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Tempo de Amar chega em setembro levantando questões feministas e o preconceito racial com base nos discursos dos anos 20

Elenco da nova novela das 6 apresenta a trama que será protagonizada por dois novos atores no cenário brasileiro

Publicado em 31/08/2017 | Por Ana Clara Xavier

Como diria Tony Ramos, é necessário abrirmos o portal dos anos 20 para entender o que significava viver naquela época sem preconceitos ou julgamentos. O elenco e equipe de Tempo de Amar exibiu o primeiro clipe da próxima novela das 6 para convidados e imprensa na Confeitaria Colombo, Rio de Janeiro, nessa semana. A história que começa a ser exibida em setembro mostra diferentes faces do sentimento que intitula a série. “Chegamos para falar de todos os tipos de amor como aquele que acontece, o que é interrompido e o desprezado. As pessoas gostam de falar sobre isso e ainda temos espaço para tal”, afirmou o ator Jayme Matarazzo. Em um momento historicamente conturbado como o atual, as celebridades destacaram a importância de falar sobre a pureza. “A equipe teve uma percepção de que precisamos de histórias de amor hoje em dia. Não é que as outras tramas não sejam importantes, haverá momentos fortes e pesados na novela, no entanto o objetivo principal é falar deste sentimento”, considerou Bete Mendes que fará uma freira. A proposta do roteiro de Alcides Nogueira é voltar à raiz que construiu a forte matriz brasileira de produção audiovisual. “Essa novela é um folhetim dos pés a cabeça. O público irá usar muito aquele termo ‘isto só acontece em novela’ que costumávamos a falar. Como toda a história de amor, haverá segredos, desamores, revoluções”, garantiu a atriz Walkiria Ribeiro.

Bruno Cabrerizo, Vitória Strada e Jayme Matarazzo no lançamento da novela (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Desde a primeira divulgação da novela, as gravações continuaram a todo o vapor e o clima de familiaridade já surgiu entre os integrantes do elenco, inclusive os protagonistas novatos que estreiam pela primeira vez no Brasil. “A televisão é quase como uma família, quando a pessoa é nova precisamos acolher. Todos os personagens têm muita importância, TV não se faz sozinha. Como gravei pouco, ainda não consegui encontrar todo mundo, mas vamos nos conhecendo aos poucos”, contou Henri Castelli. No lançamento da novela, Bruno Cabrerizo e Vitoria Strada já mostraram um ótimo relacionamento e cumplicidade. “Vamos fazendo as cenas, nos conhecendo, nos acostumando com os personagens e juntos vamos nos aprimorando com a convivência”, garantiu o galã com a confirmação da protagonista: “O elenco possui pessoas maravilhosas, não tem ninguém que não seja fácil de se comunicar”.

A personagem de Andreia Horta se apaixona pelo Inácio e acaba impedindo Maria Vitoria de reencontrar seu amado (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

A trama se passará em dois países diferentes ao mesmo tempo: Portugal e Brasil. O lado português da história acontecerá em uma pequena aldeia chamada Morros Verdes que vive sob as influências do grande proprietário de terras José Augusto interpretado por Tony Ramos.  Apesar de aquela década ter sido muito importante devido a muitos movimentos revolucionários, as vestimentas do cenário português são voltadas para a rusticidade, afinal se trata de um interior muito remoto do país. A filha do dono de terras, Maria Vitoria, foi prometida desde muito nova para o personagem de Jayme Matarazzo. Às vésperas do pedido de noivado, a protagonista vivida por Vitória Strada se apaixona por Inácio, um trabalhador de um vilarejo da região. Dominado pelo ódio, Jayme será um dos pivôs da separação do casal. “É um personagem muito diferente de tudo aquilo que já fiz, ele tem um caráter que beira a vilania. Acabou de se formar na universidade de Coimbra. É ambicioso, mimado e não aceitará muito fácil uma rejeição, por ter certeza desde sempre que se casaria com a Maria Vitoria”, explicou o ator. Em uma das cenas exibidas, o personagem chega a quase atirar no mocinho vivido por Bruno Cabrerizo, que acaba aceitando um emprego no Brasil prometendo voltar para sua amada assim que a jornada terminasse.

Leticia Sabatella também escolheu usar preto essa noite. O visual ficou por conta de um longo brilhoso (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Os vilãos portugueses não param por ai. A personagem de Letícia Sabatella é a governanta da casa de José Augusto com quem tem uma filha bastarda. “Ela foi amante do patrão e com ele teve uma filha. No entanto, Tony Ramos não a assume como mulher e a criança como herdeira. A Delfina gosta dele, mas acho que se parece mais uma Síndrome de Estocolmo, porque aprendeu a viver daquele jeito e acaba descontando em quem não merece, que é a Maria Vitória. A personagem quer que a filha seja uma senhora que ela não conseguiu ser, tenha um bom casamento. Apesar de se passar nos anos 20, uma época de quebra de paradigmas, ela é o arcaico, se submete ao patriarcado”, sugeriu a atriz que arrebentou a musculatura da panturrilha e precisa usar cadeiras de rodas para ir até o set onde grava em pé para depois colocá-lo no gelo. “Eu estava cantando um trecho de um musical que vou fazer para o Tony Ramos, quando fui pegar uma coisa no chão e me virei senti a dor”, explicou Letícia que precisará cuidar de sua saúde por seis semanas.

Olivia Torres combinou o vestido de veludo azul escuro com a sandália para a coletiva (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

A filha bastarda de José Augusto será interpretada por Olívia Torres. Tereza é a única pessoa pela qual a vilã se preocupa, inclusive, é por ela que Delfina garantiu executar todas as suas maldades. “Os únicos que sabem que ela é filha do Tony Ramos é ele mesmo e a Letícia Sabatella. A mãe quer impedir que ela seja tratada como uma bastarda pelas pessoas já que viveu este preconceito na pele, por também ser fruto de um relacionamento fora do casamento. A Tereza e a Maria Vitoria não sabem que são irmãs e, mesmo assim, possuem uma grande amizade por terem crescido juntos. Eu ainda participo de alguma das atitudes de vilã da minha mãe, mesmo não gostando”, contou Olívia que atua nas telinhas com seus primeiros trajes de época.

Nívea Maria chegou elegante em um terninho listrado + sandália vermelha (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Quando a protagonista descobre que está grávida e será mandada para um convento, conta com o apoio da meia irmã e de Henriqueta, uma doceira de mão cheia que ajudar Maria Vitoria a fugir do encarceramento e acaba falhando. “Acho que a minha personagem é a figura emblemática do amor. É uma doceira portuguesa que representa o amor da mulher madura por ela mesma, pelo trabalho e pela família. Ela defende e protege todos, aconchegando-os com o seu jeito de ser. Pode até ser que eu esteja enganada, não sei se ela é uma santa, como novela é uma obra aberta podem vir coisas por ai. Mas duvido muito, porque tem uma firmeza e dignidade muito grandes. Reflete o que é o tempo de amar por sentir isto o tempo todo”, explicou a atriz que vive a personagem, Nívea Maria.

Depois de ter sua filha no convento, a mocinha foge e resolve viajar ao Brasil para encontrar seu amado. Quando embarca no navio, fica amiga de três irmãs sendo a mais velha interpretada por Jessika Alves. “Venho de Portugal com minhas duas irmãs para tentar uma vida melhor. No caminho, conhecemos a Maria Vitoria e nos tornamos amigas. Quando chegamos aqui somos surpreendidas negativamente pelo lugar e acabo fugindo com a protagonista, me perdendo da minha família. Estou amando fazer os anos vinte porque as mulheres da época estavam descobrindo uma força nova e a cultura também estava tomando novos rumos”, comemorou a atriz.

Marisa Orth escolheu um look todo preto, mas o destaque da produção foi o chale combinando com as sandálias na cor vinho. Lindo! (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

O lado tupiniquim se passa na cidade capital da época, o Rio de Janeiro, que por ser um grande pólo econômico sente os novos rumos que o mundo estava se encaminhando. Marisa Orth, por exemplo, faz uma espécie de Coco Chanel brasileira que representará pensamentos muito a frente de seu tempo. “Sou uma expoente feminista na novela. Tenho um estilo que lembra a estilista Coco Chanel, uso calça o que era muito ousado para a época. Além disso, é amante assumida de um homem casado e não se importa com o que a sociedade vai pensar disto. No entanto, na trama a mulher dele é realmente doente e, mesmo assim, ele tem crises de consciência. Até por isso que ambos se separam no começo. A Celeste é uma cantora de fado e com isso estou tendo a chance de melhorar a minha voz.. Depois de cantar durante vinte e cinco anos acho que só agora aprendi”, brincou a atriz que garantiu nunca ter passado por nenhum relacionamento parecido a este de sua personagem.

Sabrina Petraglia abusou da elegância e causou com vestido listrado e batom vermelho (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Com cabelo cortado especialmente para a trama, Sabrina Petraglia viverá uma revolucionária um pouco mais radical que Marisa. “Olímpia é uma mulher muito forte, com senso de justiça e doce. A minha personagem vai lutar por causas muito importantes como a igualdade das mulheres, o direito ao voto e a carga de trabalho da maioria da população. Ela vai se apaixonar por um negro e sofrerá muito preconceito da família dele e  da sociedade no geral para ficar com ele”, explicou a atriz que chegou a se jogar em audiovisuais que falam sobre a época como As Sufragistas e a série Downtown Abbey.

Marcelo Mello Jr. mostrou que tem estilo e escolheu uma camisa vermelha para compor o look (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

O negro por quem Olímpia se apaixona é Edgar que mesmo com todas as dificuldades raciais da época possui uma situação econômica muito favorável. O fato de ele vir de uma boa família não o impediu de sofrer preconceito junto a sua amada. “Edgar é um cara culto, romântico e poético, se formou fora do país, mas resolve voltar ao Brasil por achar a cultura daqui mais próxima de sua realidade. No caminho para cá conhece a personagem da Sabrina por quem se apaixona e, por ela, resolve ficar no Rio de Janeiro. Junto com o amigo Vicente, funda o primeiro grêmio de cultura onde abraça várias causas, inclusive, a racial. Por ter mais instrução e vir de uma boa família, se preocupa com o racismo de uma forma mais revolucionária. De alguma maneira, busca trazer benefícios e melhorias que deveriam ter sido feitas na lei. Está sendo interessante desenvolver ele no meu trabalho”, explicou o ator Marcello Melo que acabou de sair do programa Pop Star.

Lucy Alves apostou em um modelo discreto com um terno branco, mas o destaque da produção foi o chapéu (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

O preconceito continua aparecendo na novela através da posição social dos personagens. Lucy Alves vive Eunice uma governanta que se apaixona por um médico. “Ela é uma pessoa centrada que se apaixona pelo Doutor Reinaldo e vai sofrer preconceito social e racial. Para compor a Eunice, observei as pessoas que trabalham servindo como empregadas domésticas e garçonetes. Aos poucos estou construindo quem ela é. Por morar em uma casa onde a cultura está a sua disposição, sabe tudo sobre os acontecimentos políticos”, comentou a atriz que não esperava fazer uma novela de época tão cedo em sua carreira por ser mais desafiador.

Cassio Gabus Mendes escolheu look casual e usou jeans (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

O médico, por quem Eunice está apaixonada, é o conceituado Doutor Reinaldo que é especialista por epidemias. “O doutor cuida de epidemias e, infelizmente, teve uma tragédia na sua vida onde sua esposa faleceu. Ele trabalha muito e vai acabar se apaixonando pela empregada o que gera uma discussão muito grande na época. No entanto, possui um pensamento muito atual e não se importa com aqueles julgamentos. Sempre foquei em fazer projetos que tivessem uma história que contar e este trabalho está me motivando muito.”, explicou o ator que fará este personagem, Cássio Gabus Mendes.

Françoise Forton fugiu das cores e optou pelo pretinho básico com transparência (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

O doutor é pai da vilã Lucinda vivida por Andreia Horta e é irmão de Emília interpretada por Françoise Forton. Como sua filha cresceu sem mãe, a irmã tratou de acolher a menina e a criou com ele, gerando a partir dai uma família bastante incomum. “A Emília é inteligente e muito sensível, principalmente, depois que perdeu seu noivo para a febre amarela. Ela tem um irmão que é o Cássio Gabus e uma sobrinha, a Andreia Horta. Como a esposa dele também morreu, eles se tornam uma família muito pequena e unida, ao ponto de eu cuidar muito da sobrinha. Este papel possui uma cabeça mais aberta e, no entanto, entende as limitações da época o que a torna capaz de entender as coisas”, relembrou Françoise.

Debora Evelyn apostou em um vestido tomara que caia com um cinto (Foto: Fábio Rocha/Gshow)

Ao contrário da mente aberta de Emília, a personagem de Deborah Evelyn será a típica burguesa da época que, mesmo em um casamento infeliz, prefere viver das aparências de uma família perfeita. “O marido gasta muito em jogo enquanto ela é totalmente dondoca. Estou amando fazer a novela porque tenho figurinos maravilhosos. Fazer época é um transporte da sua realidade, se tivesse uma máquina do tempo eu não iria para o futuro, mas para o passado. Não que quisesse viver naquela época, afinal as mulheres não eram nada, mas vivenciar é muito bacana”, confessou a atriz que precisou mudar a cor e cortar o cabelo para fazer este papel. A vida perfeita da personagem Alzira acabará logo nos primeiros capítulos quando seu marido a informa que perdeu todo o dinheiro, inclusive, a casa da família passando a morar em um espaço alugado, o que na época era um terror. “Vivi uma cena muito emocionante quando o Nelson Freitas me conta que perdemos a casa e todo o dinheiro. O Jayme Monjardim dirigiu de uma forma muito linda que mostra, como na época, o importante para algumas pessoas era o destaque social. Mesmo quando fica pobre não perde a pose e continua gastando com vestidos e jóias”, relembrou a atriz.

Para manter as aparências, Alzira possui uma empregada que já está há vinte anos na casa da família. Balbina sabe de tudo o que acontece na residência. “Ela é o esqueleto dorsal deles por ver e ouvir tudo. É mãe do Maicon Rodrigues, que já é casado com a Bárbara França. Apesar da novela se passar em 1920, ainda se sofre muito com os vestígios da escravidão. É tudo muito perto. As pessoas tinham a sua liberdade e não sabiam o que fazer com elas”, comentou Walkiria Ribeiro que interpreta a serviçal.

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