Cinema & TV

“Ser considerado galã é ponto de vista das pessoas. Eu quero é contar boas histórias”, diz Klebber Toledo

No ar como o Patrick de “Verão 90”, o ator falou com exclusividade para o HT sobre o personagem, o bom momento na carreira e a rotina de gravação ao lado da mulher, a também atriz Camila Queiroz

Publicado em 12/07/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Iron Ferreira

Sempre fã de boas histórias, Klebber Toledo encontrou na profissão de ator uma forma de contá-las ao mesmo tempo em que se expressa através da sua arte de atuar. Independente do gênero ou da trama, é a emoção de estar nos palcos ou nas telas que o move. Atualmente, vive uma das melhores fases de sua carreira, como Patrick de “Verão 90”. Divertido e atrapalhado, o personagem, segundo ele, é um presente. “Patrick é leve, divertido, um sujeito muito do bem. Me divirto tanto com as cenas dele quanto com a repercussão nas ruas e nas redes sociais. Já me pediram até um pouco do doce de leite que ele toma na novela. Sentir o feedback do público é bom e importante e a gente vê como o personagem está caminhando”. Ele ainda falou sobre a relação ao lado de Cláudia Raia, com quem dividiu cenas românticas, e a importância do diretor, Jorge Fernando, para a elaboração do seu trabalho: “A Cláudia e o Jorginho ajudaram muito na construção do Patrick. Ela é uma atriz genial, muito generosa”.

Conhecido pela beleza e por ser um símbolo sexy, ele revela que não deixa esses rótulos o atrapalharem. Segundo o artista, o talento e o amor pelo ofício são maiores que qualquer atribuição física. Ele acredita que o desejo parte mais do público do que dele mesmo, fato que não interfere na qualidade do seu desempenho. “Eu não me preocupo com isso. Acho que ser considerado galã é um ponto de vista do público. Eu sou ator, quero contar boas histórias e viver bons personagens e me preparo da melhor forma para isso”.

No ar em “Verão 90”, o ator falou sobre o personagem e a repercussão que ele vem tendo nas redes sociais (Foto: Divulgação)

O ator também comentou sobre a dinâmica de gravações ao lado da mulher, a também atriz Camila Queiroz, que vive a vilã Vanessa. Embora o núcleo deles não seja o mesmo, é na intimidade do casal que as dicas e os conselhos acontecem: “Passamos os textos juntos e isso é muito legal, porque podemos usar o trabalho para ficarmos perto. Sempre trocamos muito e crescemos com isso. Vamos tirar férias juntos, o que também é ótimo. Mas, no dia a dia, nossas agendas nem sempre coincidem. Como Patrick e Vanessa são de núcleo diferentes, os horários de gravação também não coincidem”.

Além da televisão, Klebber atua como dublador, uma verve artística que exige igual preparação e pesquisa. Em 2012, deu voz ao personagem Noah Curtis, no filme “2012”, e em 2016, ao protagonista Junior, na animação “Cegonhas – a história que não te contaram”. Embora o trabalho seja todo desenvolvido em estúdio, ele revelou que sente um enorme prazer ao ver o seu esforço personificado nas telonas. “Acho que entrega e dedicação têm que ter sempre. Com a dublagem, é um outro tipo de experiência, e muito rica também. Você comunicar apenas com a sua voz é algo muito poderoso. Até porque, apesar de só a nossa voz chegar ao público, para sair daquele jeito há todo um trabalho de composição do personagem, de entendimento das características. O grande desafio é dar voz a tudo isso. É um trabalho milimétrico, preciso. É uma experiência fascinante”.

Provando que é capaz de compor personagens de diferentes características, o ator encarou o desafio de viver o vilão Bruno na série “Ilha de Ferro”, elogiada produção da GloboPlay. Complexo e invejoso, o papel exige mais entrega e concentração, buscando a versatilidade de quem o interpreta. “O trabalho em “Ilha de Ferro” foi muito especial para mim. Bruno é um personagem completamente diferente de tudo que já fiz. Ele nutre uma inveja do irmão, Dante (Cauã Reymond), é apaixonado pela cunhada, Leona (Sophie Charlotte). São relações complicadas e tóxicas que ele alimenta. Isso acaba envenenando o personagem, de certa maneira, e o leva por um caminho sombrio. O trabalho de composição para a série foi extremamente cuidadoso. Eu passei por uma grande transformação física. Usei próteses no rosto, lente de contato e deixei o cabelo mais longo. Só consegui construir o Bruno daquela maneira, com aquelas nuances por um trabalho coletivo ao lado dos atores e do Afonso Poyart, que dirigiu o projeto. Afinal, atuar não é apenas fazer a sua parte. Você precisa estar inteiro em cena, atento e aberto para a troca que acontece ali com os outros atores. É um trabalho de ação e reação”.

Em 2018, ele estreou como diretor e produtor de teatro, com a peça “Isaura Garcia: O Musical”, que conta com Rosamaria Murtinho, Soraya Ravenle e Kiara Sasso no elenco. O espetáculo conta a história de Isaura Garcia, musa da época de ouro do rádio e uma das cantoras mais importantes da MPB. Ele disse que a sensação é igualmente contagiante e que é lindo ver todo o seu suor culminar na finalização da montagem: “Contamos a história de uma das maiores artistas brasileiras e quem estava ao meu lado nessa empreitada era Rick Garcia, meu parceiro e neto da Isaurinha, como ela era conhecida. Trabalhar na produção e na direção proporciona outra visão do trabalho, é um outro tipo de preocupação. Você acompanha a preparação dos atores, ensaios, montagem do palco, coordena o trabalho de uma equipe enorme. Experimentar outros campos da artes é algo que amplia muito a visão do trabalho do ator”.

O ator também estreou como diretor e produtor de teatro com a peça “Isaura Garcia: O Musical” (Foto: Divulgação)

Defensor da arte e de todas as suas vertentes, Klebber acredita no poder transformador mesmo diante de tanta desvalorização. Segundo ele, a criação e apresentação de diferentes papéis estimula a diversidade, fazendo com que mais pessoas e grupos sociais ganhem representatividade. “Eu sou artista e acredito em toda potência que a arte tem para transformar. É preciso valorizar nossa cultura. Ela preserva nossa história, ela nos faz o povo que somos e nos ajuda a refletir e transformar nossa realidade. Os tempos estão mais complicados, mas não penso em parar ou desistir. Quando você mostra personagens diferentes, quando você traz diversidade para novelas, peças e filmes, você está fazendo com que cada vez mais pessoas se vejam representadas e se sintam abraçadas. Essa é uma transformação importante”.

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