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Em quase 20 anos de sintonia com a garotada, “Malhação” mantém seu frescor e segue firme sua vocação: uma colagem de sucessos!

Responsável por descobrir estrelas do calibre de Carolina Dieckmann e Cauã Reymond, a novela conserva o diálogo firme com as novas gerações e se reinventa mais uma vez com a pegada que mistura "Glee", "Fama" e "Veia de Lutador"

Publicado em 23/08/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por Júnior de Paula

“Malhação” segue firme e forte na programação da TV Globo há quase 20 anos. Também, continua sendo a única produção da maior emissora do país pensada para o público jovem do início ao fim. Claro, os adolescentes também podem se interessar por outras novelas do canal como, por exemplo, Geração Brasil”, que aborda um tema bem conhecido dessa turma. Até mesmo alguns programas de variedades, como o “Altas Horas” e o “Caldeirão do Huck”, podem atrair o olhar dessa turma. Mesmo assim, (quase) nada na emissora dos Marinhos é tão segmentado para este público como a atração.

São várias as gerações que já passaram pelos cenários da novelinha, que começou em 1995 por uma academia de ginástica, passou por um colégio e, nesta temporada, leva toda a ação para um prédio onde funciona uma academia de Muay Thai e uma escola de artes, chamada Ribalta. E, quando a gente fala de gerações formadas pela “escola Malhação”, estamos nos referindo a jovens (e outros nem tanto assim) dentro e fora das telas. Muitos atores que hoje brilham na tevê tiveram suas primeiras oportunidades no programa de fim de tarde, como Carolina Dieckmann, Sophie Charlotte, Caio Castro, Cauã Reymond e um sem número de outros nomes. Não que ele seja um produto de excelente qualidade, culturalmente enriquecedor ou inovador. Nada disso. Quando tentou reinventar a roda, como naquela histórica tentativa de fazer o programa ao vivo com participação de internautas que começaram a xingar Roberto Marinho na tela, a coisa acabou não dando muito certo. Mas trata-se de uma fórmula que, ao que parece, ainda tem muito fôlego pela frente.

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A nova temporada, que entrou no ar há pouco mais de um mês, passa-se em um ambiente que acaba remetendo ao início de sua história, levando os conflitos dos personagens de volta para uma academia. Desta vez, de artes marciais. Protagonizada por Arthur Aguiar e Eriberto Leão, que vivem respectivamente o lutador Duca e seu professor de Muay Thai, Gael, a temporada investe num dilema recorrente dos folhetins mais clássicos. Neste cenário, o garotão se envolve com as duas filhas do professor: amorosamente, com a mais velha Bianca (Bruna Hamú); fraternalmente, com a mais nova (e mais masculina), Karina (Isabella Santoni), que também acaba se apaixonando por ele. É em torno deste conflito que gira a nova temporada, que vem surpreendendo por sua qualidade e pelos bons índices de audiência. Ponto para os autores, Rosane Svartman e Paulo Halm.

Com uma pegada meio “Glee”, repleta de números musicais e possibilidades dos atores-cantores mostrarem que são bons no que fazem, “Malhação” vem se mostrando uma boa opção no fim das tardes da TV Globo. O palco da tal escola de artes Ribalta já serviu para declamações de Shakespeare; apresentações delicadas como a sincera versão do clássico “Romaria” tocada e cantada pela personagem introspectiva de Maria Luiza (Mari); e muita discussão em torno dos sonho de ser um superstar. E há também espaço para polemizar o machismo presente na sociedade, o alcoolismo, a busca por um sonho, a primeira vez, os preconceitos social e racial e outras questões que giram em torno não só dos jovens, mas que, de certa forma, fazem parte da vida de todo mundo, lembrando também um sucesso do cinema que virou série na tevê americana nos anos 1980 e que depois voltou à telona em 2009: “Fama” (Fame), que também já teve sua sua versão Off-Broadway no teatro.

E ainda tem sua dose de “Veia de Lutador” (Fighter, 2009), o longa estrelado por um Channing Tatum novinho e antes do estrelato, que igualmente retratava o universo do garotão lutador que encontra eixo emocional na figura do seu mestre em artes marciais. “Malhação”, quando investe naquilo que tem de melhor – a história e a diversidade de temas que podem ser abordados-, acaba se tornando interessante até mesmo para quem já não é tão mais jovem assim. Ainda mais quando pretende emular um pout-pourri de sucessos plantados no mercado pela tevê e cinema norte-americanos. Afinal, por que não?

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* Junior de Paula é jornalista, trabalhou com alguns dos maiores nomes do jornalismo de moda e cultura do Brasil, como Joyce Pascowitch e Erika Palomino, e foi editor da coluna de Heloisa Tolipan, no Jornal do Brasil. Apaixonado por viagens, é dono do site Viajante Aleatório, e, mais recentemente, vem se dedicando à dramaturgia teatral e à literatura

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