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Zezé Motta estreia novela na Record e lança o disco ‘O Samba Mandou me Chamar’. “Dá uma tristeza enorme quando a gente vê um ato de racismo”

Atriz, que comemora 50 anos de carreira, estreia mais duas séries na TV por assinatura, grava CD voltado para o mundo do samba e ainda será a grande homenageada como enredo da escola de samba Acadêmicos do Sossego, de Niterói, no Carnaval 2017

Publicado em 11/05/2016 | Por Leonardo Rocha

Zezé Motta não se cansa de trabalhar! Em plena forma física aos 71 anos, a atriz, ícone de uma geração de mulheres que lutaram e lutam até hoje contra o monstro do preconceito racial, está prestes a reestrear na Rede Record com a novela “Escrava Mãe”, produção que inaugura o novo horário de novelas da Record, às 19h30, dia 30 de maio. A musa do teatro, que também é vice-presidente da instituição Casa dos Artistas e completa 50 anos de carreira em 2016, segue a todo vapor para o lançamento de outros dois trabalhos na TV por assinatura e divulgar seu mais novo disco, “O Samba Mandou Me Chamar”. Em entrevista exclusiva ao HT, Zezé fala sobre seus trabalhos, feminismo, racismo e muita bossa, claro.

Zezé Motta (Foto: Divulgação)

Zezé Motta (Foto: Divulgação)

“Agora, dia 30 de maio eu estreio “Escrava Mãe”, na Record. É uma novela sobre a vida da mãe da Escrava Isaura, onde eu trabalho como atriz e também como narradora da história. O trabalho está lindo demais. Na trama, faço o papel da escrava Tia Joaquina. Ela é uma das negras da fazenda do Comendador Almeida (interpretado por Fernando Pavão) e protetora incondicional de Juliana (atriz Gabriela Moreyra), a protagonista”, adiantou Zezé, que ainda aproveitou para falar da importância que as novelas de época trazem para a sociedade de uma forma geral. “Acho importante a gente sempre falar sobre o nosso passado, porque enquanto existir preconceito racial neste país, a gente tem que continuar lutando, dando cotovelada e cutucando a ferida para combater isso. Não faz sentido um país tão miscigenado como o Brasil ainda estar nessa”, ressaltou.

Ativista na luta contra o preconceito racial, Zezé avalia que a chegada das redes sociais serviu para acabar com o mito de que no Brasil não existem preconceitos. Sejam eles pela cor, orientação sexual ou religiosa das pessoas. “Dá uma tristeza enorme cada vez que a gente vê um ato de racismo nas redes sociais. Ultimamente a gente tem visto muito ataques a pessoas próximas. É muito triste, mas ao mesmo tempo eu acho bom que esse racismo deixe de ser velado, porque isso só nos fortalece, nos une e nos ajuda a lutar para acabar com essa palhaçada”, afirmou ela, garantindo que, independentemente da cor, as mulheres também precisam ser mais ativas para buscar uma igualdade social. “A gente avançou muito, mas a passos muito lentos. Nós vivemos um movimento de resistência, porque a sociedade, que ainda é muito machista, não quer ver a libertação da mulher”, disse Mas quando o assunto e política ela é sucinta. “Estou vendo este momento com muita tristeza, na expectativa de um futuro melhor e rezando para que Deus ilumine alguém que possa salvar este país”, argumentou.

Primeira imagem divulgada de Zezé em "Escrava Mãe", da Record (Foto: Divulgação)

Primeira imagem divulgada de Zezé em “Escrava Mãe”, da Record (Foto: Divulgação)

Além da produção da Record, a atriz, que foi eternizada nos cinemas ao protagonizar o clássico “Xica da Silva”, também está prestes a dar as caras em dois seriados na TV por assinatura. Segundo ela, “a qualquer momento vai estrear uma participação que fiz na série ‘3 Por Cento’ (primeira produção brasileira da Netflix), na qual eu faço uma mulher empoderada. Eu gosto de mulheres empoderadas. Já na Fox faço ‘Condomínio Jaqueline’, em que dou vida a uma síndica louca de pedra. É uma comédia. Na série contraceno com a atriz Verônica (Ned) que, só mais tarde, fui descobrir que é filha do Nelson Ned. Uma excelente atriz”, adiantou.

Zezé, que contabiliza 13 discos lançados ao longo desses 50 anos de estrada, ainda tem muito o que mostrar de sua veia musical. E, para isso, prepara um CD todinho voltado para o mundo do samba com participações pra lá de luxuosas. “Estou gravando ‘O Samba Mandou me chamar’. As pessoas ficavam reclamando que eu cantei muito pouco samba na minha carreira. No início eu resisti muito ao samba, porque não queria ser rotulada como sambista, mas, de repente, eu recebi tanto material bom desse gênero tão brasileiro, que eu pensei ‘chegou a hora, Zezé'”, constatou. “Tem muita gente boa nesse trabalho. Tem Arlindo Cruz, Marquinho PQD, Serginho Procópio, atual presidente da Portela… Estou muito animada para ver esse disco na boca do povo”, disse.

Zezé Motta (Foto: AgNews)

Zezé Motta (Foto: AgNews)

E não pense que acabou por aí. Em 2017, a atriz ainda será a grande homenageada do samba-enredo da Acadêmicos do Sossego, escola de Niterói, que desfila pela Série A, com o tema  “Zezé Motta – A Deusa de Ébano”. “Me sinto em estado de graça, com o convite da Acadêmicos do Sossego e pela homenagem que estão preparando. Não tenho palavras à altura de poder ser cantada no palco sagrado do carnaval. É muita emoção”, declarou a homenageada. A gente já está ansioso pra ver e se emocionar.

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