Oportuna politicamente, “Liberdade, liberdade” não mostrou a que veio – e precisa resolver isso o mais rápido possível


Enquanto Andreia Horta não surge na pele da protagonista, ficou a cargo da pequena Mel Maia as emoções inicias. E é justamente na menininha que “Liberdade, liberdade” pôde debruçar suas boas expectativas iniciais entregues

No dia em que a maioria dos deputados integrantes da Comissão Especial do Impeachment na Câmara optou por abrir o processo de afastamento da presidenta Dilma Rousseff (PT); uma novela com trama de teor político surge de forma oportuna e faz pensar – justamente em um momento no qual a audiência escorrega mais que pau de sebo. Foi exatamente o que aconteceu com “Liberdade, liberdade” na noite de segunda-feira (dia 11), reinaugurando a faixa das 23h da Rede Globo. A novela de Mário Teixeira baseada no argumento de Márcia Prates a partir do livro “Joaquina, Filha do Tiradentes”, de Maria José de Queiroz, e direção da trinca Vinícius Coimbra, André Câmara e Pedro Brenelli, nos levou ao século 18, na capitania hereditária de Vila Rica (hoje Ouro Preto), onde a Coroa Portuguesa sugava o Brasil enquanto colônia, e entrega puramente à miséria. É aí que entra Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, (um Thiago Lacerda nivelado, nem extraordinário, nem decepcionante – lembrou muito o Estevão de “A casa das sete mulheres”), mártir, símbolo da luta contra os desmandos de Portugal, enforcado em praça pública. O novelo se desenrola mesmo é com Joaquina, filha dele, que fica órfã, é criada na Europa e retornará ao país onde seus pais morreram para se tornar o símbolo da luta contra a coroa.

Thiago Lacerda como "Tiradentes" (Foto: Reprodução)

Thiago Lacerda como “Tiradentes” (Foto: Reprodução)

Enquanto Andreia Horta não surge na pele da protagonista, ficou a cargo da pequena Mel Maia as emoções inicias. E é justamente na menininha que “Liberdade, liberdade” pôde debruçar suas boas expectativas iniciais entregues. As cenas finais do primeiro capítulo, por exemplo, quando Tiradentes está indo ao sacrifício, a performance de Mel é emocionante e impactante. Em todo o percorrer da história, o sangue no olho, o ranger nos dentes e a postura firme de Joaquina fizeram valer os minutos no sofá. Dirigindo na mesma mão de via, Mateus Solano e seu Rubião, mesmo que com pouco espaço de apresentação, conseguiu o que queria: tirar o Félix de “Amor à Vida” da nossa mente – para tanto, vale contabilizar: são três anos ausentes das novelas. No mais, a direção da nova novela parece meio perdida, sem uma identidade marcante que “Velho Chico”, que surge no calcanhar, demonstrada, por exemplo, até mesmo aos telespectadores menos técnicos. “Liberdade, liberdade” parece aquele amigo que você sente saudade, quer encontrar, mas sabe que a conversa não flui ou que tem algo a dizer, mas não diz. Com sorte, o enredo histórico, por si só, e mesmo com pitadas ficcionais, pode ser o pilotis de sustentação. Com azar, mostrar a que veio o quanto antes é necessário.

Mel Maia como Joaquina (Foto: Reprodução)

Mel Maia como Joaquina (Foto: Reprodução)