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“As marcas do bullying ainda estão em mim. Mexe com o psicológico”, diz atriz Mari Cardoso, de “A dona do pedaço”

Intérprete de Josiane na primeira fase da trama das 21h, a atriz pontua: "Acho muito importante falar sobre esse assunto, porque desse jeito posso ajudar outras crianças que passam por isso e também chamar atenção para o assunto. O bullying não pode continuar acontecendo, por isso temos que discutir e falar sobre ele para dar apoio para às crianças que passam por essa situação"

Publicado em 08/07/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Mari Cardoso tem 15 anos e já conquistou um enorme público cantando no “The Voice Kids”. Agora, ela tem dividido o tempo entre o microfone e as câmeras. Isso porque estreou em “A dona do pedaço”, trama das 21h. Ela viveu Josiane na primeira fase, ou seja, interpretou o papel que hoje é de Ágatha Moreira. “Foi um prazer dividir a Jô com ela! Um dia que fui gravar acabamos nos encontrando, conversamos um pouco e foi muito legal. Ela é uma excelente atriz. Me inspiro muito nela”, conta.”Foi muito bom participar da novela, eu fui convidada para fazer um teste para a personagem e passei. Amei trabalhar com grandes atores, como a Juliana Paes. Foi uma experiência incrível”, comemora Mari, que começou a se interessar por teatro ao participar de uma peça no colégio. “Minha escola me incentiva na carreira artística desde sempre”, pontua.

Mari Cardoso participou do “The Voice Kids” aos 11 anos (Fotos: Diguinho Soares)

Quem pensa que o sucesso abre portas se engana: Mari sofreu – e ainda sofre – bullying. “Só piorou depois que apareci na televisão. Muitos artistas amigos meus sofrem também, pelo simples fato de serem artistas”, conta. “Sofri bullying por muito tempo, uns seis anos, mais ou menos. Acho muito importante falar sobre esse assunto, porque desse jeito posso ajudar outras crianças que passam por isso e também chamar atenção para o assunto. O bullying não pode continuar acontecendo, por isso temos que discutir e falar sobre ele para dar apoio para às crianças que passam por essa situação”, diz ela, que não superou totalmente o problema. “Com certeza as marcas do bullying ainda estão em mim e me incomodam muito. Isso mexe muito com o psicológico das crianças que sofrem”, confessa.

“Eu sofri alguns tipos de bullying, a maior parte deles verbal. Me falaram coisas como ‘eu quero que você morra’, ‘suas mídias são fake’, ‘você canta que nem um pato rouco’, ‘você é magra demais’. Chegou até a envolver ameaças como ‘amanhã eu vou trazer a arma do meu pai para te matar”, lembra. “Eu também sofri pelo simples fato de ser atriz. Me perguntavam que profissão de fato eu seguiria porque atriz não levaria a nada, diziam que nem talento eu tinha”, diz. “Por trabalhar como atriz, eu sempre tive que conseguir conciliar com a escola e, mesmo com vários compromissos, eu tirava notas boas, era considerada boa aluna, sempre fui elogiada pelos professores. As pessoas não aceitavam e diziam que eu tinha que ser reprovada”, conta.

“Além disso tudo, sofri bullying social. Me excluíam muito, ninguém queria ficar perto de mim, eu não era convidada para as festas nem encontros. Muitas vezes tive que passar o recreio e almoços sozinha”, lembra ela, que sofreu, inclusive, bullying virtual. “Montaram uma foto minha e mandaram para várias pessoas por whatsapp. Era uma montagem bem constrangedora porque parecia que eu estava só de sutiã em um show que eu fiz”.

A atriz sofreu e ainda sofre bullying na escola (Fotos: Diguinho Soares)

“Para quem está passando por isso, eu recomendo, em primeiro lugar, comunicar os pais ou responsáveis. Isso é fundamental. Nunca esconda de um adulto responsável. Se for na escola, ela deve ser comunicada imediatamente. Foi a primeira atitude que tomei. Não foi difícil para mim contar, porque tenho uma relação muito positiva e aberta com meus pais. Aconselho também, se o bullying acontecer na escola, falar com um diretor ou coordenador para que uma atitude possa ser tomada. Outro ponto que eu aconselho também é não reagir de forma impulsiva com os agressores. Se você fizer isso, além de perder a razão, estará se rebaixando ao nível e sendo igual aos agressores. Sempre tente a conversa e a paz, olhando firme nos olhos do agressor e deixando claro com educação que não gosta do que está fazendo, sem se vitimizar. Encare e nunca baixe a cabeça para os agressores”, explica.

“É importante dizer que foi fundamental o apoio dos meus pais e da escola. Aos poucos fomos mostrando para algumas crianças como isso é errado e que elas não devem seguir quem faz bullying e nem achar engraçado, porque um dia pode ser com elas”, diz.

Aos 15, Mari já cantou no “Rock in Rio” (Fotos: Diguinho Soares)

Toda a maturidade de quem estreou na televisão aos 11 já é evidente. “Nunca senti pressão por isso, pelo contrário, me diverti muito. Encarei todo o ‘The Voice Kids’ como uma grande diversão. É claro que é uma responsabilidade enorme, mas adorei ter começado nova na TV”, garante. “E foi muito bom participar do programa. Abriu muitas portas na minha carreira artística e ainda tive o prazer de conhecer grandes cantores da música brasileira. Eu fiz muitos amigos talentosos que tenho certeza que vou levar para a vida toda”, conta ela. Para vocês terem uma ideia, Mari também fez sucesso ao soltar a voz no palco da street rock do “Rock in Rio”, em 2015. “Eu sonho muito mais, ainda sou criança. Mas o maior deles é ser atriz de musical na Broadway e morar em Nova York”. E quem duvida?

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