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No 6º Cine Fest Brasil-Montevidéu, a indústria nacional do audiovisual marca golaço, mostra a sua força e sai com “Trinta” premiado

Filme de Paulo Machline sobre o carnavalesco Joãosinho Trinta leva o troféu de Melhor Longa-Metragem, enquanto "Nora", de Gabriel Mendes e Fernando Muñoz, arrebata o de Melhor Curta

Publicado em 01/05/2015 | Por João Ker

A 6ª edição do Cine Fest Brasil-Montevidéu, produzido pela Inffinito Produções, das irmãs Adriana e Cláudia Dutra + a sócia Viviane Spinelli, foi um sucesso para estreitar as relações culturais e comerciais entre o Brasil e o Uruguai, alavancando ainda mais o caráter de exportação da nossa indústria audiovisual. Durante o festival, que foi realizado entre os dias 23 e 29 de abril, foram exibidos 16 longa-metragens e nove curtas da mais recente produção nacional, tudo sob a curadoria de Luiz Dolino, Ricardo Cota, Sérgio Sá Leitão e Walter Lima Júnior.

Em cerimônia no Life Cinemas Alfabeta, o grande vencedor da competição na categoria longa-metragem foi “Trinta”, filme de Paulo Machline que estava representado no Uruguai pelo ator Paulo Tiefenthaler, que vive o carnavalesco Fernando Pamplona na produção. Como HT já contou aqui, quando viu o filme durante o último Festival do Rio, Matheus Nachtergaele está incrível na pele de Joãosinho Trinta e todo o roteiro serve para ressaltar ainda mais a importância do artista na construção de desfiles históricos e importantes para o Carnaval carioca.

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Já na categoria curta-metragem, quem levou o troféu para casa foi “Nora”, assinado pelos diretores e produtores Gabriel Mendes e Fernando Muñoz. O filme conta a história da nadadora Nora Rónai que, até hoje, com 90 anos, continua conquistando medalhas de ouro para o Brasil. O grande homenageado desta edição foi o produtor, distribuidor e exibidor uruguaio, Walter Achugar, que além de ter mais de 500 obras no seu currículo ainda recebeu o troféu das mãos da própria diretora do evento, Viviane Spinelli: “É uma grande honra para o Festival prestar este tributo à trajetória de Achugar”, disse.

Water Achugar, homenageado durante o 6º Cine Fest Brasil-Montevidéu (Foto: Divulgação)

Water Achugar, homenageado durante o 6º Cine Fest Brasil-Montevidéu (Foto: Divulgação)

Entre a seleção de títulos, duas produções marcavam a parceria do cinema brasileiro com o argentino: “Jauja”, de Lisandro Alonso, que abriu a programação; e “A oeste do fim do mundo”, de Paulo Nascimento, escolhido para fechar a mostra competitiva e que foi representado na cerimônia pelo ator Cesar Trancoso, que já participou da novela “Flor do Caribe” e do filme “Faroeste Caboclo”.

O ator César Trancoso e a diretora Viviane Spinelli durante o 6º Cine Fest Brasil-Montevidéu (Foto: Divulgação)

O ator César Trancoso e a diretora Viviane Spinelli durante o 6º Cine Fest Brasil-Montevidéu (Foto: Divulgação)

O festival marcou um balanço geral positivo para todos os envolvidos. Alguns filmes, como “Loucas Para Casar” (Roberto Santucci), “Cássia Eller” (Paulo Henrique Fontenelle) e “O Outro Lado do Paraíso” (André Ristum) tiveram sessões esgotadas ao longo da semana. O primeiro painel de negócios realizado pelo evento, que recebeu a representante do BNDES (patrocinador oficial) para a América Latina e Caribe, Camila Alves; produtores, como o brasileiro Leonardo Machadoiro e os uruguaios Diego Fernández Pujol e Mariana Secco; e Gerardo Mechilín, diretor da LATAM Cinema, também rendeu bons frutos. “Quanto Tempo o Tempo Tem”, documentário da brasileira Adriana Dutra, já tem dois convites para integrar o circuito comercial do cinema uruguaio. O primeiro, através de Alvaro Gutierrez, do Life Cinemas Alfabeta, onde aconteceu a cerimônia de encerramento; e, o segundo, de Gabriel Massa, distribuidor da Cinemateca. O longa, que foi exibido no festival e continua inédito por aqui, investiga as principais linhas da nossa consciência sobre o tempo. Que mais eventos como esse, que tanto ajudam a fomentar a indústria do audiovisual, tenham mais espaço ainda na agenda cultural latino-americana.

Adriana Dutra, diretora de "Quanto tempo o tempo tem", ao lado de Álvaro Caso, distribuidor da Life Cinemas Alfa (Foto: Divulgação)

Adriana Dutra, diretora de “Quanto tempo o tempo tem”, ao lado de Álvaro Gutierrez, distribuidor da Life Cinemas Alfabeta (Foto: Divulgação)

 

A primeira parada do Circuito Inffinito de Festivais foi Montevidéu. A capital uruguaia foi escolhida para dar início ao calendário internacional de 2015, que ainda inclui passagem por mais cinco países do globo. Com o patrocínio do BNDES, o “Cine Fest Brasil-Montevidéu” exibiu 25 filmes, entre longas e curtas, no Life Cinemas Alfabeta. O ganhador de cada categoria levou para casa o Crystal Lens Award – Best film Public Choice, escolhido através de voto popular. Essa foi a sexta edição do evento na cidade. Esse ano, pela primeira vez, o festival realizou um painel de debates para fomentar as relações comerciais e culturais entre os dois países, além de um concurso de crítica universitária para estreitar a relação com os jovens uruguaios.

As próximas cidades a receberem o festival serão Canudos, Buenos Aires, Miami, Nova York, Bogotá e Londres. O Cine Fest Brasil-Montevidéu conta com nove curtas e 16 longas, entre eles, duas coproduções de Brasil e Argentina, escolhidas para fechar e abrir a competição: “Jauja”, de Lisandro Alonso; e “A Oeste do Fim do Mundo”, de Paulo Nascimento. “Queremos estreitar os laços cinematográficos e culturais entre os países da América Latina”, explica Viviane Bressane Spinelli, diretora de produção e cofundadora do evento.

Pensando nisso, o festival  promoveu o painel “Fomento de Negócios Criativos Brasil e Uruguai”, em parceria com o ICAU e o BNDES, dando uma excelente oportunidade para o intercâmbio de ideias e negócios entre os profissionais da área. Outra ação que visa aproximar as duas culturas foi o concurso de crítica universitária, promovido também pela primeira vez pelo festival. Os estudantes de cinema tiveram o desafio de escrever uma análise sobre um dos longas em competição, fazendo uma leitura crítica completa da obra sobre seus diferentes aspectos e departamentos: direção, interpretações, arte, fotografia, figurino, trilha sonora, estética, roteiro.

O Cine Fest Brasil-Montevidéu levou para o público uruguaio diversas produções que se destacaram em 2014, além de alguns lançamentos, como “A Estrada 47”, de Vicente Ferraz, que tem estreia nacional no Brasil marcada para maio. O filme, uma produção de Itália, Brasil e Portugal, conta com a atuação de Daniel de Oliveira, Richard Sammel, Sérgio Rubini, Julio AndradeFrancisco Gaspar e Ivo Canelas, tendo como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Outro destaque foi o filme “Boa Sorte”, de Carolina Jabor, uma adaptação do conto “Frontal com Fanta” de Jorge Furtado que traz um elenco de peso, formado por Deborah Secco, Fernanda Montenegro, Enrique Diaz, Felipe Camargo, Mariana Lima, Cássia Kis Magro, entre outros. Muito elogiado pela crítica, “Casa Grande”, de Fellipe Gamarano Barbosa, narra a história de um menino de classe alta que, ao pegar um ônibus pela primeira vez, se depara com as discrepâncias sociais que separam ricos e pobres. Outro destaque na programação foi “A História da Eternidade”, de Camilo Cavalcante, que retrata três histórias de amores brutos tendo como cenário um pequeno vilarejo do sertão.

Os filmes biográficos marcaram forte presença tendo sempre como pano de fundo a cena cultural do país. Na linha documental, “Cássia Eller”, de Paulo Henrique Fontenelle, relembra a breve, porém marcante passagem da cantora nos anos 90 na história da música brasileira. Em “Samba e Jazz”, o diretor Jefferson Mello busca evidenciar a sinergia entre o samba e o jazz e as cidades do Rio de Janeiro e de Nova Orleans, considerada o berço do jazz. Seguindo a mesma temática, porém partindo para o ficcional, o longa “Trinta”, de Paulo Machline, se baseia em fatos reais para contar a história de Joãosinho Trinta. Já “Não pare na pista – A melhor história de Paulo Coelho”, de Daniel Augusto, reconta a trajetória do escritor, que foi um dos principais parceiros de Raul Seixas.

Na linha comédia romântica, a curadoria levou o lançamento “Ponte Aérea”, de Julia Rezende, que chega agora aos cinemas. O longa, estrelado por Caio Blat e Leticia Colin, conta a historia cheia de afinidades e desencontros de dois jovens que tem que se tornar adultos, mas morrem de medo de se perder pelo caminho. Para completar a programação teve ainda com o sucesso de bilheteria, “Loucas pra Casar”,de Roberto Santucci. Com Ingrid Guimarães, Suzana Pires, Tata Werneck, Márcio Garcia, Fabiana Karla no elenco, nesta trama para lá de enrolada, três mulheres estão prestes a se casar até descobrirem que estão dividindo o mesmo noivo.

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