sua personagem, a médica Mariko, levantou uma interessante discussão sobre feminismo, por ser uma mulher, profissional, em uma época e um meio onde o homem ainda era o provedor e, a mulher, dona da casa. “Sempre fui, sou e serei feminista. Ser feminista, no passado ou hoje, é entre muitas outras coisas, defender direitos e oportunidades iguais, e a relação com a causa é diária. Todos os dias me deparo com situações onde apenas o fato de estar presente em determinado ambiente já é, por si só, uma manifestação feminista, ou momentos em que preciso dialogar, fazer o outro compreender e, quem sabe, modificar determinado comportamento que vai contra essa equidade que tanto temos batalhado e almejado. Mas sempre busco caminhar pela trilha do diálogo e da empatia, pois acredito que sejam as mais eficazes”, diz ela, que garante estar vivendo “a melhor fase de sua vida”.

Jacque Sato acredita que 2018 foi seu melhor ano profissional (Foto: Pupin&Deleu)

Jacque Sato acredita que 2018 foi seu melhor ano profissional (Foto: Pupin&Deleu)

“É um período de crescimento intensivo. Esse último ano foi o meu melhor em termos profissionais. Atuei pela primeira vez em uma novela de época, com uma personagem forte e inspiradora, justamente por quebrar padrões e provar que mulheres e minorias podem mais do que o que a sociedade, muitas vezes, dita. Atuei na série “(Des)encontros” com minha primeira protagonista! E pela primeira vez, estive em cartaz com um longa metragem , o “Talvez uma História de Amor”. Todos estes acontecimentos só me estimularam a querer mais!”, fala, empolgada.

“Essas experiências foram melhores do que eu podia imaginar quando eu ainda sonhava com isto. É tão bom poder realizar aquilo que um dia pertenceu apenas ao campo da imaginação, sonho, desejo. Ser protagonista na série foi incrível, trouxe um responsabilidade enorme, mas um prazer do mesmo tamanho. É muito legal ser a pessoa que é o fio condutor central de uma história. Como atriz pude trabalhar mais camadas e nuances para a personagem. Foi de um aprendizado sem igual, e me deixou querendo mais. E me ver pela primeira vez na telona do cinema mexeu comigo. O cinema foi o que mais me influenciou a querer ser atriz, e estar ali pela primeira vez me emocionou e me inspirou. Enfim, espero que seja só o começo de muitos outros!”. Quem duvida?

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