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“Ainda é uma adaptação. Estou aprendendo a aceitar ajuda”, conta Mariana Xavier

A atriz de "Minha mãe é uma peça 3", em papo exclusivo com o site HT, esclarece as circunstâncias do acidente e da operação que a deixou de molho em casa e comenta: "Minha terapeuta já dizia que eu trabalhava no limite. Então, por mais que seja um transtorno tudo isso, preciso acreditar que seja para trazer aprendizado. Só no sofrimento não dá para ficar”

Publicado em 08/01/2020 | Por Heloisa Tolipan

*Por Brunna Condini

Após uma queda no último sábado, quando viajava com o namorado, o ator Diego Braga, Mariana Xavier, que está de repouso e sem poder colocar os pés no chão, usou seu Instragram, nesta segunda-feira, para compartilhar a situação com seus seguidores e tranquilizá-los, apesar do susto. “Em contagem regressiva para estreia do meu primeiro monólogo, que aconteceria na próxima sexta, um acidente besta me obrigou a recalcular a rota. Num momento de felicidade plena, cheia de motivos para agradecer e comemorar, pulando na chuva feito criança, escorreguei feio na grama e acabou-se a brincadeira”, postou. “Depois da força-tarefa pra me levar até o hospital em Friburgo (miiiilll louros e agradecimentos ao meu amor @diegobragaator e toda a sensacional equipe do @amadamata_re ❤), o veredito: lesão no ligamento do tornozelo, fratura de fíbula, cirurgia de emergência, dois parafusos, e agora, pra começar a recuperação, 30 dias sem pisar. E só não foi pior, porque os músculos dessas pernocas dançantes seguraram muito do impacto! Amém! Santo axé!!!”.

Após o incidente Mariana Xavier tranquilizou os fãs e amigos nas redes sociais (Reprodução Instagram)

Em papo exclusivo ao site, Mariana esclareceu as circunstâncias do acidente. “É muito louco isso tudo. Justamente porque eu ia estrear a peça agora em janeiro (seu primeiro monólogo “Antes do Ano que Vem”, com direção de Lázaro Ramos), e sabia que seria uma semana intensa, pensei em viajar para relaxar. Resolvi ir para perto da natureza, namorar, para aguentar o pique na volta”, lembra. “Acho engraçado, que muita gente pensou que o tombo foi na cachoeira e não foi. Nestas situações, estávamos sendo supercuidadosos sempre, porque é rio. E foi acontecer justamente em um momento de distração. Eu e Diego estávamos felizes, tomando o primeiro banho de chuva do ano”.

“Agora estamos trabalhando com a ideia de 90 dias para estrear a peça” (Foto: Rodrigo Lopes)

Apesar do caminho de recuperação pela frente, a atriz não perde o bom humor e a atitude positiva. “Na hora que caí, o Diego disse que eu só pensava em todo transtorno que aquilo causaria, no trabalho. Pensava em tudo, menos na dor, em mim. Fui pensar nisso depois. Talvez o maior aprendizado, seja a culminância de um processo que já estava vindo ao longo de 2019. Tenho uma tendência a sempre dar uma de “Mulher Maravilha”, querendo ajudar todo mundo, fazer tudo, e por conta disso, estou sempre no limite da minha exaustão. Minha terapeuta já dizia que eu trabalhava no limite. Então, por mais que seja um transtorno tudo isso, preciso acreditar que seja para trazer aprendizado. Só no sofrimento não dá para ficar”, brinca.

Com Diego Braga: “É na alegria e na tristeza. No banho de chuva e na recuperação” (Reprodução Instagram)

Ela conta ainda que preferiu esperar ter a situação mais clara para dar notícias e não alarmar ninguém. “Aconteceu no sábado e só depois que estava operada contei para minha mãe, não queria preocupá-la e ela entendeu. Quem segurou a onda foi Diego e o pessoal do refúgio ecológico. Mas tudo acontece como tem que ser. Demorei a escolher o lugar para viajarmos, mas acertei. O dono do lugar que estávamos hospedados é ortopedista, então, esclareceu coisas, me amparou, isso fez toda diferença. Foi a primeira cirurgia que fiz na vida. Tive e tenho muita gente cuidando de mim. É uma enxurrada de carinho e amor”, diz, emocionada. “Hoje é o segundo dia em casa. Ainda é uma adaptação. Estou aprendendo a aceitar ajuda. Já fiz até um quadro de revezamento com namorado, a família e os amigos. Meu namorado, por exemplo, é pai de gêmeos, e agora vai passar as férias dele como pai e enfermeiro. É na alegria e na tristeza. No banho de chuva e na recuperação”, diz.

“Pretendo fazer todas as capitais do Brasil com este espetáculo, então preciso me fortalecer” (Foto: Rodrigo Lopes)

Em cartaz nos cinemas de todo o Brasil como a Marcelina de “Minha Mãe é uma Peça 3”, ela planeja se cercar de autocuidado para dar qualidade à sua recuperação. “Não sou sedentária, mas acabo fazendo o que mais gosto, que é dançar. Mas agora, assim que puder, além da reabilitação, vou investir na musculação, me exercitar para fortalecer mesmo, para aguentar o tranco da minha rotina nos próximos meses. Estamos trabalhando com a ideia de 90 dias para estrear a peça”, revela. “Essa montagem me exige muito, é quase um crossfit, faço sete personagens. Então, é um alerta para me fortalecer para tudo que desejo com esse espetáculo. Pretendo fazer pelo menos todas as capitais do Brasil”, anuncia. E completa: “Esse texto fala de reflexão, que é muito do que estou fazendo agora. E também, sobre necessidade emocional, ouvir, acolher, com humor. Isso é como tento levar minhas coisas”.

“Ah, estou feliz. Bem feliz. Gosto muito da mulher que estou me tornando” (Foto: Rodrigo Lopes)

A atriz revela que também vai aproveitar o tempo de pausa para pensar em outro projeto. “Recebi uma proposta de fazer um livro solo. E como terei que ficar forçadamente em casa, quero ver se consigo direcionar minha mente para lugares criativos. Ler livros para pensar neste projeto”, divide. “Ironicamente, o livro é sobre liberdade. Sobre como o processo de autoconhecimento, conscientização social e coletiva, pode nos deixar capazes para fazer nossas próprias escolhas, seguir nosso padrão. Durante muito tempo, achei que a liberdade vinha de dizer “sim”. E hoje, vejo que os “nãos” são importantes. É louco pensar em falar sobre liberdade presa numa cama”.

No entanto, nem o tombo e nem pensar no trajeto depois dele, conseguiram fazê-la desanimar neste começo de ano. Mariana Xavier, aos 39 anos, está cada vez mais musa de si mesma e desbravadora da sua potência. “Ah, estou feliz. Bem feliz. Gosto muito da mulher que estou me tornando. Acho que todas as escolhas que fiz me trouxeram aqui e me tornaram a pessoa da qual me orgulho”, analisa. “Não me falta nada. Só queria que não tivesse uma discrepância tão grande da minha satisfação com o que acontece na sociedade e no mundo. Queria que os privilégios que tenho, fossem alcançáveis para todos. E quero aproveitar esse espaço para agradecer mais uma vez, todas as manifestações de carinho que recebi. Nem dei conta de responder. Tem muita gente rezando, torcendo. É bom saber que esse esforço vale a pena. Isso me ajuda e dá força para seguir”.

O autor de “Antes do Ano que Vem”, Gustavo Pinheiro, Mariana, Lázaro e Ana Paula Bouzas, que o assiste (Foto: Rodrigo Lopes)

 

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