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Fabiula Nascimento é a estrela do novo editorial do site HT, fotografado no Rio Othon Palace

No ar como a Cacau de Segundo Sol, a atriz celebra seus 21 anos de carreira, plena na vida pessoal e profissional. "Eu passei por tudo, como falta de dinheiro, mas nunca fiquei sem trabalho. Sempre trabalhei e sempre consegui dar conta das minhas coisas. Nunca pensei em desistir, nunca pensei que não era algo para mim, sempre pensei que iria dar certo. Eu sempre fui muito positiva’’, conta a atriz. O resultado completo do papo e das fotos by Guilherme Lima, com styling de Anderson Vescah e beleza de Nathalie Billio vocês conferem aqui embaixo. Vem com a gente!

Publicado em 25/07/2018 | Por Junior de Paula

Fabiula Nascimento é uma daquelas pessoas difíceis de se colocar em uma caixinha. Curitibana, a atriz saiu da cidade natal para se aventurar pelas ruas cariocas a fim de construir uma carreira e desde então nunca mais foi a mesma. Em si, há um pouco de tudo o que viveu, desde os dias que viu o sol se pôr na praia em um dia de folga até as personagens que encantaram quem se permitiu viajar pelo mundo do teatro brasileiro, criando uma complexidade que pertence somente a ela. Prestes a completar 40 anos, Fabiula colhe os frutos da jornada que começou em 1996 e agora tem a oportunidade de mostrar mais uma vez a que veio como a irreverente Cacau, na novela das 21h de João Emanuel Carneiro, ‘’O Segundo Sol’’. Durante uma exclusiva sessão de fotos para o editorial do Site HT, realizada na suíte do Rio Othon Palace, com cliques de Guilherme Lima, styling de Anderson Vescah e beleza de Nathalie Billio, Fabiula Nascimento relembrou o início, complexo mas cheio de afeto, da carreira e refletiu sobre todas as suas nuances de uma mulher empoderada, feminista e, acima de tudo, realizada.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio /Créditos: Camisa Levi's / Soutien De Chelles / Saia Gata Bakana / Colares Pandora /Scarpin Arezzo)

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio /Créditos: Camisa Levi’s / Soutien De Chelles / Saia Gata Bakana / Colares Pandora /Scarpin Arezzo)

Com mais de 18 filmes, 30 peças e inúmeros trabalhos na televisão, Fabiula Nascimento pode ser facilmente considerada hoje um dos maiores nomes do futuro da dramaturgia brasileira. Autor de grandes novelas, João Emanuel Carneiro transformou-a em sucesso nacional ao escrever Olenka, uma suburbana encantadora que roubava a cena em ‘’Avenida Brasil’’. A parceria foi um sucesso e agora retorna com força total na pele de Cacau, uma personagem com um texto tão bom quanto a da primeira vez, o que para a atriz é o que faz a troca entre os dois ser tão única na sua carreira. ‘’É sempre um prazer fazer uma novela dele, porque ele é muito inteligente. A ponto de abrir o texto para o elenco colocar a mão, melhorar para falar, colocar gírias, colocar o que a gente trabalhou, sabe? Ele deixa a gente existir, criar junto, e isso é de uma inteligência fora do comum’’, conta.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio /Créditos: Camisa Levi's / Soutien De Chelles / Saia Gata Bakana / Colares Pandora /Scarpin Arezzo )

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio /Créditos: Camisa Levi’s / Soutien De Chelles / Saia Gata Bakana / Colares Pandora /Scarpin Arezzo )

No início da trama, ela começou como a irmã da protagonista, Luzia (Giovanna Antonelli), que ficou encarregada de cuidar dos sobrinhos enquanto tenta conciliar a responsabilidade com a vida pessoal e seus próprios sonhos. Agora, Cacau é um dos destaques da história e, em meio a tantos problemas, principalmente amorosos, conquista o coração dos brasileiros com seu jeito popular e empoderamento feminino. ‘’A Cacau ocupa um lugar muito interessante na trama. Ela transita por todas as situações tanto da irmã, da família, com os dramas do sobrinho, com as histórias dos amores mal resolvidos. Ela é uma personagem bem popular, que as pessoas se enxergam nela e conseguem se ver representadas. Uma mulher que tem o seu próprio trabalho, independente, foi atrás do seu sonho, que tem voz ativa e é muito positiva também. Ela tem essa coisa de ser prestativa, prática. Eu acho que tudo isso encanta’’, diz Fabíula, enquanto se preparava para iniciar a sessão de fotos. Sem pensar duas vezes na hora de aceitar a proposta, a atriz se viu atraída exatamente por essa independência, complexidade e irreverência tão presente na trajetória da personagem. ‘’Eles me apresentaram como uma mulher posicionada, praticamente uma feminista. Até mesmo lá atrás sem saber o que era feminismo, aquela mulher já tinha as atitudes de uma feminista: querer ter seu próprio negócio, sua carreira, não querer ter filha, ser dona do seu próprio corpo e do seu desejo’’, afirma.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio /Créditos: Camisa Levi’s / Soutien De Chelles / Saia Gata Bakana / Colares Pandora /Scarpin Arezzo)

Imperfeições humanas à parte, é assim que Cacau transforma-se a cada semana em uma representação tão necessária para a elevação do debate acerca do papel da mulher, embora não seja o único possível – sempre bom lembrar -, para a sociedade atual, que demanda uma mudança no sistema patriarcal e machista cuja influência perpetua em uma imagem objetificada, sexualizada e estereotipada da mulher não só na arte como também no cotidiano. ‘’Temos que nos posicionar cada vez mais, porque a mulher foi criada em um universo patriarcal para ser oprimida, para ficar muda e não ter opinião. Isso é uma coisa que vai se dissolver ao longo dos anos, não é algo de imediato. Mas eu acho que agora é o momento, onde tudo está aflorado, que a gente deve falar sobre isso sempre que puder, esclarecer mulheres o tempo inteiro que vivem ainda uma situação de violência, de dependência, achando que aquele lugar é o melhor para estar, porque acredita que não vai ser nada na vida’’, declara.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Camisa e jaqueta Calvin Klein/ Calça Sublini / Tênis Adidas )

Para Fabiula, o trabalho do feminismo é igual ao de formiguinhas: de pouco em pouco, de debate em debate, o ideal social ficará mais próximo, fortalecendo cada vez mais a união entre as mulheres. ‘’Tudo o que aconteceu está reverberando. Nós mesmas fomos à frente e colocamos nossos problemas e questões, dividindo e ajudando. Tem essa união que está rolando forte e não é uma brincadeira, é forte mesmo e eu acho que juntos vai ser mais potente ainda. Tem que partir muito da gente, nós fazemos aqui e ali para o outro entender e passar para frente, e quando a gente perceber estamos em um espiral enorme de coisas positivas. Eu acredito muito nisso’’, reflete.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio / Créditos: Camisa e jaqueta Calvin Klein/ Calça Sublini / Tênis Adidas )

Assim como Cacau, Fabiula Nascimento sempre carregou em si atitudes feministas sem ao menos saber que se tratava do movimento. Aos 19 anos, quando saiu de casa em busca do seu sonho, Fabiula foi empoderada. Queria a independência e crescer à custa do seu próprio mérito.  ‘’Eu sempre fui seguindo a minha vida e tive que me proteger, me defender. Eu olhava nos olhos das pessoas que vinham com algum gracejo e falava que essa situação não iria acontecer. Isso sempre foi algo muito natural meu, de ter que estar sempre à frente, porque não tinha ninguém para me dar a mão e dizer que cuidaria de mim. Se fosse depender da minha família, eu seria uma oprimida com certeza, viveria calada, em um casamento eterno’’, relembra. Hoje, envolvida em debates com outras mulheres e em leituras sobre o assunto, a atriz afirma sem titubear que é, sim, Feminista com F maiúsculo. Na prática, além dessas pequenas atitudes diárias, Fabiula participa do projeto Mapa de Acolhimento, uma plataforma que busca criar uma rede de apoio para mulheres que sofreram algum tipo de violência, uma das principais causas da luta.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Tricô Dimy / Calça Colcci )

Sempre em construção, a atriz espera torna-se a partir dos erros e experiências que viveu não só uma melhor feminista como também pessoa melhor do que é hoje, eliminando atitudes e pensamentos que hoje já não são mais aceitos. Até porque ninguém é perfeito, ainda mais na conjuntura desta sociedade. ‘’Por exemplo, nessa onda de pegar tweets antigos das pessoas para ver o quanto elas eram machistas é claro que vai achar porque isso era um pensamento massificado que ninguém parava para pensar, era um movimento natural. As pessoas deviam inclusive, para se auto conhecerem, olhar o passado para ver quem era e quem é hoje, o que você quer ser. Eu quero todos os dias ser uma pessoa melhor. Todo mundo já cometeu alguma dessas infrações, mas hoje não dá mais e não dá mesmo e eu estou sempre passando recados. A pessoa faz alguma coisa errada e eu já falo ‘’Meu amor, vem cá, não faz isso não’’. Tem que ser no afeto, eu não acredito em nada na violência. Não tem que fazer plateia, tem que ser amorosa com as pessoas, porque assim vem a mudança’’, afirma.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Tricô Dimy / Calça Colcci )

Se por um lado Cacau, assim como Fabiula, sabe muito bem o que é e o que quer, por outro, a personagem vive em uma constante dúvida. Dividida entre dois homens, Edgar (Caco Ciocler) e Roberval (Fabrício Boliveira), e com a cabeça virada ao avesso, a vida amorosa da baiana é uma verdadeira montanha-russa: apaixonada por um, desconfiada do outro, quer casar, não quer e por aí vai. Para a atriz, a loucura dos romances da personagem é tanta que nem ela se atreve opinar com quem ela irá terminar. Mas de uma coisa Fabiula sabe: as relações são esquisitas, distintas e nada saudáveis. ‘’Tem muita coisa para acontecer. Se for para ter uma opinião sobre esse relacionamento, eu não faria ideia do que vai acontecer e como vai terminar, porque cada um é de um jeito. Agora estou sem torcida, estou analisando porque são relações muito desestabilizadas e eu não sei se seria bom para eles se manterem nisso. Tem muitas questões com o Edgar do passado e do presente com o Roberval. É muito confuso e eu acho que tem um aspecto de ficar tudo na base do ‘’E se?’’, ela precisa atualizar essas relações’’, diz.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Soutien De Chelles sobre
Camisa Colcci/ Calça Borda Barroca )

Na pele de Cacau, o drama está garantido e é isso que o público busca quando liga as telinhas. Já como Fabiula Nascimento, o coração não podia estar mais tranquilo. Juntos há quase dois anos, a atriz e Emílio Dantas (Beto Falcão) um dos protagonistas de ‘’O Segundo Sol’, provam que, às vezes, misturar vida pessoal com profissional pode ser a receita do sucesso e da felicidade.  ‘’Nós sabíamos que ia ser legal, a gente queria muito trabalhar juntos e aconteceu. É fantástico, porque o Emílio é extremamente talentoso, tem outra visão quando ele atua, vai para outros caminhos, assim como eu. Então, é uma troca bacana’’, conta. Apaixonada e com um semblante iluminado – não era só a maquiagem poderosa, acredite -, Fabiula continuou com uma lista de elogios, mostrando que não poderia estar mais feliz com o parceiro de vida e de profissão que apareceu no momento certo. ‘’Ele é zero competitivo, não é invejoso, ele é um cara todo amoroso com o trabalho. Ele é muito generoso com todos os parceiros dele, e ele só sabe trabalhar na generosidade. Então, é fantástico estar com um cara que tem a mesma profissão que você, que não compete com você, te ama e te ajuda!’’, enumera.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Soutien De Chelles sobre
Camisa Colcci/ Calça Borda Barroca )

Como se não bastassem as polêmicas com dois pretendentes, a Dona Flor e seus dois maridos da atualidade ainda precisa lidar com mais um homem na sua vida: Ícaro (Chay Suede), sobrinho e filho de Luzia. Rebelde e abandonada pela mãe, o jovem deu bastante dor de cabeça à tia ao entrar no ramo da prostituição e se envolver com Rosa (Letícia Colin), agora ex-namorada e uma das parceiras da cafetina Laureta (Adriana Esteves), criando atritos na relação praticamente de mãe e filho dos dois. ‘’Ela precisa lidar com muitas questões com relação a ele: mãe, prostituição, enfim. É mais uma relação de uma mulher que não queria ter filhos, então ela não tem vocação de mãe, mas ela tem uma responsabilidade com aquele ser. Agora essa criação não vai ser tão amorosa porque eles estão desconectados, mas eles se amam, tanto que quando Icaro precisa de afeto ele vai atrás’’, conta a atriz que entre cenas  estabeleceu uma relação de irmão com o ator mais jovem. Embora o trabalho como garoto de programa tenha sido um fator para o distanciamento entre os dois na trama, na vida real Fabiula enxerga a situação com um olhar muito mais liberal. Sempre livre de julgamentos, a atriz acredita que é um erro a profissão ainda ser vista como um tabu, já que para ela é uma escolha profissional como qualquer outra. ‘’É uma profissão, a mais antiga inclusive. Eu acho que temos que ver isso com um olhar cada vez mais natural, é um tabu para a sociedade. Tem tanta coisa que é um tabu que tem que morrer, né? Eu sou a favor da legalização, as pessoas têm o direito de fazer o que quiserem e eu não vejo problema nenhum’’, declara.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Soutien De Chelles sobre
Camisa Colcci/ Calça Borda Barroca )

Diferente do sobrinho da ficção, Fabiula, embora tenha um espírito livre, nunca se envolveu em rebeldias joviais, nem mesmo quando saiu da casa dos pais para viver de forma independente. No auge dos seus 20 e poucos anos, a atriz se preocupava com as responsabilidades que iriam lhe ajudar virar atriz. ‘Eu sempre fui muito responsável, desde muito cedo, minha vida sempre foi assim: trabalhei, tive comércio com a minha família, tive responsabilidades, tive um salão com a minha mãe antes de ser atriz, fiz curso de cabeleireira, cortava cabelo. Então, eu tive muitas responsabilidades e não tive tempo para essas rebeldias. E nem podia porque na minha casa bastava um olhar e você já ficava muda’’, afirma. De certa forma, foi nesse ambiente e a partir dessas experiências que Fabiula Nascimento foi se moldando como mulher e artista, sempre com o pé no chão, humilde e tendo em mente de que nada na vida é fácil, mesmo quando está completando 21 anos de carreira muito bem sucedida, diga-se de passagem.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Camisa Weider Silveiro / Calça Levi’s )

Leonina de corpo e alma, não é surpresa nenhuma ver Fabiula Nascimento roubando todos os holofotes para si. No entanto, nem tudo são flores e o caminho para colher todas as flores do sucesso foi espinhoso, mas não impossível para uma mulher em busca do seu sonho. ‘’Eu passei por tudo, como falta de dinheiro, mas nunca fiquei sem trabalho. Sempre trabalhei e sempre consegui dar conta das minhas coisas. Nunca pensei em desistir, nunca pensei que não era algo para mim, sempre pensei que iria dar certo. Eu sempre fui muito positiva com isso, mas a gente passa por tudo’’, conta a atriz, que acredita que tudo o que viveu foi necessário para a sua formação e visão de mundo. Em 2006, Fabiula filmou ‘’Estômago’’, o trabalho que narra a trajetória de um nordestino na cidade grande e que para ela foi o divisor de águas na sua carreira, lançando o seu nome para o mercado de trabalho brasileiro. Logo depois, ao lado da amiga e atriz Katiuscia Canoro, que trabalhava com ela no teatro em Curitiba e com quem dividiu apartamento, Fabiula Nascimento chegou ao Rio de Janeiro em 2007 de mala, cuia e um DRT (registro dos atores) debaixo do braço e um currículo de peças produzidas, principalmente infantis na cidade natal, a convite do diretor Mannschafts para estrelarem uma peça no Planetário do Rio.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Camisa Weider Silveiro / Calça Levis )

O primeiro desafio na cidade grande? Ter público. Durante a temporada, diversas sessões foram canceladas, afinal elas eram peixe pequeno perto do espetáculo com Maria Clara Gueiros, que estava em cartaz no prestigiado Teatro da Gávea. Entre um trabalho e outro, um deles o clássico ‘’Macbeth’’, a jovem atriz se manteve firme no objetivo, mesmo com apenas 400 reais para passar o mês. No entanto, podia ser pior: pelo menos, era no Rio de Janeiro, onde tinha praia, mate e Biscoito Globo. ‘’A gente passava o mês com esse dinheiro e nunca foi um martírio para a gente. Sempre foi tranquilo. A gente passava a nossa folga na praia, porque na praia era barato e a gente se divertia. É um espaço extremamente democrático, e se você sentava com 10 reais você tomava um mate, comia um biscoito globo… é um lugar que você vai e pode levar coisa de casa, e passa o dia feliz. Isso é muito legal do Rio, de você ter uma fuga com a natureza, que não te custa nada. Você não precisa pagar, é só entrar e ser feliz’’, relembra.

Embora já seja um nome reconhecido e aplaudido, Fabiula ainda percebe algumas dessas dificuldades nos dias de hoje, principalmente com relação ao público. Hoje, ela tem condição financeira de produzir um espetáculo sem o auxílio de leis de incentivos, por exemplo. Mas de que isso adianta se não há platéia? Para ela, adianta muito e é a melhor forma de resistir: produzindo arte constantemente, sempre de forma relevante. ‘’Você lotar um teatro é um ato de resistência, só de levar alguém até lá para lhe ouvir. É assim que tem que ser: atuando, levando, fazendo, falando cada vez mais sobre coisas pertinentes, divertindo também, porque é o lugar do entretenimento, não pode deixar de ser. Tem que ter também preocupação muito grande com o público infantil, porque eu acho que você forma platéia quando elas são pequenas, você faz com que elas fiquem interessadas. É educação, e faz parte dela, não é algo supérfluo. Educação e cultura são algo básico para sermos melhores seres humanos’’, reflete.  

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio /Créditos: Camisa Levi’s / Soutien De Chelles / Saia Gata Bakana / Colares Pandora /Scarpin Arezzo)

Com uma ligação extremamente íntima com o teatro, a atriz enxerga o palco como o lugar mais puro de manifestação artística e só esse motivo deveria ser o suficiente para mantê-lo vivo. ‘’O teatro é um lugar mágico, onde você finge que acredita e o outro finge que é. É o lugar onde você pratica tudo, política, educação. É um espaço onde você pode falar o que quiser. Ainda. É um espaço extremamente democrático, de todo mundo’’, declara. Essa paixão pela arte teatral tem uma história, quase como um conto de fadas. Apesar de ter sido lançada nacionalmente nos cinemas, Fabiula Nascimento já era cria de teatro uma década antes. Sem formação acadêmica, aprendeu tudo o que sabe nas coxias das produções, observando as apresentações e cada trejeito de cada ator do elenco. ‘’Eu fiz muita contra-regragem para peça de teatro e você fica na coxia observando o elenco brilhar. É o melhor aprendizado do mundo, eu nem sei o que dizer sobre teatro’’, conta Fabiula que se apaixonou pela honestidade da arte e da conexão que ela cria com o público.  ‘’É o lugar do ator, não tem pausa, não tem câmera editando a sua emoção. É o real’’, completa. 

Assim como em todos os papéis que interpreta, mas principalmente no teatro, Fabiula Nascimento busca sempre elevar uma discussão para com o público, gerando emoções e reflexões a fim de transformar a sociedade com um tijolo de cada vez. ‘’Eu busco os temas que eu gostaria de falar, que as pessoas precisam escutar e conversar sobre. Eu acho que ainda tem textos que são muito antigas, que ainda promovem um lugar da mulher menosprezada. Temos que ir à frente, falar das relações, o que é amar alguém, abrir os horizontes e mostrar a transformação, não reproduzir o que já foi feito, ainda mais de uma maneira misógina e barra pesada que a gente sabe que é a estrutura na qual fomos criados. É um lugar pra mim de fala muito incrível, que promove uma discussão, onde as pessoas estão ali. Você pode fazer alguém chorar, se emocionar, vai te dar um abraço caloroso e verdadeiro’’, reflete. Até mesmo quando não é necessariamente um papel interpretado por ela, a atriz busca no projeto uma abertura para que ele seja um meio transformador. Como foi o caso de ‘’O Segundo Sol’’, quando ocorreu  a polêmica com relação à ausência de negros na trama. Preocupada com as questões sociais, Fabiula acredita que a discussão em torno da novela foi necessária e tardia. ‘’Eu achei que ia gerar uma discussão saudável, e isso me interessa. E realmente gerou elevando o problema para falarmos sobre isso já que estamos em um horário nobre e aproveitando esse espaço para ouvir o que as pessoas têm para dizer, para tentar de alguma maneira elevar essa discussão. Eu acho que nós fomos boi de piranha para essa mudança, e eu espero essa mudança, eu quero essa mudança do fundo do meu coração’’, afirma.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Vestido Viviane Furrier / Segunda pele Karin Matheus / Bota Beira Rio / Colar Atelier Chilaze )

Para ela, a polêmica é o primeiro passo para que esse cenário se modifique. No entanto, o caminho é lento até que a sociedade assimile de uma vez por todas as questões expostas por esses debates. ‘’‘Nós temos muitas pessoas talentosas, não só na arte como em tudo quanto é lugar. A gente tem que realmente abrir o caminho, espaço, e receber essas pessoas que têm os mesmos direitos. Esse preconceito para mim é algo surreal’’, diz. Sempre sem esquecer do teatro, que ela promete que não vai ficar muito tempo distante, afinal não foi uma experiência muito positiva como ela mesma disse – ‘’Eu fiquei um tempo sem fazer teatro e foi algo drástico’’ -, Fabiula Nascimento não fica parada e já tem na manga diversos projetos para serem lançados. Na lista de novidades, que tem em média quatro filmes – um mais diferente que o outro e que mostra a versatilidade dela como artista -, está os longa-metragens ‘’Como é Cruel Viver Assim’’, de Julia Rezende que chega aos cinemas em agosto, e o mais comentado desde que o trailer foi lançado: ‘’Morto Não Fala’’, um terror sangrento de Denninson Ramalho que irá contar a história de um funcionário de um necrotério que estabelece uma comunicação com os mortos, libertando uma maldição. Com pre-estreias rolando, o filme foi a oportunidade da atriz de realizar um projeto nesse gênero, que tanto marcou a sua infância. ‘’Eu morria de medo de ver filme de terror, mas eu queria muito ver, então eu alugava ‘’Cemitério Maldito’’ e assistia às 9h da manhã, com a casa toda aberta e ficava pensando no filme o dia inteiro. Eu me amarrava e até hoje eu gosto de filme de terror, gosto de assistir, mas agora eu sou uma adulta e sei que isso é cinema, então tudo bem, agora eu até faço filme’’, brinca a atriz, que caracteriza a sua personagem no filme como ‘’o próprio terror’’.

(Foto: Guilherme Lima/ Styling: Anderson Vescah/ Beleza: Nathalie Billio/ Créditos: Tricô Dimy / Calça Colcci )

No meio de todos esses caminhos artísticos que tem percorrido, Fabiula Nascimento deixou de ser a jovem de 19 anos e encontrou a sua verdade:  sem a arte não haveria nenhuma Fabiula Nascimento para início de conversa. ‘’Tudo o que eu sou, a mulher que sou hoje é resultado desses 20 anos desde que eu saí de casa, fui ganhar o mundo e fui vendo como que eu poderia existir da melhor maneira possível e eu tenho várias pessoas que transitaram na minha vida. Eu sou uma colcha de retalhos, tem de todo mundo um pouco em mim. Todo mundo que eu passei pela vida eu ganhei alguma coisa e eu deixei algo de volta também’’, conta. Realizada e segura de si, os 40 anos não assustam a atriz. Entre um desejo de mudar algum defeito e um pensamento de quanto tempo passou, ela encontrou a plenitude e tem certeza de que não mudaria nada nesse momento. Aqui e agora, é o seu lugar. ‘’Eu estou no lugar certo, está tudo certo. Eu acho que sempre esteve tudo lá, todos os lugares que eu transitei pro bem ou pro mal eu tinha que estar. Eu não mudaria nada, mesmo. Hoje eu estou realmente em uma plenitude de vida, a calma que eu acho que vem com a idade, que vem com as relações já estabelecidas, com seu amor próprio latente que permite que você ame mais gente. Isso só se potencializa, então pra mim está perfeito. Eu não mexeria em nada’’, declara. É com esse espírito que Fabiula se despede dos 3.9 e segue em frente para conquistas tantas outras mulheres que virão depois de Cacau, afinal ela não está para brincadeira!

Equipe:

Foto: Guilherme Lima
Styling: Anderson Vescah
Beleza: Nathalie Billio
Produção de Moda: Lucas Bueno
Assistente de foto: Hugo Machado
Agradecimentos:
Rio Othon Palace
Muniky Sena

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