Cinema & TV

Yasmin Garcez, que vive a libanesa Fairouz Abdallah em ‘Órfãos da Terra’, na Globo, dirige doc sobre autismo

Selecionado para a Mostra Sesc de Cinema, doc ‘Delicadeza é Azul’ deve chegar às salas de cinema em meados deste ano

Publicado em 24/04/2019 | Por Iron Ferreira

*Por Jeff Lessa

A atriz Yasmin Garcez tem o physique du rôle perfeito para dar vida à sua personagem em “Órfãos da Terra”. Na recém-estreada novela das 18h da TV Globo, ela interpreta a libanesa Fairouz Abdallah, segunda esposa do poderoso sheik Aziz (Herson Capri). Morena, com belíssimos e misteriosos olhos negros, Fairouz é uma mulher forte, que se preocupa com suas “irmãs” de harém. Este é o segundo trabalho da atriz em televisão: o primeiro foi na minissérie “Dois Irmãos”, exibida pela Globo em 2017.

Yasmin Garcez interpreta a libanesa Fairouz Abdallah em ‘Órfãos da Terra’, recém estreada novela das 18 horas da Globo (Foto: Divulgação)

– Em “Dois Irmãos” foram abordados os conflitos de uma família de imigrantes libaneses. Na minissérie, a rivalidade entre os gêmeos Omar e Yaqub (Cauã Reymond) abalava os laços entre Halim (Antonio Fagundes), Zana (Eliane Giardini) e seu clã. Para mim, foi um presente, um privilégio ter trabalhado com o Luiz Fernando Carvalho – conta Yasmin. – Já em “Orfãos da Terra“, a Fairouz é uma mulher forte, cheia de sororidade no peito. É uma história linda e engajada. É uma novela necessária.

“Órfãos da Terra” também toca no drama de refugiados (no caso, dos sírios que fogem de seu país em guerra civil desde março de 2011). A intensa pesquisa que vem sendo desenvolvida para o folhetim emociona a atriz. É que, paralelamente ao seu trabalho diante das câmeras, ela é uma diretora que se envolve em questões polêmicas. Algumas vezes por puro altruísmo. Esse seu lado pouco conhecido do público é fundamental em sua vida e em sua carreira.

É daí que vem o documentário “Delicadeza é Azul”, que aborda o tema do Transtorno do Espaço do Autismo, selecionado para a Mostra Sesc de Cinema do Rio. O filme deve entrar em cartaz em meados deste ano. Importante ressaltar que Yasmin não tem qualquer ligação direta com o autismo. Dirigiu o doc por conta da relevância do tema. Uma questão que ela percebeu não receber a atenção necessária da sociedade.

– Notei que o número de diagnósticos era cada vez maior. Investi no documentário para que mais famílias tivessem acesso a material audiovisual, para que vissem outros pais comentando o assunto e pudessem obter mais informação – explica. – Não existem sintomas que possam ser generalizados, entendidos por todos. Quando temos fatores em conjunto, podemos diagnosticar. Alguns sintomas combinados caracterizam a condição da criança. Mas em momento algum usamos a palavra “deficiente”. Em que ponto algo que não é funcional aqui não pode ser funcional ali? Às vezes, essas crianças têm muito mais a oferecer que a maioria das pessoas percebe.

A atriz tem o physique du rôle perfeito para interpretar a libanesa Fairouz Abdallah em ‘Órfãos da Terra’ (Foto: Divulgação)

Yasmin comenta, também, como a TV vem se adaptando ao uso da linguagem correta neste começo de século XXI. Algo que muita gente não percebe o quão importante pode ser para a autoestima de quem se encontra em uma situação de tanta fragilidade:

– Com as crianças autistas, preferimos usar a expressão “crianças com necessidades especiais”. Na novela, quando falamos sobre os refugiados, dizemos “pessoas em situação de refúgio”. Porque é uma situação passageira. Não vale a pena estigmatizar. Hoje você é um refugiado e amanhã pode não ser, não é? A palavra “refugiado” deixa a pessoa para sempre nessa situação, pensa bem.

Tão cara para a atriz, a questão da empatia também foi abordada de forma original e delicada na peça “Primeira Morte”, com argumento de Yasmin, texto de Diogo Liberano e direção de Paulo Verlings, que estreou em outubro do ano passado na Arena do Espaço Sesc, em Copacabana. Yasmin interpretou Fernanda, protagonista criada para ela mesma pelo autor.

Vamos à peça, então?

Seguinte: Fernanda acorda num sábado, tranca-se em seu quarto durante uma semana e só abre a porta novamente no sábado seguinte. Ao se recusar a encarar a vida pública, ela assume que sofre de uma doença que assola o mundo contemporâneo: a apatia social.

No entanto, a apatia da personagem Fernanda impõe uma questão perturbadora que nem todos querem encarar: e se ela (a apatia…) fosse necessária para renovar o comprometimento do ser humano com a vida em sociedade? O que aconteceria ao mundo se a vertigem e a correria do homem em busca de manifestar sua opinião a cada segundo e sobre todo e qualquer assunto fosse subitamente interrompida?

Difícil, não? É uma ótima questão para reflexão. E se a conexão virtual entre todos nós fosse interrompida agora? Pensem, amigos.

Pesquisas relacionadas