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Em sua coluna semanal, Fábio Bibancos fala sobre o bruxismo: atividade involuntária parafuncional e rítmica do sistema mastigatório

Cirurgião-dentista especialista em Odontopediatria, Ortodontia e Mestre em Saúde Coletiva explica que o hábito pode causar dor de cabeça, sensibilidade, desgaste e fratura dos dentes e alterações nas articulações temporomandibulares (ATM)

Publicado em 24/11/2016 | Por Leonardo Rocha

* Por Fábio Bibancos

Se ao ler o título você achou que bruxismo é algum tipo de magia negra, então você passou bem longe da resposta correta. A origem do termo data de 1907, com a expressão la bruxomanie, derivada da palavra grega brychein, cujo significado é triturar ou ranger os dentes, e da palavra mania, que significa compulsão, surgindo assim a expressão.

O bruxismo é uma atividade involuntária parafuncional e rítmica do sistema mastigatório caracterizada pelo ato de ranger ou apertar os dentes tanto durante o período diurno como noturno. Ocorre frequentemente em períodos de preocupação e estresse, acompanhado muitas vezes por um ruído. Um hábito que pode ser literalmente uma dor de cabeça e que pode causar sensibilidade, desgaste e /ou fratura dos dentes e alterações nas articulações temporomandibulares (ATM).

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Nos adultos o tratamento dependerá da fisiopatologia, ou seja, a natureza da alteração e o período em que acontece. Nos adultos o bruxismo se divide em bruxismo vigília ou bruxismo do sono. No bruxismo em vigília, o indivíduo passa horas rangendo os dentes sem dar-se conta, sobretudo quando está tenso, em situação de estresse, nervoso, assistindo televisão ou quando necessita muita concentração. Esse tipo de bruxismo está mais relacionado às dores musculares na face e de cabeça. Também é importante saber que alguns medicamentos também podem causar bruxismo, como os medicamentos para Parkinson ou para doença de Huntington.

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Já o bruxismo do sono se considera como um distúrbio de movimento relacionado ao sono. Sua etiologia também pode ser oclusal, como contatos oclusais defeituosos, disfunção na musculatura e/ou na articulação temporomandibular.

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Se estiver pensando “será que ranjo os dentes?” há alguns sinais que podem dar pistas:

• A pessoa que dorme ao seu lado relata ruídos durante seu sono.

• Os músculos da sua boca estão doloridos;

• Sente dor de cabeça com frequência;

• Seus dentes estão sensíveis, desgastados, quebrados;

• Bochechas, lábios e língua mordidos;

Ok. Você tem algum desses sintomas… o que fazer?

Procure um dentista que atue de forma conjunta com um fisioterapeuta. O dentista vai avaliar a possibilidade de reduzir a “exposição” de um ou mais dentes para igualar sua mordida, regularizando assim sua oclusão.

O fisioterapeuta vai atuar de forma conjunta com o tratamento dentário, auxiliando nas amenização das dores e atuando com foco nos problemas posturais/musculares relacionados aos problemas da ATM.

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Ah, mas e o uso da placa para dormir? Para quem não sabe a placa é um dispositivo feito sob medida pelo seu dentista e ajustado aos seus dentes para protegê-los. Mas fica um alerta: a placa não é uma cura, ela é coadjuvante no tratamento realizado pelo dentista e fisioterapeuta.

Se tiver algum desses sintomas procure logo um profissional.

*Fábio Bibancos é cirurgião-dentista especialista em Odontopediatria, Ortodontia e Mestre em Saúde Coletiva, formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Com consultório em São Paulo e no Rio de Janeiro, Fábio é autor de “Um sorriso feliz para seu filho” (CLA Editora),  “A Guerra dos Mutans”, “Boca!” e “Sorrisos do Brasil”, além de já ter sido eleito Empreendedor Social 2006 pela Schwab Foundation (ligada ao Fórum Econômico Mundial de Davos) e integrante do Fellow Ashoka (uma rede de empreendedores sociais presente em 65 países). Além de assinar uma coluna semanal neste espaço, está à frente do projeto Turma do Bem, a maior rede de voluntariado especializado do mundo: o dentistas do bem.

Acompanhe aqui as postagens de Fábio Bibancos: https://www.facebook.com/institutobibancos/

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