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Dr. Alessandro Martins tira dúvidas sobre o tratamento de queimaduras de acordo com a gravidade

Em sua coluna quinzenal no Site HT, o cirurgião plástico comenta: “As mais graves são as de terceiro grau. Nelas, toda a derme é destruída. São as que têm maior potencial de alterações cicatriciais e é importante atuar precocemente com os enxertos”

Publicado em 15/10/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Dr. Alessandro Martins

As queimaduras se dividem em profundidades: primeiro, segundo e terceiro graus. As de primeiro grau são as mais superficiais, que acometem a camada superior da pele, se assemelham muito a queimaduras do sol e não levam a alterações cicatriciais. O máximo que pode ocorrer são alterações de coloração. Não são necessários tratamentos especiais, mas é preciso hidratar a região queimada até que volte a ser epitelizada (a camada lesada chama-se epitélio ou tecido epitolial).

Nas queimaduras de segundo grau, a derme, uma camada mais profunda da pele, é atingida. Essa queimadura se caracteriza pela formação de bolhas. Temos o segundo grau superficial e o profundo. No primeiro caso, o que mais ocorre de alteração cicatricial é a mudança de coloração. Também se trata de uma queimadura que não necessita de tratamento específico: não são necessários enxertos e geralmente evolui de forma muito satisfatória.

Dr. Alessandro Martins (Foto: Sérgio Baia)

Nos aprofundando nas camadas, chegamos às queimaduras de segundo grau profundo, que comprometem a derme, portanto a pele não se regenera. É o primeiro patamar de queimadura em que há alterações cicatriciais e são necessários tratamentos com enxertos de pele. Dependendo do tempo que se leve para tratar essas queimaduras com enxertos, podem acontecer retrações cicatriciais, principalmente nas áreas nobres (locais de flexura do corpo, como cotovelo e pescoço). Os enxertos diminuem a capacidade de contração, retração e cicatrizes patológicas. Em alguns pacientes, porém, principalmente nos que têm tendência ao queloide, as alterações cicatriciais podem causar efeitos danosos – inclusive retração de pescoço, não extensão do braço e não abertura dos dedos da mão.

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A forma de se evitar essas retrações é atuar com os enxertos da forma o mais precocemente possível. Outra maneira de se evitar as retrações é usar as matrizes dérmicas de forma igualmente precoce. Com isso a qualidade cicatricial melhora e o tempo de tratamento da queimadura encurta.

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As queimaduras mais graves são as de terceiro grau. Nelas, toda a derme é destruída. São as que têm maior potencial de alterações cicatriciais e é vital atuar precocemente com os enxertos de pele. As alterações, não apenas o queloide, mas as retrações, são bastante danosas. Muitas vezes, mesmo com o enxerto precoce, não conseguimos evitá-las. Reoperações, com novos enxertos e cirurgias para liberar as articulações, a flexura do pescoço e os dedos da mão, por exemplo, são, muitas vezes, necessárias e o paciente precisa passar por dois, três, até quatro procedimentos cirúrgicos.

São importantes, nessas queimaduras, os tratamentos pós: compressão da cicatriz com o uso de malhas e de placas de silicone nas áreas atingidas, para que não ocorra a formação de queloides; imobilização de membros e da região cervical com colares cervicais e órteses, para que o membro cicatrize na posição adequada, contrapondo a força de retração. Uma tecnologia muito utilizada atualmente com bons resultados é o uso do laser de CO2 nas áreas de queimaduras.

No tratamento das queimaduras, portanto, devemos analisar o grau, ou seja, determinar a profundidade da queimadura, e intervir de forma o mais precoce possível através de enxertos de pele do próprio paciente ou da associação de matriz dérmica com os enxertos. No entanto, as matrizes dérmicas não são a cobertura definitiva, pois só restituem a derme. Já o enxerto tem a função de restituir a epiderme, que é a última camada da pele, a que vai concluir a cicatrização.

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