*Por Brunna Condini
Apesar dos 21 anos de carreira, tendo vivido protagonistas e papéis de destaque, com mais de 20 produções audiovisuais no currículo, Paolla Oliveira não se acomoda e segue batalhando o que deseja fazer como atriz. Ela lembra que pediu para fazer Heleninha Roitman em ‘Vale Tudo‘, que estreia dia 31 de março no horário das nove na TV Globo. “Na minha vida nada veio sem movimento, então foi um pedido muito cara de pau da minha parte mesmo. Não acredito que as coisas tenham que parar no seu colo. Quis muito fazer essa personagem e mais uma vez me movi. Poderia não ter dado certo, mas como deu, tenho que honrar o lugar que conquistei e muita gente desejava dentro deste trabalho grandioso. E agora fazer por onde ser um sucesso, até porque acho que não tem muito como não ser…é um grande texto”.
Vi um comentário nas redes dizendo que era um absurdo a TV Globo fazer um remake com atores novos…mas vai escolher quem, gente? É um remake, uma nova versão, com novos atores. Acho que essa novela não vai ter como, vai ser no estilo ‘falem bem ou falem mal, mas falem de nós’ (risos). Vamos aguardar – Paolla Oliveira

Paolla Oliveira vive desafio de uma nova Heleninha em ‘Vale Tudo’, fala de comparações e expectativas e pretende fazer personagem para além dos esteriótipos (Foto: Divulgação/Globo)
Vivendo um dos papéis mais intensos e complexos da sua trajetória, Paolla fala sobre o encontro com Renata Sorrah, que deu vida à icônica personagem em 1988. “Tive a oportunidade de falar com a Renata, não esperava. Ela foi tão gentil! E isso me impulsionou mais ainda. Na verdade, falamos de uma nova personagem, porque é a oportunidade de transformar uma coisa já tão grandiosa, em outra tão poderosa quanto. E a intenção é essa”.
Encontrar a Renata (Sorrah) foi um axé para fazer essa personagem. Fui muito abençoada de ver de perto o quão grandiosa e intensa ela é. O texto é o mesmo, mas Manuela (Dias) tem revisitado e consigo perceber as diferenças da primeira versão principalmente no que diz respeito à clareza em relação à essa doença que a Heleninha tem. Acho que me aproximo da primeira versão no que diz respeito à sua intensidade. E falo de um fundamento de personalidade da Heleninha que ultrapassou esses 30 anos. Muitas coisas se mantém interessantes e atuais, isso faz essa história chegar até aqui – Paolla Oliveira

Paolla Oliveira fala de Renata Sorrah: “O encontro com ela foi um axé” (Foto: Reprodução/ Instagram)
Paolla também fala da sua preparação para viver a personagem descrita como uma mulher complexa, emocionalmente fragilizada e com problemas de alcoolismo. “Acho tenho ido por todos os caminhos. A Heleninha merece isso, para que eu tente encontrar cada minúcia sua. Tenho ido da literatura a reuniões do AA (Alcoólicos Anônimos), também assisti outros trabalhos que têm a ver com essa temática, e vi um pouco da novela original. Não tem como fazer esse papel e não ver a Renata em cena. Ela fez um grande trabalho, mas até por isso, seria respeitoso da minha parte que eu nem tentasse me aproximar dela. Estou tentando fazer uma coisa realmente nova após esses 30 anos”, afirma.
Ainda sobre a preparação, ela compartilha: “Levei o Pedro (Waddington), que faz meu filho Tiago na novela, em reuniões do AA comigo, então fomos ficando mais ligados. Mas acho que a conexão vem mesmo de todo dia, porque as cenas entre mãe e filho são muito fortes, isso vai criando um laço maior. Nós dois juntos no set, ainda está bem no início, mas vem muita coisa emocionante por aí”, avisa.
Acho fazer um teste uma maneira justa, e honrada de entrar num trabalho. É justo que as pessoas que vão te escolher tenham a opção de te ver naquele personagem, nem que seja por um dia. Fico muito feliz que esta tenha sido a minha porta de entrada – Paolla Oliveira
Paolla Oliveira nos bastidores como Heleninha: “Estou tentando fazer uma coisa realmente nova após esses 30 anos” (Foto: Reprodução/Instagram)
Falar sobre o alcoolismo hoje
‘Vale Tudo‘, escrita originalmente por Gilberto Braga (1945-2021), Leonor Bassères (1926-2004) e Aguinaldo Silva em 1988, reescrita por Manuela Dias, traz a personagem Helena Roitman, uma artista plástica, nascida em uma família abastada e poderosa, que não se encaixa e convive com o alcoolismo. Na primeira versão, em seu desfecho ela vai em busca da recuperação e frequenta o AA. Mesmo que na época o alcoolismo ainda não fosse visto como uma doença, a novela ajudou na conscientização sobre os excessos em relação à bebida.
Hoje, com todo conhecimento em torno da dependência, o final da personagem não deve ser diferente. E pelo o que Paolla Oliveira diz da sua composição, o caminho de Heleninha também deve ser construído de outra forma, com cenas que tratem suas bebedeiras com um recorte menos “divertido” em alguns momentos: “A ideia é como seria viver essa personagem após tantos anos, renovando, mesmo em torno de todo ícone que se formou em torno dela. O texto tem sido precisoso, através dele tenho compreendido muito mais a Heleninha. Ela é uma grande personagem para além do problema que tem de ser alcoolista. É uma mulher tentando viver nas brechas desta doença. Isso é o que tem me encantado mais. Também fiz aulas de corpo, de voz, para me sentir disponível para que o que ela exigir de mim”.
O alcoolismo é uma doença, falar disso é importante. Mas qual é a batalha travada para uma mulher que existe para além desta doença? É isso que tem me feito construir Heleninha no dia a dia…além de todas as suas relações na trama – Paolla Oliveira

Paolla Oliveira e Renata Sorrah: Heleninhas separadas por 30 anos (Foto: Globo/ Marcos Serra Lima (Paolla) e Adir Mera / O Globo (Renata))
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