À frente do Camarote Brahma Nº1, Ju Ferraz tem linda trajetória de vida e de superação da síndrome de Burnout


Referência de networking no Brasil, Juliana Ferraz se destaca por seu empoderamento, garra de empreender, voz potente pelas lutas das mulheres, mas também por estender a mão a tantas pessoas. Diretora de negócios, relações públicas e uma das sócias da Holding Clube, ela alinhava a realização de grandes eventos, como o Camarote Nº1, na Sapucaí, nos dias 22, 23 e 30 de abril. “O que vivemos na pandemia foi uma guerra. Que esse retorno aos eventos presenciais seja inesquecível”, frisa ela, que, no momento, escreve um livro, no qual aborda a vitoriosa trajetória profissional iniciada em Salvador, onde nasceu, além da superação em muitos aspectos na vida, como enfrentar a gordofobia e ser diagnosticada com a Síndrome de Burnout. “Tive esgotamento mental por excesso de trabalho. Eu era uma workaholic inveterada. Precisei me afastar e sofri pra caramba, porque era uma pessoa extremamente controladora. Não via a minha vida sem trabalho. Precisei ir ao fundo do poço, me transformar. Ainda trabalho muito, mas, hoje, sei parar, ter momentos de pausa para ficar com a família”, pontua

* Por Carlos Lima Costa

Quando se fala em grandes eventos de Norte a Sul do país, um nome cravou uma chancela: Ju Ferraz. Mega profissional e empreendedora, Juliana Ferraz, desde 2020, assina como uma das sócias, junto à direção de novos negócios e de relações públicas, da Holding Clube – maior grupo de marketing e experiências entre marcas e consumidores do Brasil – fundado por José Victor Oliva. Um dos gênios da indústria de publicidade e live marketing, ele está à frente do Conselho de Administração da companhia, que reúne agências como o Banco de Eventos, Samba, Storymakers, Roda e Cross Networking. Com a retomada de eventos presencias, depois de dois anos de interrupção por conta da pandemia, Ju Ferraz está na contagem regressiva para a realização da 31ª edição do Camarote Nº1, que marca o retorno da Brahma, nos desfiles das escolas de samba do Rio, realizados nos dias 22, 23 e 30 de abril, no Sambódromo.

“Tenho gratidão por estar viva, por ter atravessado a pandemia, porque o que a gente viveu foi uma guerra. Sinto uma emoção por voltar aos eventos. Trabalhei tanto para que esse projeto acontecesse. Na coletiva de imprensa que fizemos, eu estava chorando. Imagina como vai ser quando estiver lá vendo tudo acontecer. Tenho sócios incríveis, uma equipe muito forte. Estamos focados para fazer a melhor entrega. Que esse retorno seja inesquecível para as pessoas e para nós”, pontua Ju que é uma vitoriosa também na vida pessoal. Superou duas vezes a Síndrome de Burnout, enfrentou a gordofobia, a ansiedade, a distorção de imagem. Ju é uma guerreira e referência quando se fala em defesa dos corpos livres. Hoje, ela escreve um livro para relatar os temas, suas vivências e ajudar mulheres também sobre o direcionamento de uma carreira empreendedora.

Ju se tornou sócia da Holding logo no começo da pandemia, mas já atuava há dois anos na empresa, onde ingressou após se recuperar pela segunda vez da Síndrome de Burnout. “Eu tive esgotamento mental por excesso de trabalho. Eu era uma workaholic inveterada. Adoro trabalhar, amo o que faço, tenho orgulho, mas tinha uma dificuldade imensa de dar limite. Fui extrapolando todos os limites. De repente, precisei me afastar psiquiatricamente e sofri pra caramba, porque era uma pessoa extremamente controladora. Não via a minha vida sem trabalho. Precisei ir ao fundo do poço, me transformar, escolher uma empresa (a Holding Clube) que tivesse os mesmos valores que eu, que valorizasse os meus pontos positivos e, daí, começou um novo momento na minha vida. Não que eu não trabalhe muito agora. Mas comecei a enxergar a vida por outro caminho”, enfatiza.

Seis anos antes, ela havia passado pelo mesmo problema. “É aquela história, você passa por um momento e não aprende. Deus vem e te ensina que ou você muda ou é mudada e foi o que aconteceu comigo”, revela a executiva, acrescentando como tem conjugado trabalho e equilíbrio emocional: “Com entrega, dedicação, mas também do saber parar, de poder ficar com a minha família, de poder dizer que não dou conta em determinados momentos, sair um pouco do celular, do WhatsApp. Então, tenho momentos de pausa, quase como se, entre um trabalho e outro, eu precisasse respirar. Assim, venho conduzindo a minha vida”.

Ju Ferraz é uma das responsáveis pela realização do Camarote Nº1, no Carnaval Carioca, e pelo Baile da Vogue (Foto: Divulgação)

Ju Ferraz é uma das responsáveis pela realização do Camarote Nº1 e pelo Baile da Vogue (Foto: Divulgação)

Na fase de transformação, ela passou a dividir suas questões e conflitos internos com seus seguidores nas redes sociais, alertando sobre a síndrome de Burnout e também sobre a importância dos corpos livres das amarras de padrões ditatoriais. “Na verdade, comecei a expor as minhas fragilidades nas redes sociais por necessidade de troca. Eu me sentia muito solitária com os meus sentimentos, com o meu Burnout. As pessoas me chamavam de maluca, como se eu tivesse enlouquecido de uma hora para outra. Também já sofri muito preconceito com a questão da gordura. Cheguei a ouvir várias vezes que não podia trabalhar com moda, nem com luxo, porque eu era uma mulher gorda, que eu não ia encontrar um amor. Então, quando começo a contar essas histórias nas redes, elas são pautadas na minha verdade, nas minhas dores e aprendizados. E busco histórias de mulheres, empresas, experiências de boas práticas. E, claro, conto também a minha vivência, meus erros, acertos e dores”, destaca.

No segundo episódio de Burnout, Ju engordou cerca de 30 quilos. Mas, os gatilhos vieram desde a adolescência com um choque pós-traumático imenso.  “Sempre tive fases, entre altos e baixos. Desenvolvi um distúrbio alimentar, a partir da morte do meu pai. Eu tinha 15 anos, quando bateram no carro dele, que estava na frente do veículo e foi atropelado pelo próprio carro. Foi traumatizante. A partir daí, eu fui oscilando entre uma mulher gorda, magra ou média. A vida inteira eu não me encaixava no padrão e tinha dificuldade de entendimento de quem eu era. Achava que o tamanho do meu corpo me definia. Eu tinha vergonha de sair com os meus amigos, me escondia atrás deles nas fotos. Às vezes, ainda entro no meio das pessoas para parecer mais magra, então, é um desconstruir. Não é fácil. Mas, hoje, estou preocupada com a saúde, com o bem estar, fazendo um trabalho de reeducação alimentar, mas não posso pautar a minha vida pelo fato de ser gorda ou magra”, frisa.

Ju critica a questão da padronização dos corpos e os mais diversos preconceitos, como o racismo ou os que se referem às pessoas da comunidade LGBTQIAP+. “Eu luto pela quebra dos padrões e das caixas. A responsabilidade é o caminho para que outras mulheres, e outras gerações, não passem pelo que eu enfrentei. E não tem a ver só com ser gorda. A gente precisa lutar por uma sociedade, onde se respeite o outro com as suas escolhas, histórias e caminhos. Pessoas abriram portas para que eu entrasse. Preta Gil, minha amiga, sempre foi grande referência. Ousada, se opôs quando todos diziam que ela não podia fazer. Precisamos desconstruir essa maluquice dos padrões de beleza”, pontua.

Baiana arretada, Ju é jornalista. Em Salvador, teve programa em Rádio, foi assessora de imprensa e, na TV Cultura, produziu e editou. “A Bahia sempre esteve dentro de mim, mas sempre quis ganhar o mundo. O sonho da minha vida era estudar e viver em São Paulo. Aos 14 anos, li uma matéria do Nizan Guanaes (o publicitário também é soteropolitano) chegando em São Paulo com a DM9. Ele já fazia sucesso e eu, diferente das minhas amigas, falei: ‘Quero ser isso’. Tinha essa vontade de quebrar as regras e as bolhas. Claro que, aos 14 anos, eu não tinha consciência dessa história, mas tinha uma paixão e vontade imensa de vir morar em São Paulo. Aí meu pai morreu, minha família (a mãe é dentista e ela tem um irmão dois anos mais novo) perdeu toda a estabilidade financeira e eu precisei começar a minha carreira lá. Comecei a trabalhar, trabalhar, trabalhar por necessidade, mas, por prazer também. E aí, meu primeiro marido foi transferido para São Paulo”, recorda ela, sempre guiada por uma força interna.

“Eu luto pela quebra dos padrões e das caixas. Nós precisamos lutar por uma sociedade, onde se respeite o outro com as suas escolhas, histórias e caminhos", enfatiza Ju (Foto: Divulgação)

“Eu luto pela quebra dos padrões e das caixas. Nós precisamos lutar por uma sociedade, onde se respeite o outro com as suas escolhas, histórias e caminhos”, enfatiza Ju (Foto: Divulgação)

Na capital paulistana, trabalhou como jornalista e diretora de marketing de empresas. “Depois de uma longa experiência, eu decidi que trabalharia com experiências, como, por exemplo, o Camarote Nº 1. Tive momentos inesquecíveis. Então, peguei todo a expertise que eu tinha e fui aplicar no mercado de eventos e entretenimento. Aí eu migrei a carreira, fiz uma transformação repleta de instinto. Um dia, encontrei com o José Victor Oliva. Ele me disse: ‘Preciso de uma pessoa como você’. Dois anos depois, eu me vi sócia, um sonho que Zé Victor me proporcionou a ser realizado. Hoje, somos ao todo sete sócios.”

Analisando o passado profissional até hoje, aos 41 anos, Ju projeta o futuro. “Quando me recordo como era lá atrás e vejo, hoje, o que está acontecendo, me sinto abençoada e prestigiada. Temos ainda o desafio enorme de transformar esse grupo de comunicação. Isso começou há dois anos, mas ainda tem um trabalho gigantesco a ser feito, muito por conta da rapidez, da mudança do comportamento dos consumidores. Então, estamos focados nisso, com o nosso DNA, a gente consegue potencializar. Agora, tenho um futuro desenhado pra mim. Eu comecei a escrever um livro. Quero poder ajudar outras mulheres, capacitá-las, trocar ideias, usar mais o meu tempo para ajudar ao próximo. Quero que outras mulheres não passem aquilo que eu passei”, afirma.

Na obra que planeja lançar no primeiro semestre de 2023, ela vai misturar questões profissionais e pessoais. “Vou contar sobre os meus aprendizados de vida, da minha trajetória, de como é a questão do combate à gordofobia. É muito mais compartilhar experiências. Não é a história da minha vida, porque acho que tenho muito a fazer ainda, mas, depois de tudo que a gente viveu no mundo de hoje, acho que tenho obrigação de compartilhar o que eu passei, como superei as dificuldades para poder ajudar”, explica ela. E afirma que se encaixa perfeitamente no espírito do trabalho que promove: alegria na vida das pessoas.

“Nasci no mesmo dia que Carmen Miranda (1909-1955), 9 de fevereiro, em um Carnaval e aquariana. Sou uma mulher festiva, tenho personalidade, celebro a beleza da vida e sinto prazer de ver os outros celebrando, se divertindo, tendo momentos inesquecíveis. Eu já curti muito a minha vida, pulei muito Carnaval, dancei, me diverti, tenho todas essas memórias maravilhosas comigo. Mas, atualmente, o meu prazer é fazer o outro viver isso. Virei uma mulher mais recolhida. É engraçado! Todo esse frenesi, essa temperatura, é muito a vida da Juliana da porta de casa pra fora. No final, gosto muito de ficar com a minha família, ver filmes, ler livros. Às vezes, gosto simplesmente de acender uma vela cheirosa e respirar. E também de ficar com os meus sócios. Trabalhamos muito, mas somos uma família. É gostoso poder viver dessa forma”, reflete.

E volta a falar sobre a retomada dos eventos presenciais e da parceria na Holding. A Arte de Festejar é o conceito do evento do Camarote Nº1. “Ele foi criado para enaltecer o samba e as escolas de samba. Vamos ter surpresas no line up, mas a nossa maior preocupação é que a experiência do consumidor seja inesquecível, que ele tenha momentos mágicos de celebração, a partir da hora que colocar o pé lá até o instante que sair do camarote”, diz.

Ju escreve um livro onde vai relatar sobre o preconceito da gordofobia e sobre a Síndrome de Burnout, que teve duas vezes (Foto: Divulgação)

Ju escreve um livro, no qual vai relatar sobre o preconceito da gordofobia, como enfrentou a Síndrome de Burnout e ajudar mulheres empreendedoras (Foto: Divulgação)

O Camarote Nº1, por exemplo, não vai ser realizado com sua capacidade máxima. O local foi pensado para três mil pessoas, mas vai estar aberto para duas mil. “Temos feito um trabalho preventivo para que tenha menos aglomeração e as pessoas se sintam mais seguras e confortáveis. Acredito muito no evento. Existe uma comoção, as pessoas estão loucas para voltar a viver nesse sentido. Claro que a pandemia não acabou, tem série de cuidados e uma nova forma de viver a vida presencial. Mas existe uma euforia por parte das pessoas que estarão no camarote”, observa.

"Passei a pandemia em casa trabalhando, transformando, reinventando meu negócio, que, hoje, é 90% digital e 10% físico", ressalta Ju (Foto: Divulgação)

“Passei a pandemia em casa trabalhando, transformando, reinventando meu negócio, que, hoje, é 90% digital e 10% físico”, ressalta Ju (Foto: Divulgação)

O Camarote Nº1 vai ser o terceiro evento após a retomada ocorrida com o Réveillon Nº1, em Itacaré, na Bahia. “Parecia um sonho, mas era realidade, uma sensação forte de voltar à vida. As pessoas dançando, se abraçando, celebrando, foi muito forte. Tenho certeza de que o Réveillon de 2022 vai ficar marcado na história da Holding por ser uma espécie de recomeço”, frisa ela, que acabou de realizar o Lollapalloza. E, após o evento na Sapucaí, Ju, os sócios e a equipe vão estar à frente do Baile da Vogue (dia 29 de abril, no Copacabana Palace), realizado pelo Banco de Eventos, produtora de live marketing da Holding, e onde ela começou a trabalhar na empresa. “O tema vai ser Brasilidade Fantástica, uma ode à Semana de Arte Moderna de 1922. Vai ter muita arte, diversidade e diversão”, conta Ju.

Nos últimos dois anos, passou os dias mais recolhida na companhia do filho, Matheus, de 17 anos, e do marido, Bruno Garms, em São Paulo. “Permaneci em casa, mas trabalhando, transformando, reinventando meu negócio. Antes dela, era 90% físico e 10% digital. A gente precisou se digitalizar, se reinventar e se transformar em uma empresa digital. Hoje, 90% do negócio é digital e 10% físico. E os meus tempos livres foram pautados por séries, livros e documentários. Meu filho foi um grande parceiro nessa fase. Ele vai prestar vestibular para a ESPM. E meu marido é o meu maior fã, o número 1. Ele me empodera, me potencializa. Quando estou com medo, insegura, ele fala ‘vai, você é foda, maravilhosa’. Ele está do meu lado incondicionalmente, não só na alegria. O Bruno cuidou de mim com o Burnout, segurou uma onda muito grande e nosso amor só cresce”, diz, após seis anos de casamento.