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Após lesão na perna e ano sabático, Amandha Lee retoma trabalhos como atriz e diz: “Encontrei força no esporte”

A atriz encontrou na prática do triatlo uma válvula de escape para lidar com a depressão pós trauma. Em conversa com o HT, ela também contou que iniciou a captação de recursos para montar um espetáculo infantil intitulado “Uma Tal de Alice”, escrito por Rafael Camargo, no qual irá interpretar a personagem título

Publicado em 06/08/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Iron Ferreira

Diante de uma realidade tão acelerada como a que vivemos nos dias atuais, reservar um tempo para entrar em contato com o seu interior é essencial para manter a saúde mental e corporal. Muitas vezes, essa necessidade surge a partir de um trauma ou momento difícil, o que nos incentiva a buscar uma nova percepção sobre a vida e suas fases. Foi assim com a atriz Amandha Lee, conhecida do público pelos trabalhos na TV Globo, “A Indomada” (1997), “Coração de Estudante” (2002) e “A Casa das Sete Mulheres” (2003), e na Record, “Bicho do Mato” (2006), “Chamas da Vida” (2008) e “Vidas em Jogo” (2011). Após complicações com o parto do seu filho mais novo, Vitor, em 2014, e o rompimento dos discos tibiais, músculos responsáveis pela movimentação da perna no sentido traseiro, em direção aos glúteos, a artista precisou de um tempo para se recuperar e o resultado? Encontrou na prática do triatlo um estilo de vida.

Amandha encontrou no triatlo a força para superar uma depressão pós-traumática (Foto: Sergio Baia)

“Após o parto do meu filho, em 2014, e a lesão que eu sofri após uma queda, a minha vida se transformou bastante. Eu, que sempre fui muito ativa e conservava hábitos saudáveis, engordei e vi a minha rotina estagnar. Cheguei a ser diagnosticada com depressão pós-traumática. Foi através do incentivo do meu marido que eu comecei a pedalar. Com o tempo, encontrei na prática do triatlo, um esporte que é bastante completo e que mistura o ciclismo, a natação e a corrida, a força para me recuperar. Ao invés de fazer a cirurgia, que me deixaria com uma cicatriz enorme, encontrei no esporte a força para a minha recuperação”, afirmou.

Amandha revelou ainda que todos esses desafios provocaram um amadurecimento na forma como ela enxerga a vida. Segundo ela, o tempo dedicado à família passou a ser prioridade no seu cotidiano: “Eu fiquei durante três anos cuidando dos meus filhos e de mim mesma. Pude ser presente na rotina deles e aproveitei para melhorar o meu lado profissional. Pude estudar e fazer cursos que eu sempre quis, mas não tinha tempo. Hoje, eu dedico mais tempo aos momentos simples. Se eu não tivesse passado por aqueles traumas, que hoje estão no passado, eu não seria a mãe e nem a atriz que eu sou”.

A atriz voltou aos palcos com a peça “Agora e na Hora” e estará na TV com a série “Cinema Café” (Foto: Sergio Baia)

Desde o ano passado que a atriz vem retomando uma rotina de trabalho mais intensa. O seu primeiro passo, após três anos sabáticos, foi voltar aos palcos com a peça “Agora e na Hora”, escrita pelo jornalista Luis Erlanger. Já em 2019, o seu trabalho poderá ser contemplado na série televisiva “Cinema Café”, que será exibida pelo Cine Brasil TV. Ela revelou que voltar a exercer a sua profissão foi estimulante.

“O meu lado artístico estava magoado com toda essa história e acabou ficando um pouco adormecido. Mas, quando a gente tem isso latente em nossos corpos, como eu tenho, esse lado aflora em um dado momento. A peça foi especial, pude fazer seis personagens diferentes no teatro, fui de mãe de santo a prostituta. Foi quando percebi que era aquilo que me fazia feliz. Já sobre a série, fui convidada pela Paloma Duarte para integrar o projeto. Faço um triângulo amoroso com ela e com o personagem do Bruno Ferrari, com que já trabalhei. Interpreto a Mariana, uma mulher rica e estilosa que acha que consegue tudo através do dinheiro”.

Em paralelo, Amandha iniciou a captação de recursos para montar um espetáculo infantil intitulado “Uma Tal de Alice”, escrito por Rafael Camargo, onde ela irá interpretar a personagem título. “Fui apresentada ao Rafael por dois grandes amigos, os atores Alexandre Nero e Adriano Petermann. Ele a escreveu para mim e é ele quem irá dirigir. Eu já tenho essa peça há uns cinco anos engavetada. Nesse momento da minha vida, eu resolvi tirar ela da gaveta e colocá-la em prática. O tema abordado é atual e fala sobre a dualidade do mundo em que vivemos. Fala, também, sobre o equilíbrio entre o mundo digital e o real. Poder passar essas reflexões para o público infanto-juvenil é maravilhoso. Através das crianças a gente pode chegar aos pais e mudar um pouco essa trajetória”.

Em conversa com o HT, ela falou sobre as dificuldades e preconceitos que os artistas sofrem no Brasil (Foto: Sergio Baia)

A atriz comentou, também, sobre as dificuldades de viver de arte no Brasil e o constante descrédito que os profissionais do ramo sofrem. Segundo ela, os valores estão invertidos e a sociedade não pode enxergar a arte e os artistas como inimigos. “A arte era pouco valorizada e essa situação só piora. As pessoas estão vendo a arte com olhos preconceituosos, o que é bastante perigoso. Não sou de falar muito de política, mas acho importante elegermos lados. Procuro ser o mais correta possível e poder ajudar a todos. Só eu sei o quanto é difícil captar recursos para um espetáculo. Não contamos com nenhum tipo de ajuda”, enfatizou.

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