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“Me dei conta de que muitos homens não estão sabendo lidar com mudanças sociais”, diz Fábio Porchat

Em entrevista, o ator falou sobre a masculinidade tóxica, que serviu de inspiração para o seu novo programa, e de que forma ela pode ser prejudicial para toda a sociedade

Publicado em 26/03/2019 | Por Iron Ferreira

Gabriel Louchard, Gabriel Godoy, Fábio Porchat e Raphael Logam (Foto: Divulgação)

Criada e protagonizada por Fábio Porchat, a série “Homens?”, que estreou no dia 18 no canal pago Comedy Central, leva o machismo para o centro de uma discussão sobre vida sexual masculina e assuntos que ainda são tratados como tabu entre eles. Além do ator, Gabriel Louchard, Gabriel Godoy, Raphael Logam e Rafael Portugal, que interpreta o pênis do personagem principal, completam o elenco. “A fragilidade masculina foi o que me inspirou a criar esse roteiro. Aquele cara que precisa dizer que está comendo todo mundo para se gabar. Comecei a me dar conta de que muitos homens não estão sabendo lidar com as mudanças sociais. Eles não estão conseguindo se adequar a esses novos tempos. Além de ser nocivo para as mulheres, o machismo é prejudicial aos homens também”, declara Fábio.

Rafael Portugal interpreta o pênis de Fábio Porchat na série “Homens?” (Foto: Divulgação)

Com um diálogo simples e assuntos cotidianos, o programa busca conscientizar a sociedade através do humor. De forma descontraída, o público poderá assimilar os argumentos de maneira mais direta: “Acredito ser mais fácil atingir as pessoas através do humor. Não é um programa apenas para homens, é sobre homens. A série não é uma lacromédia, é feito para rir. Porém, usamos isso para falar sobre o machismo e criar situações em que as pessoas reconheçam os seus comportamentos e reflitam sobre suas atitudes”. Quando perguntado sobre a interferência do politicamente correto no gênero, o ator foi categórico: “Não acho que isso interfira. O politicamente correto está aí para ajudar. Ele não invalida a graça. É uma contracorrente positiva que ajuda a mudar o foco e, consequentemente, a pensar mais na piada”.

O elenco utiliza o machismo e a sexualidade como temas centrais para fazer humor e provocar reflexão (Foto: Divulgação)

O Porta dos Fundos, projeto elaborado em 2012 em conjunto com Gregório Duvivier, João Vicente de Castro, Antonio Tabet e Ian SBF, é um sucesso de público e revela mais uma vertente do seu extenso talento. Com mais de 14 milhões de inscritos no YouTube, as críticas sociais e abordagens políticas ácidas são marca registrada do canal. Segundo ele, os temas citados podem estimular as pessoas a debaterem: “O Porta dos Fundos adora fazer um retrato sobre a nossa realidade. Vivemos um momento político conturbado, mas que apresenta sinais de melhora. É um momento ótimo para que os brasileiros discutam sobre política e saiam do estado de ignorância”.

Forte defensor da cultura e de suas inúmeras vertentes, o humorista defendeu a relevância do artista e de seu trabalho para a comunidade: “A cultura é essencial para qualquer sociedade. Não somos um pedaço de carne. Precisamos de cultura para o Brasil ser conhecido no exterior. O Carnaval, a música e o futebol fazem parte da nossa história. Este é o nosso DNA. Muitas pessoas falam que o país precisa investir em educação, segurança, saúde, mas se esquecem de que nada disso inibe o investimento na cultura. Acham, por exemplo, que a Lei Rouanet é ruim. É muita ignorância pensar assim. O artista não pega o dinheiro, ele emprega muitas pessoas. Colocar o artista como inimigo empobrece o diálogo”.

Segundo Porchat, a cultura deve fazer parte do plano de investimento de qualquer governo e a sociedade deve valorizá-la (Foto: Divulgação)

Em relação ao futuro, o ator já acumula inúmeros projetos encaminhados: “Em breve, vou lançar um filme com a Dani Calabresa, intitulado “Mude de Vida, Pergunte-me Como”. O Papo de Segunda na GNT continua firme. Irei dublar novamente o personagem Olaf na animação Frozen 2. E, dependendo da aceitação do público, uma segunda temporada de “Homens?” pode vir por ai”. Ao ser questionado sobre uma possível volta do “Tudo Pela Audiência“, que Fábio apresentava ao lado de Tatá Werneck no Multishow, ele lamenta: “Infelizmente acabou”.

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