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A polêmica estreia de “O Caçador”, com Cauã Reymond: impossível não comparar com Amores Roubados

No primeiro capítulo, o grande problema foi, talvez, o timing das cenas que remetem ao trabalho do ator em outra série recentemente exibida pela emissora

Publicado em 13/04/2014 | Por Heloisa Tolipan

* Por Junior de Paula

“O Caçador”, que estreou nesta sexta-feira, na Globo, tinha todos os elementos para se tornar um grande produto, mas a sensação, pelo menos depois do primeiro episódio, foi um tanto quanto déjà vu.

O problema não é com o roteiro, assinado maravilhosamente bem por Marçal Aquino e Fernando Bonassi, que conta a trajetória de André, defendido com muita elegância e força por Cauã Reymond, um ex-policial preso injustamente por acobertar o crime do pai, também um ex-policial, que tinha pouco tempo de vida por conta de um câncer.

Depois de sair da prisão, André passa a ser um caçador de recompensas e tem de lidar, ainda, com o afastamento de sua família, sua relação atribulada com o irmão, vivido com competência por Alejandro Claveaux, e uma atração mais que perigosa pela cunhada, Katia, personagem de Cleo Pires

O problema, portanto, também não é com a escalação do elenco, que cumpre muito bem os papeis que lhe foram atribuídos. Com destaque ainda para a participação especial de Milton Gonçalves, em um personagem um tanto quanto surreal que ouve o desabafo de André assim que sai da prisão e sobrevive a uma saraivada de tiros. E Jackson Antunes, como o pai bandido do protagonista. 

A culpa também não é da direção, sempre perfeita e no ponto de José Alvarenga, nem da fotografia, nem da trilha, nem dos figurinos e nem da direção de arte, já que tudo é muito bem cuidado e digno de uma produção caprichada e acima do sempre exigente padrão Globo de qualidade. 

O grande problema de “O Caçador”, talvez, seja o timing. Explico: impossível não associá-la, de alguma forma, a “Amores Roubados”, série exibida recentemente também protagonizada por Cauã e que se mostrou uma obra-prima na trajetória do ator.

A primeira cena, por exemplo, em uma estrada empoeirada, com trilha incidental de fundo, nos levava imediatamente ao sertão onde se passava a história de Leandro, da outra série. Impossível também não lembrar de “Amores Roubados” ao ver a tensão sexual no ar entre os personagens de Cauã e Cleo e não associa-los à química explosiva dele com Isis Valverde

Impossível também se não lembrar de “A Teia”, outra série exibida este ano, estrelada por Paulo Vilhena, que orbitava em torno do submundo do crime, polícia e com mesma câmera nervosa que aparece em alguns momentos de “O Caçador”. 

Portanto,o que resta nos perguntar é se, apesar das semelhanças em meio a tantas diferenças, a série vai conseguir se tornar uma obra atraente para um público que acabou de assistir a dois programas que, no fim das contas, mexiam com as mesmas emoções propostas por “O Caçador”.

Se depender de um competente primeiro capítulo e da promessa de fortes emoções que vêm por aí, pode ser que dê certo. Torçamos.

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Cauã em cena de O caçador (Foto: Divulgação/TV Globo)

* Junior de Paula é jornalista, trabalhou com alguns dos maiores nomes do jornalismo de moda e cultura do Brasil, como Joyce Pascowitch e Erika Palomino, e foi editor da coluna de Heloisa Tolipan, no Jornal do Brasil. Apaixonado por viagens, é dono do site Viajante Aleatório, e, mais recentemente, vem se dedicando à dramaturgia teatral e à literatura.

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