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“Já sofri preconceito no mercado, shopping e rua. Só amor cura”, diz Pedro Lobo que fez bonito em ‘Bom Sucesso’

Com apenas 17 anos, ele vem ganhando espaço nas telinhas e interpretou o personagem Ramon, que, na fase adulta, é vivido por David Junior. “Nesse momento, eu enxergo que a sociedade precisa se unir e tentar ajudar mais o próximo. As pessoas têm que se tornar mais responsáveis por aquilo que falam, ter mais empatia", afirma o ator que falou ainda com o site HT sobre a importância do protagonismo negro na sociedade

Publicado em 16/09/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Domênica Soares

Guarde esse nome: Pedro Lobo. Aos 17 anos, ele viveu o personagem Ramon, um morador do subúrbio do Rio de Janeiro, que ganhou uma bolsa de estudos para jogar basquete nos Estados Unidos e deixou sua namorada (Isabella Scherer/ Grazi Massafera na segunda fase), grávida no Brasil. Tempo depois, Ramon volta para rever sua ex, que acreditava estar doente, e tenta conquistar o amor de sua filha. Foi nesse cenário que Pedro fez sua imersão para atuar na novela das19h, “Bom Sucesso”. Segundo ele, seu entrosamento com David Junior aconteceu de forma rápida e espontânea, com muitos papos e dicas que fizeram o personagem crescer com harmonia. “O processo foi muito produtivo e pude viver bastante o contexto, porque o personagem passava por quase todas as emoções das quais também estou vivendo. Eu e o David fizemos uma leitura juntos do texto, peguei alguns trejeitos dele, como por exemplo, seu andar, comportamento, manias, entre outros. Pude perceber que ele é muito parecido comigo, principalmente o jeito de andar e falar, e isso facilitou muito o processo de criação. E, além de tudo, o jeito com que Ramon se entrega aos seus sonhos é muito parecido comigo”, conta. 

Pedro Lobo estreou na novela “Bom Sucesso” (Foto: Douglas Jacó)

O ator dividiu cena com Isabella Scherer, que viveu a versão mais jovem de Grazi Massafera. A dupla gravou em locações como aeroporto, praia, cidade cenográfica e até em uma quadra de escola de samba, onde Pedro teve sua primeira experiência com a cuíca e com a energia do carnaval. “Quando começou a tocar a bateria, me arrepiei todo. É uma energia surreal. Não deu tempo de sair um dominador no assunto, mas o mestre de bateria me ensinou alguns truques que funcionaram bem para a gravação: colocar a mão dentro da cuíca e ficar movimentando o braço para frente e para trás, sem esquecer o carão”.

Ele conta que o convite para participar da novela surgiu de uma forma emocionante e que não esperada. Estava chegando à casa quando recebeu uma chamada de um número desconhecido, que não havia atendido, mas após a segunda tentativa atendeu o telefone e era o Fábio Zambroni. “Meus olhos se encheram de lágrimas, eu chorei muito e claro, aceitei e agradeci. Fiquei muito feliz! É a realização de um sonho. Ele até brincou comigo dizendo que não era para eu morrer de emoção, pois ainda precisava de mim”, conta animado com o projeto. 

Em entrevista exclusiva ao site Heloisa Tolipan, Pedro falou sobre a importância do protagonismo negro na sociedade, e nesse caso em específico, principalmente sobre esse protagonismo nas novelas. Ele cita que as emissoras já abordaram temas relacionados à questão, mas que apesar da bandeira ter sido levantada, os papéis ainda não eram os principais. Segundo ele, ‘Ramon’ chegou nas telinhas e colaborou para essa luta contra o preconceito o que o deixa feliz pela boa repercussão e pelo número de pessoas que essa ideia pode atingir. “Acredito que esteja acontecendo uma evolução diante desse cenário, mas acho que ainda temos um longo caminho  pela frente. E não falo só da dramaturgia. São vários os dados que apontam diariamente que, por exemplo, profissionais negros ganham menos, ou que por preconceito policiais matam mais dos meus. O que é sempre muito triste. São problemas culturais que aos poucos conseguiremos vencer. Já temos profissionais incríveis como Taís Araújo, Lázaro Ramos, Camila Pitanga, Ícaro Silva, e até Glória Maria e Heraldo Pereira, ícones da dramaturgia e jornalismo, respectivamente, que nos ajudam a reforçar este debate”. No entanto, ele alerta que ser um ator negro ainda é cruel e tem suas dificuldades, mas que acredita na melhora desse cenário. “Nesse momento de crise, enxergo que a sociedade precisa se unir e tentar ajudar mais o próximo, as pessoas têm que se tornar mais responsáveis por aquilo que falam, ter mais empatia, porque só o amor é a cura”, frisa. 

Ator fala sobre representatividade na sociedade (Foto: Douglas Jacó)

O ator conta que já sofreu preconceito em vários momentos de sua vida, mas que tenta não absorver essas questões. “Já sofri preconceito em vários momentos da minha vida. No supermercado, no shopping, na rua, entre outros lugares. Às vezes, ele vem de forma mais escancarada, ou até mais disfarçado. Mas procuro não deixar que isso me defina”. Ele comenta que suas maiores inspirações são Milton Gonçalves, Lázaro Ramos, Maicon Rodrigues, Will Smith, The Rock e Johnny Depp. Pedro diz que sua paixão pela arte sempre esteve presente em sua vida, mas pontua dizendo que aos sete anos fez uma participação na novela “Passione”, foi para o teatro e segue sua trajetória fazendo esses trabalhos nos palcos e na TV. Ele não descarta ampliar ainda mais seus horizontes e divide que seu maior sonho é construir uma carreira consolidada na TV, citando que tem muita vontade de fazer algum vilão, no teatro e se aventurar no cinema. “Quero aprender todo dia uma ferramenta nova e fazer diferença na vida das pessoas com a minha arte”, finaliza.

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