Cinema & TV

No ar, como a empregada doméstica Penha, em ‘Amor de Mãe’, Clarissa Pinheiro fala da relação abusiva: “Realidade”

Nordestina, a atriz fala sobre a representatividade na televisão: "Feliz em perceber que cada vez mais a diversidade cultural está sendo posta na TV"

Publicado em 03/12/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Clarissa Pinheiro estreia nas novelas com o pé direito. Em “Amor de mãe”, de Manuela Dias, ela vive Penha, empregada doméstica na casa da Lídia, interpretada por Malu Galli, que aguenta resiliente os desaforos da patroa. Apesar de estreante nos folhetins, ela já trabalhou com a autora e o diretor José Luiz Villamarim nas séries “Onde nascem os fortes” e “Justiça”. “‘Amor de Mãe’ foi um convite do Villamarim. Esse é o terceiro projeto que tenho a honra de participar com esse diretor tão sensível e generoso”, conta. “E sendo uma obra da Manuela Dias, eu só posso esperar grandes surpresas e reviravoltas. Ela foge do óbvio e ousa nas propostas. Tenho certeza de que a saga da Penha será bem interessante”.

Clarissa vive Penha em “Amor de mãe” (Foto: Sergio Baia)

A atriz começou a carreira nos palcos do Recife, onde nasceu. Mas seu primeiro trabalho de destaque nacional foi em 2014, no filme “Casa Grande”, pelo qual recebeu o prêmio de “Melhor Atriz Coadjuvante”, no Festival de Cinema de Paulínia. Depois disso, também participou dos longas-metragens “Aquarius”, “Aos Teus Olhos” e “A Mata Negra”. “Essa é minha primeira novela. Acho que o que muda é que na série e no cinema a curva do personagem é traçada do início ao fim e filmamos por um período relativamente curto. Já na novela, vamos convivendo com a personagem durante meses, descobrindo mais e mais a seu respeito com o avançar dos capítulos. É uma nova experiência de composição”, destaca. “Dá um friozinho na barriga! Não diria de medo, mas de empolgação por fazer parte de um produto tão especial. Mas como em qualquer projeto que participo, procuro me manter concentrada no estudo da personagem, sem pensar muito em repercussão ou dimensão. O objetivo é estar tranquila em cena para poder entregar o meu melhor”, diz.

Nordestina, assim como sua personagem, Clarissa destaca a honra de representar o estado na trama das 21h. “Sinto orgulho de ser nordestina e fico muito feliz em perceber que cada vez mais a diversidade cultural está sendo posta na TV. Somos de fato um povo misturado, cheio de sotaques variados, convivendo juntos. Essa é a nossa realidade e não uma cidade em que todos falam do mesmo jeito, dentro de um padrão”, ressalta.

Ela já fez duas séries com Manuela Dias e José Luiz Villamarim (Foto: Sérgio Baia)

Além disso, sua Penha abordará um tema relevante que deve retratar a realidade de muitas domésticas no Brasil: os desaforos da patroa. “Infelizmente, esse é um tema que ainda permanece em pauta. O abuso de poder dentro de uma hierarquia vertical. Patrão destratando empregado. A realidade é que as pessoas que toleram tais abusos, muitas vezes, não têm outra opção. É baixar a cabeça e administrar o mal estar interno. Acho que todo mundo, de alguma maneira, já precisou engolir sapos na vida, por diversas razões. Para entender a Penha, pesquisei esse sentimento de impotência em mim”, conta.

Ela também rodou o longa “Cemitério das Almas Perdidas” (Foto: Sérgio Baia)

Em breve, Clarissa também poderá ser vista no cinema, em “Cemitério das Almas Perdidas”, um filme brasileiro de terror. É o segundo longa-metragem que rodo com o diretor Rodrigo Aragão. Uma parceria muito legal. No filme ‘Cemitério das Almas Perdidas’ eu interpreto uma evangélica, chamada Imaculada, que promete dar trabalho para um grupo de circo que chega à cidade”, adianta. Ultimamente, o cinema brasileiro tem sido cada vez mais reconhecido, mas ainda se fala muito dos filmes de humor. Como será rodar um thriller? “De uns tempos para cá tenho notado que está havendo uma abertura maior para outros gêneros que não a comédia. O terror,  inclusive, está bastante em alta. Sem falar no cinema pernambucano, que vem se destacando por fazer filmes que abordam muito a questão social brasileira. E que se faz rir é de constrangimento pelo tapa de reflexão. Então vamos torcer para que essa onda permaneça e só aumente. Acho que estamos caminhando para isso”.

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