*por Luísa Giraldo
Comemorando os ótimos índices de audiência de “Garota do Momento”, atual novela das 18h da TV Globo, Carol Castro dá vida à enigmática Clarice, personagem que teve a memória apagada após um acidente trágico. Cativante pela dinâmica materna, a trama é envolta por mentiras, remédios e segredos. Depois de milhares de pedidos dos fãs e do prolongamento da obra, devido ao sucesso com a Geração Z, a Clarice finalmente lembrará da filha biológica — e a dinâmica entre Beatriz, a filha biológica, e Bia, que não sabe que não é, promete ferver cada vez mais — nas próximas semanas. Em entrevista exclusiva ao site, a artista detalha a relação com os principais parceiros de cena, Duda, Maísa e Fábio Assunção, além de ponderar sobre o avanço das pautas sociais desde a década de 50. “Ainda estamos muito atrasados, mas já conquistamos mais voz e território nas últimas décadas. A equidade salarial e a ocupação de cargos de liderança continuam sendo uma luta diária”, reflete.
Pelo menos, avançamos nos debates e nas questões que envolvem nossos corpos, nossas filhas e netas. Não há tempo para descanso quando se trata dessa pauta. Ainda há muito a ser conquistado — Carol Castro
A atriz também pondera sobre a objetificação dos corpos femininos, tópico que está cada vez mais presente também em sua vida. Cada vez mais sites e portais escrevem matérias sobre o corpo dela a partir de registros que compartilha nas redes sociais na praia e de biquíni.
Só penso em como há coisas muito mais importantes no mundo para se preocupar do que um biquíni ou uma ida à praia! Ou melhor, há tantos projetos, filmes e séries disponíveis para conhecerem melhor o meu trabalho e, ainda assim, preferem falar de biquíni? Paciência, né? Fazer o quê? – Carol Castro
A complexidade da personagem
Carol Castro entende que “Clarice é uma personagem extremamente complexa, cheia de nuances e camadas, com um arco histórico desafiador o tempo todo. O grande desafio é manter essa dualidade que acabei criando”.
Segundo a artista, há duas versões da personagem: a Clarice de 1942 (mãe da Beatriz, artista e viúva) e a Clarice de 1958 (uma mulher que teve outra filha para criar, vive cercada por remédios, mentiras e o apagamento do seu verdadeiro “eu”). A alternância entre elas é um dos aspectos mais elogiados pelos telespectadores.
“É ainda mais intenso nas cenas com Beatriz, onde a mãe presa dentro dessa mulher sem memória tenta emergir. Levo dessa experiência um profundo respeito, disciplina e a certeza de que a essência de uma pessoa pode continuar intacta, mesmo quando tentam apagá-la. O amor de mãe vence tudo!”, vibra.

Carol Castro compartilha curiosidades e relação com outros artistas de “Garota do Momento” (Reprodução/Instagram)
Ao contracenar com Fábio Assunção (o marido, Juliano Alencar), Duda Santos (a filha biológica, Beatriz) e Maisa (Bia), a atriz divide detalhes do dia a dia. Os quatro atores vivem, hoje, fora do set de gravação, uma dinâmica super próxima e carinhosa. “Já viramos uma família! São muitos meses de convivência praticamente todos os dias. São pessoas maravilhosas, que adorei conhecer melhor e com quem tenho trocado muito, em cena e fora dela. Esses três, em especial, com quem ainda não havia trabalhado antes, levo para a vida toda!”, conta Carol.
O amor de mãe vence tudo! — Carol Castro
Paixão que vem de família
Carol Castro pontua que o amor pelas Artes Cênicas é de família. “A paixão pela atuação realmente está no meu sangue. Meu pai, Luca de Castro, foi ator, diretor, produtor e professor de teatro e televisão. Ele sempre foi meu maior incentivador e inspiração. Desde pequena, acompanhava de perto seu trabalho nos palcos e nos bastidores, o que despertou em mim o amor pela arte de interpretar”.
Ela relembra que, aos 9 anos, escreveu o primeiro texto teatral, “Socorro”. Em 2002, produziu a peça “Terror em Copacabana”, onde despertou a atenção de Luiz Antônio Rocha. O produtor a ajudou a conseguir o primeiro papel na televisão, como Gracinha em “Mulheres Apaixonadas”.

Carol Castro reflete sobre o racismo e o machismo na contemporaneidade (Reprodução/Instagram)
Ainda assim, Carol define que a figura paterna foi determinante nesse processo: “A influência e o apoio do meu pai foram fundamentais para que eu seguisse a carreira artística”. Assim como a personagem em “Garota do Momento”, as memórias ocupam parte importante da sua narrativa. Diferentemente de Clarice, ela se lembra de detalhes e momentos da infância. “Me lembro de coisas que aconteceram quando tinha apenas três anos. É muito curioso como minha memória funciona”, relata.
E acrescenta: “Sou extremamente ligada, antenada, detalhista e guardo memórias frescas de acontecimentos passados. Procuro não viver no passado. Trabalho meus traumas de infância na terapia, mas foco no agora, no presente. Tento não me apegar ao arrependimento e, sim, aceitar, transformar e evoluir sempre”.
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