Cinema & TV

“Produzir arte no Brasil é um ato de amor e resistência”, enfatiza Roberto Birindelli

O ator que está nas telinhas interpretando o Tobias, em O Sétimo Guardião conversou com o Site HT e contou que este ano irá estrelar quatro longas e depois do folhetim de Aguinaldo Silva, embarca para os Estados Unidos para as filmagens de mais um. Vem saber!

Publicado em 17/04/2019 | Por Heloisa Tolipan

O ator Roberto Birindelli no ar em O Sétimo Guardião irá estrelar quatro longas em 2019 (Foto Sergio Santoian)

* Por Rafael Moura

Os cinéfilos de plantão já podem começar a estourar a pipoca para conferir quatro estreias nas telonas com o ator Roberto Birindelli, ainda este ano: Humanpersons, de Frank Spano, que aborda a questão do tráfico de órgãos; O olho e a faca, de Paulo Sacramento, sobre um drama de petroleiros; Loop, de Bruno Bini, no qual interpreta um detetive que tenta desvendar um crime num tempo cíclico; e Águas Selvagens, um filme de Roly Santos, que fala do tráfico de crianças na fronteira Brasil-Argentina. O uruguaio, que se tornou brasileiro de coração, conta ainda que ao terminar a novela embarca para os Estados Unidos para as filmagens do longa Duas Doses de Tequila.

Na TV, Birindelli, além de interpretar o Tobias, na novela O Sétimo Guardião, de Aguinaldo Silva, da TV Globo, o ator está no ar com Proibido Para Maiores, no canal Prime Box Brazil. Estará no elenco da nova temporada de Um Contra Todos, da FOX, com o traficante José Pedro Pena (Pepe), ainda este ano e também participa da série Os Irmãos Freitas, no qual viverá o personagem Herrera Pelullo. Na produção, o ator Daniel Rocha, que foi também campeão infantil sul-americano de kickboxing, dará vida ao multi-campeão Mundial Popó. O elenco contará também com nomes como a atriz Maria Flor, com estreia prevista para o segundo semestre no Canal Space.

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Roberto nasceu em Montevidéu, viveu até os 15 anos na capital uruguaia, quando se mudou com a família para Porto Alegre, devido ao Regime Militar. Além de ator, Roberto também é formado em Arquitetura e conta ao Site HT que cada projeto tem a sensação de primeira vez. “Cada projeto tem suas características e suas ansiedades. Lembro da primeira vez que me vi numa telona, no longa Anahy de las missiones, de Sergio Silva. Foi indescritível, estranho, incômodo pra quem só fazia teatro”. O filme Anahy de las missiones conta a saga de uma mulher que luta pela sobrevivência durante o período mais conturbado da historia do Rio Grande do Sul, a Revolução Farroupilha.

O ator Roberto Birindelli embarca para os Estados Unidos ao fim da novela O Sétimo Guardião para gravar mais um longa (Foto Wagner Carvalho)

O artista diz que seu processo de preparação dos personagens depende muito do projeto. “Cada trabalho é único, com características muito peculiares”, e completa falando sobre sua variedade de métodos. “Faço pesquisa in loco sempre que possível, coaching, (Sergio Penna, Fátima Toledo), leituras, filmes sobre a temática, jornais, etc, a antena parabólica está sempre aberta”, explica. O ator nos revela ainda sobre a diferença de atuar no cinema e na televisão. “É a diferença entre um outdoor e a publicidade numa revista. O tempo de leitura é outro, então dá pra aprofundar mais. Os significados na TV, via de regra, são mais diretos. Na novela o tempo é quase do dia a dia. Você tem oito meses para contar uma história. Já no cinema, em 90 minutos, você mergulha muito mais nas metáforas, percepções e alegorias. Transito entre essas áreas, e aplico muito o aprendizado de umas nas outras.

No meio da nossa conversa Roberto cita o teólogo cristão francês, João Calvino (1509-1564) quando falamos sobre o pouco apoio as artes no Brasil. ‘Encontrar no inferno o que não é inferno e preservar…’. “A TV brasileira tem uma forte tradição, um sonho, um encanto”, conta Birindelli falando sobre as transformações da televisão no Brasil e refletindo que as nossas novelas ainda são um convite para as famílias sentarem e assistirem. “Se você observar o tipo de publicidade e produtos anunciados nos intervalos das novelas você percebe que o perfil do público está mudando. Meu filho e a turma dele assistem TV fechada, streaming e por aí vai. Estamos em um momento de repensar toda a grade, claro. Já se falou que a TV terminaria com o cinema, que a internet terminaria com o livro, que o robô terminaria com a mão de obra. Eu secretamente penso que mesmo depois da Terceira Guerra Mundial haverá o circo”, concluiu.

 

 

 

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