Nova novela das 6, Espelho da Vida mistura atores maduros com nova geração da internet em trama sobre reencarnação


O novo folhetim de Elizabeth Jhin possui três camadas de narrativa: o enredo de um filme, as pessoas que vivem em 2018 e aquelas de 1930. Com um elenco inédito que reúne influenciadores digitais e atores da terceira idade, a trama promete segurar o público

Folhetins que falam sobre um amor que ultrapassa encarnações é uma das principais especialidades da autora Elizabeth Jhin. Conhecida como a rainha das novelas espíritas da Globo, a escritora resolveu elevar esta tradição à décima potência na nova trama das 6, Espelho da Vida. Dessa vez, ela escancara toda a ideia de viagem no tempo com uma protagonista que consegue reviver a sua última encarnação ao vestir as suas roupas do passado. Com três camadas de narrativa, a montagem consegue unir suspense com humor ao falar sobre amor, compaixão e união. “A história mostra que nós somos responsáveis pelos nossos atos, porque pode repercutir de uma forma muito ruim na vida daquela pessoa e no resto da sociedade. Esta mensagem é muito oportuna para os dias de hoje. Precisamos olhar mais para dentro de nós e entender que se não mudarmos o nosso comportamento perante os outros, não vamos alterar a situação atual de violência e tragédias. A mudança está em nós. Queremos abrir o coração de muita gente. Espero que o amor se torne imperativo no nosso país”, comentou Pedro Vasconcelos, que embarca em sua primeira teledramaturgia com o posto de diretor artístico. Com estreia prevista para o dia 25 de setembro, a equipe marcou presença na festa que celebrou o lançamento da sequência de Orgulho e Paixão. Alinne Moraes, João Vicente de Castro, Vitória Strada, Rafael Cardoso, Julia Lemmertz, Angelo Antonio, Robson Nunes, Kéfera Buchmann, Vera Fischer, Tati Lopes e grande elenco participaram do evento que rolou ontem, dia 11 de setembro, no Teatro Riachuelo, Rio de Janeiro.

A história de Espelho da vida pode parecer mais confusa do que realmente é. Tudo começa em 2018 quando o cineasta Alain, personagem de João Vicente de Castro, precisa voltar a sua cidade natal, Rosa Branca, para reencontrar o avô que está muito doente. Ao falecer, o mais velho deixa uma boa quantia em dinheiro que só poderá ser retirada se o mocinho fizer um filme sobre o assassinato de Julia Castelo, uma moça que, teoricamente, foi morta pelo seu próprio amado. A escolhida para fazer esta personagem nos cinemas é a atriz e namorada de Alain, Cris, vivida por Vitória Strada. No entanto, ao pesquisar mais sobre esta mulher, a protagonista acaba descobrindo que é a reencarnação desta figura lendária do interior de Minas Gerais. Ao vestir suas roupas do passado e olhar no espelho de sua antiga casa, ela é transportada para 1930. A partir de então, começa a visitar o passado constantemente na busca de descobrir quem foi o seu assassino.

João Vicente de Castro e Vitória Strada interpretam o casal principal desta trama. No entanto, o relacionamento ficará balançado quando a personagem de Vitória retornar ao passado e encontrar o seu verdadeiro amor (Foto: Artur Meninea / Gshow)

Dessa forma, a autora criou três camadas de narrativa: a do próprio filme, das pessoas que vivem em 2018 e da antiga reencarnação de 1930. “Esta novela me parecer ser uma evolução das ideias da Elizabeth, por utilizar as duas linhas temporais juntas. Desde Escrito nas Estrelas, já existe esta vontade que ela pontuava em pequenas quebras no espaço-tempo. Em Além do Tempo, ela escancarou esta divisão lidando com duas tramas separadas. Em Escrito nas Estrelas, me parece que ela fundiu estes dois pensamentos. É um degrau a mais neste trabalho com diferentes encarnações”, explicou Pedro Vasconcelos, que participou da equipe de direção de três narrativas da autora: Escrito nas Estrelas, Amor Eterno Amor e Além do Tempo. Ele acabou assumindo o lugar de diretor artístico já que Rogerio Gomes, mais conhecido como Papinha, não pode assumir este trabalho por estar fazendo O Sétimo Guardião.

Pedro Vasconcelos e Elizabeth Jhin apresentaram a novela para a imprensa. Os dois são os principais profissionais por traz desta trama (Foto: Artur Meninea / Gshow)

Elizabeth, de fato, revolucionou mais uma vez a teledramaturgia ao trazer, de forma constante e natural nesta novela, a viagem no tempo. A sua personagem consegue ir e voltar quantas vezes quiser ao colocar suas roupas da outra encarnação, olhar no espelho e segurar o seu medalhão. Esta brincadeira, de acordo com a autora, surgiu aos poucos na sua cabeça conforme foi assistindo filmes sobre esta temática como Em Algum Lugar no Passado e Déjà vu. “Sou apaixonada por viagem no tempo, assisti todos os filmes da lista do Adoro Cinema sobre isto. E, ao mesmo tempo, tenho uma fascinação por reencarnação e vidas passadas. Comecei a escrever sobre isto em Escrito nas Estrelas e, a partir disto, me identifiquei. Gosto desta brincadeira e da ideia de visitar um momento em que fomos felizes. Diferente das outros textos, usei agora o recurso da psicologia de regressão à vida passada. Acho fascinante”, comentou. Nestas viagens da protagonista pela outra vida, Cris vai lembrar de toda a sua história em 2018, mas vai viver o passado como se fosse a primeira vez.

Alinne Moraes será a grande vilã deste novo folhetim (Foto: Artur Meninea / Gshow)

Estas idas e vindas podem parecer muito fáceis na teoria, mas Elizabeth está tornando a equipe de produção e direção mais difícil do que imagina, afinal, as gravações são simultâneas da mesma forma como acontece na vida da protagonista. “É um pouco esquizofrênico. Ao meio dia, estou fazendo uma mulher de 1930 e, de tarde, estou falando no telefone com a minha filha”, comentou Alinne Moraes. Para que isto seja viável, foi necessário construir cenários duplos, os de 1930 e de 2018. Sendo assim, não muito semelhantes, mas, ao mesmo tempo, um possui um aspecto mais detonado que o outro. “A casa onde ocorreu o assassinato na história é um casarão abandonado, velho e antigo. Quando a Vitoria Strada consegue retornar ao passado, este lugar está inteiro e intacto. É muito interessante”, explicou Pedro. Apesar de toda a dificuldade e desafio, o diretor garantiu que está sendo muito prazeroso embarcar nestas três novelas em uma só. “É muito trabalhoso, porém também muito mais legal do que estar em uma trama mais comum. Realmente está sendo uma teledramaturgia mais fora da curva e a prova disto é que não paramos de estrear cenários e personagens. Tenho certeza que esta dinâmica para o público vai ser muito rico”, garantiu.

Rafael Cardoso será a grande alma gêmea da protagonista, mas só existe no passado (Foto: Artur Meninea / Gshow)

O elenco conta com personalidades iconônicos do meio artístico, como Reginaldo Faria, Irene Ravache, Cosme dos Santos, Ana Lucia Torre, Maria Mônica Passos, Andrea Dantas, Suzana Faini e Emiliano Queiroz. Este protagonismo da terceira idade foi totalmente proposital, já que a produção queria valorizar estas pessoas que possuem um currículo estrelar. “Eles precisam ser maravilhosamente aproveitados já que não entram em várias tramas por terem mais de 60 anos. Ao mesmo tempo, também acho que quanto mais velho mais sábio é. O indivíduo possui uma compaixão ainda maior e uma vida menos leviana, mais voltada para o interior. Temos que ouví-los”, garantiu a autora Elizabeth.

Irene Ravache foi aplaudida de pé ontem pelo elenco e equipe devido a sua parceria de anos com Elizabeth (Foto: Artur Meninea / Gshow)

Além de apostar em personalidades consagradas no meio, Espelho da Vida também está inovando por contar com um público inédito vindo da internet. João Vicente de Castro, Kéfera Buchmann e Tati Lopes são atores famosos no YouTube, tendo feito história por participar de portais como Porta dos Fundos. Robson Nunes também é outro artista que possui um público mais novo por ter estrelado programas infantis da Disney e participado de Malhação. A união desta turma é uma aposta inédita da TV Globo e eles vão contemplar um núcleo rico de humor. “Antes de enxergar a estratégia, nós vimos os atores. Já conhecia a Tati do teatro e tinha esbarrado com a Kéfera pelo cinema. Primeiro nós fomos encaixando pelo perfil do personagem e depois entendemos que isto poderia gerar um oxigênio diferente no público tradicional”, informou Pedro Vasconcelos.

Entre as novidades desta teledramaturgia, veremos Alinne Moraes novamente em um folhetim de Elizabeth Jhin. Enquanto em Além do Tempo ela viveu a protagonista, agora será a vilã. “Fico felicíssima de tê-la novamente no meu elenco. Adoro o trabalho dela, acho que consegue dar um brilho a qualquer novela. É uma honra e uma alegria”, comemorou a autora. Mas a luz desta personagem será bem mais obscura do que o público pode esperar. Isabel promete ser uma antagonista poderosa de personalidade marcante. No entanto, ela não será o único símbolo feminino de destaque. Muito pelo contrário. Ela faz parte de uma leva de papéis fortes em tempos de movimento feminista. “Sempre procuro fazer com que as personagens femininas sejam fortes. Gosto de escrever gente com atitude. Não falo diretamente sobre empoderamento, mas acredito que as mulheres possuem uma potência natural dentro de si. Não gosto de rótulos. A mudança que vejo, atualmente, é que nós conseguimos nos mostrar mais”, explicou Elizabeth.

Conectar o público com o lado mais espiritual é um dos principais objetivos de Elizabeth. Apesar de não ser espírita e muito menos querer doutrinar o telespectador, a escritora tem a intenção de aflorar o lado mais humano, afinal, suas tramas possuem doses cavalares de amor e delicadeza. Ao mesmo tempo, Espelho da Vida possui algumas novidades muito interessantes no desenrolar da narrativa. “A história principal conta com muito suspense, algo que nunca vi nas novelas da Elizabeth. É inédito. Ela está o tempo todo brincando com a curiosidade do espectador sobre o que pode vir a fazer. É completamente diferente do que estamos acostumados a ver no horário das 6”, informou Pedro. Em contrapartida, o público vai respirar muito humor também para dar um alívio cômico. Vem muita coisa por aí.