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Exclusivo! Léo Maia, filho de Tim, comenta filme feito sobre o pai no ano passado: “Mau gosto, falta de capacitação e de direção!”

Músico fará apresentação no Teatro Rival, dia 16, com o projeto "Os Filhos do Cara", que ainda trará shows de Max de Castro, Simoninha, Jair Oliveira e Luciana Mello

Publicado em 03/04/2015 | Por João Ker

O Teatro Rival recebe nas próximas semanas, entre os dias 9 e 18, o projeto “Os Filhos dos Caras”, uma série de shows com os grandes herdeiros dos maiores nomes da MPB. Jair Oliveira e Luciana Mello (filhos de Jair Rodrigues), Max de Castro e Simoninha (filhos de Wilson Simonal) e Léo Maia, representando Tim Maia. Léo, que há dois anos lançou o disco “Diz que tem saudade”, comenta o espetáculo com HT em um bate-papo exclusivo: “Vou cantar o meu repertório e mesclar algumas músicas com as do meu pai. Se eu não fizer isso, as pessoas até reclamam”, diz com bom humor, citando a fase em que a iniciativa passou por Brasília com a casa sempre lotada.

Léo Maia toca no Teatro Rival dia 16 com o projeto "Os Filhos dos Caras" (Foto: Villy Ribeiro | Divulgação)

Léo Maia toca no Teatro Rival dia 16 com o projeto “Os Filhos dos Caras” (Foto: Villy Ribeiro | Divulgação)

Léo, assim como seu pai, fala de forma humilde, bem-humorada e com o vozeirão ressoando pelo telefone. Até quando conta sobre sua carreira não é em tom de quem se gaba, mas como se estivesse se apresentando para um público que não o conhece: “Eu venho de cinco discos, algumas músicas na novela da Globo – das oito, das sete, três delas em ‘Malhação’. Toco para adulto e para jovem, já fiz shows no Brasil inteiro, tenho uma boa audiência em Goiânia e um público bem eclético”. Atualmente, além de participar de “Os Filhos dos Caras”, ele está na fase de finalização do seu sexto disco de estúdio, ainda sem título: “Eu ganhei uma música inédita do Paulo Sérgio, uma do Rogê, tenho uma parceria com o Seu Jorge, a participação de Simoninha em outra, o Rappin’ Hood também está no álbum… vai ser bem bacana”.

Nascido e criado no meio musical, Léo Maia traz no sangue aquela mistura de ritmos que foi a marca do som de Tim, e diz que adora essa característica do Brasil: “Nós temos essa tendência a misturar baião com xaxado e blues. Esse pudor não existe para a gente. Acabei de fazer um show com Frejatblack music com rock rola suave. Não há muita essa diretriz. Somos mais livres, não temos preconceitos na música”, explica. Um pouco dessa versatilidade pôde ser vista no programa “Esse artista sou eu”, do SBT, um concurso no qual ele tinha que interpretar diferentes cantores: “O que eu mais gostei e achei mais difícil foi o James Brown. Eu sou bom para fazer dançar, agora dançar mesmo eu não sei”, conta rindo, e acrescentando que costuma ouvir de tudo um pouco, de Justin Timberlake (“achava que ele era tipo Menudos, mas descobri que não”) a O Rappa e Daft Punk.

O jeito gente boa de bem com a vida dá lugar a um tom mais sério e irritado quando o assunto muda para o filme “Tim Maia”, lançado em outubro do ano passado e dirigido por Mauro Lima. “É um desserviço à música e ao cinema brasileiro. De um mau gosto, falta de capacitação e de direção”, comenta Léo. De acordo com ele, os erros de adaptação foram grandes: seu avô, por exemplo, “era um negão de dois metros de altura e optaram por um baixinho”;  a representação de sua avó também não foi fidedigna; assim como a de sua mãe, Geisa, “que é conhecida no meio por nunca ter usado droga nem bebido, e pareceu uma drogada no longa”. As polêmicas com Roberto e Erasmo Carlos também não o agradaram (“Eles foram amigos de infância, quem é o cara para contar uma história que ele não sabe?”) e até os padrinhos musicais de Tim estão supostamente errados no filme que, de acordo com Léo, deveria ter falado sobre Nelson Motta, Elis Regina e André Midani. Entretanto, o tratamento dado a Tim é o que mais o incomoda: “O povo brasileiro não reconheceu meu pai naquilo. O cara fala mal dele por uma hora e meia!”.

Sobre o filme "Tim Maia", Léo desabafa: "É um desserviço à música e ao cinema brasileiro" (Foto: Villy Ribeiro | Divulgação)

Sobre o filme “Tim Maia”, Léo desabafa: “É um desserviço à música e ao cinema brasileiro” (Foto: Villy Ribeiro | Divulgação)

Ele continua: “Foi infeliz, incapacitado e ridículo. Ele tirou a honra de pessoas que trabalharam uma vida inteira com isso. Foi tudo jogado no lixo.  Meu pai não é um maluco que se drogava de manhã, de tarde e de noite. Senão ele nem conseguiria ter feito a obra que fez”, comenta Léo, admitindo que ficou magoado quando conferiu a produção. “Meu filho de 10 anos arrumou briga no colégio, porque foi defender a honra do avô. Para a nova geração, vai ficar um Tim Maia deturpado. E eu não estou defendo o Tim Maia, mas o Sebastião Rodrigues Maia que Deus levou. Porque ele não iria admitir falarem isso dele se estivesse vivo”.

Agora, Léo planeja fazer seu próprio documentário sobre o pai, para mostrar o outro lado da história emblemática de um dos maiores e mais irreverentes artistas da música brasileira: “Eu tenho a obrigação de fazer, porque tem uma nova geração vindo aí que precisa saber a verdade. Vou pegar minhas tias, vou bater na casa das pessoas que conheceram meu pai – do Paulinho Guitarra, do Roberto Carlos -, procurar saber onde e como foi gravado tal disco… Ele ficou três anos sem usar drogas! Ninguém sabe disso, mas as pessoas precisam saber para tirar essa imagem maligna e horrível que fizeram”. Por fim, Léo Maia diz como gostaria que seu pai fosse lembrado: “Alguém que viveu a vida como quis, curtiu todas as festas, amava as mulheres, era um ser iluminado, de alegria, de talento musical e percepção do que a sociedade queria ouvir, queria que ele dissesse. Musicalmente completo. Mais que isso, um ser humano completo. Eu não sou gênio, meu pai era”.

Serviço:

Os Filhos dos Caras

Dias: 09, 10, 16, 17 e 18 de abril de 2015

09/04 (quinta) – Jair Oliveira

10/04 (sexta) – Luciana Mello

16/04 (quinta) – Léo Maia

17/04 (sexta) – Simoninha

18/04 (sábado) – Max de Castro

Local: Teatro Rival Petrobras, Rua Álvaro Alvim, 33 – Cinelândia

Horário: 20h

Ingressos: R$ 30 (inteira) l R$ 15 (meia)

Capacidade: 450 pessoas

Classificação Etária: 16 anos

Mais Informações: https://www.facebook.com/osfilhosdoscaras

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