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Dr. Alessandro Martins esclarece as dúvidas para uma boa recuperação pós-operação

Em sua coluna quinzenal no site HT, o cirurgião plástico comenta: “De maneira geral, trata-se de um período em que se necessita de mais repouso. O paciente deve ficar em casa próximo de familiares ou de quem o ajude, pois não poderá cumprir certas tarefas sozinho. Nos primeiros dias poderá precisar de ajuda para se levantar, tomar banho, lavar os cabelos, preparar a alimentação. O pós-operatório é um período que requer cuidados muito específicos”

Publicado em 16/04/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Dr. Alessandro Martins

O pós-operatório é uma fase de extrema importância na cirurgia. Podemos dizer que é tão importante quanto a própria operação. É nesta fase que o paciente precisa seguir as orientações específicas do médico. É claro que cada cirurgião tem uma experiência própria, uma forma de conduzir seu paciente. De maneira geral, trata-se de um período em que se necessita de mais repouso. O paciente deve ficar em casa próximo de familiares ou de quem o ajude, pois não poderá cumprir certas tarefas sozinho. Nos primeiros dias poderá precisar de ajuda para se levantar, tomar banho, lavar os cabelos, preparar a alimentação. O pós-operatório é um período que requer cuidados muito específicos.

Outras precauções delicadas devem ser observadas na troca dos curativos, nos cuidados com o dreno (se houver), na colocação da cinta. É essencial que o paciente tenha alguém que possa dar essa assessoria em casa. Para quem que não conta com a ajuda de familiares ou amigos, alguns cirurgiões podem indicar o serviço de enfermeiras ou de cuidadoras de sua própria equipe, que já conhecem a rotina do médico e farão com que o pós-operatório decorra da melhor forma possível.

O mais importante, porém, é que o paciente se sinta calmo nesse período. No entanto, é muito comum ele ficar ansioso após a primeira semana, porque é nesse momento que passa a sentir menos dor e o dreno já foi retirado. É quando passa a fase inicial, comum nos primeiros dias, de incômodo e enjoo. A pessoa já começa a sentir-se mais livre e isso gera ansiedade. No entanto, é necessário permanecer em casa. Dependendo do porte cirúrgico, é interessante repousar por, pelo menos, de 20 a 30 dias. O que acontece normalmente, porém, é que passada uma semana, dez dias, o paciente já queira ir à rua, retornar às suas atividades habituais – e isso pode comprometer o pós-operatório.

Dr. Alessandro Martins (Foto: Sérgio Baia)

A alimentação é fundamental no período, além de curativo, ajuda e repouso. Eu já disse em outra coluna que a relação entre alimentação e inflamação de cirurgia de pontos é lenda, que não é verdadeira. No entanto, é importante que a alimentação seja saudável. O paciente precisa comer muita proteína e tomar vitamina C, um importante componente do colágeno e a cicatriz depende dele para se formar. A proteína animal (e o colágeno é uma proteína) também deve estar presente na alimentação do pós-operatório. E muito líquido: beber muito líquido não só previne a desidratação como evita a prisão de ventre.

Não podemos nos esquecer da posição de dormir. É importante observar as orientações sobre a necessidade de cabeceira elevada, travesseiro embaixo dos joelhos, se pode ou não virar de lado, se pode ou não deitar de bruços, como sentar-se, como se levantar. Todas as pequenas orientações são de suma importância para que a vivência do pós-operatório seja a melhor possível. Quanto mais o paciente segue as condutas do médico, mais rapidamente se reabilita.

E, quanto mais rápida a reabilitação, mais rapidamente volta às atividades diárias e melhor o resultado. Se, durante o processo pós-operatório, o paciente não segue as orientações do médico, pode ter uma perda de dreno antes do período, podendo levar coleções líquidas à cirurgia. Pode, também, abrir algum ponto – e aquilo que seria cicatrizado em dez, 14 dias, pode demorar 20, 30 dias para fechar. Isso vai atrasar o retorno ao trabalho e às atividades de que gosta. Os cuidados nas duas primeiras semanas são os mais importantes.

Outro fator a se prestar atenção é a frequência das visitas ao médico. É importante que no primeiro mês o paciente faça visitas semanais ao consultório, deslocando-se de forma segura. Ele não pode dirigir e deve ir às consultas com alguém que o ajude a compreender as orientações para não se esquecer quando chegar em casa. Tudo isso junto faz com que o pós-operatório seja mais tranquilo, com um paciente mais esclarecido, que compreende as suas limitações e a importância delas no período. Lá na frente isso leva a um melhor resultado e deixa o paciente mais satisfeito.

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