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Estrela do editorial exclusivo do site HT no Rio Othon Palace, Juliano Laham fala sobre xenofobia, conquistas LGBT, carreira e mais!

O novo galã da Globo acabou de sair de uma teledramaturgia que marcou para sempre a sua carreira. Em Orgulho e Paixão, ele protagonizou o primeiro beijo entre dois homens em uma novela das 6. Além de falar sobre homofobia, o ator ainda comentou sobre o futuro do país

Publicado em 17/10/2018 | Por Ana Clara Xavier

*Com Junior de Paula

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Casaco de tricot: M.D / Jeans: Renner / Tênis: Vert)

Ele é a mistura do Brasil com o Líbano. Poderia ser um verso de uma música do É o Tchan nos anos 90, mas é só a mistura que deu como fruto um ator de sucesso com um coração do tamanho do território tupiniquim. Com um sorriso no rosto e palavras sempre doces, Juliano Laham é um gentleman, daqueles de filmes antigos de Hollywood. Mas engana quem pensa que não tem um pouco de rebeldia por trás do bom moço e foi exatamente isso que quisemos mostrar nesse editorial exclusivo do site HT, clicado no Rio Othon Palace, inspirado em James Dean. Na carteira de trabalho, o rapaz possui apenas quatro anos de dedicação integral às artes cênicas, mas há quem diga que tempo não é parâmetro e, neste caso, não é mesmo. O currículo recheado de papéis marcantes é a prova de que nos deparamos com o mais novo galã da Globo. Sempre antenado com causas sociais e completamente livre de preconceitos, ele protagonizou o primeiro beijo entre dois homens em uma novela na faixa das 6h, Orgulho e Paixão, que terminou recentemente. E, por isso, e muito mais, ele foi o escolhido para protagonizar as fotos feitas por Marcio Farias,com beleza de Stephanie Farah e styling de A-Produção. Entre um figurino e outro, a gente aproveitou para bater um papo com Juliano Laham sobre família, homofobia, xenofobia, carreira e eleições 2018.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Jaqueta Levi’s, Jeans Docthos, Regata Reserva)

Há algumas semanas, o público de casa estava dando adeus à novela Orgulho e Paixão. Assumidamente feminista, a trama trouxe questões sociais importantes para a reflexão do público. No entanto, o que fez este produto marcar para sempre a história da emissora foi a exibição do primeiro beijo entre homens do horário, que foi protagonizado por Juliano Laham e Pedro Henrique Müller. “Com toda a certeza, este personagem foi um grande presente na minha vida. Foi incrível poder falar sobre este preconceito. Acompanhei de perto a transição dele e encarei todas as dificuldades que teve para se aceitar e contar para a família sobre a sua condição”, relembrou.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Casaco de tricot: M.D / Jeans: Renner / Tênis: Vert)

Antes do folhetim de Marcos Bernstein, o ator havia feito parte do elenco de Malhação. Embora ambos os trabalhos tenham sido importantes, ele confessou que Luccino Pricelli possui um espaço especial em seu coração por conseguir passar uma mensagem muito importante ao público de empatia e aceitação. “Temos sempre que respeitar o próximo sem julgamentos. Precisamos nos respeitar da forma como somos”, comentou. De acordo com o artista, a emoção era tão grande que chegava a chorar quando finalizava uma cena.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Camisa bege: Beagle/ T-Shirt: Zara/ Jeans: Damyller / Sapato: Melissa/ Óculos: Zerezes)

O ano, na trama em questão, era 1910. Mais de um século se passou desde então e a esperança era vermos grandes mudanças na nossa sociedade atual. Porém a realidade não é bem assim. O tal beijo causou uma grande repercussão nas redes sociais. Enquanto na trama o casal sofria preconceitos pelo seu relacionamento, na vida real a internet se dividia entre celebrações e julgamentos à teledramaturgia. “É uma sociedade antiga, mas, se mudarmos o cenário, o contexto é o mesmo. Vivi aquilo dentro de um produto audiovisual, porém é algo que sempre acontece na vida real. Muitas pessoas recebem ameaças de vida. Foi um papel social muito importante para este momento atual”, afirmou.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Casaco de tricot: M.D / Jeans: Renner / Tênis: Vert)

Juliano não se abala nem um pouco, por saber estar do lado certo da história De acordo com o ator, o seu papel na sociedade é passar grandes mensagens de vida real a partir de histórias ficcionais. “Muitas pessoas me escreveram dizendo que este papel as ajudou, porque os familiares começaram a entender o que é a orientação sexual. É incrível poder proporcionar estas mudanças”, comentou. Para ele, esta troca com o público valeu integralmente todo o seu trabalho.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Bomber Jacket: Levi’s/ T-Shirt: Armadillo/ Jeans: Reserva/ Tênis: Vert/ Meia: Zara)

Depois da finalização de Orgulho e Paixão, o ator já está com um trabalho na manga. Apaixonado pelo teatro, Juliano encara este hiato entre um folhetim e outro como uma excelente oportunidade para retornar aos palcos, que ele autointitula como sua segunda casa. “Teatro é mágico. Não dá para explicar. Estar na ribalta me apresentando para uma única pessoa ou para mil é algo emocionante. Foi onde comecei e onde sempre termino”, brincou. Atualmente, ele está trabalhando na captação de recursos para viabilizar a apresentação de uma comédia romântica baseada nos contos de Luis Fernando Verissimo. Com texto de Regiana Antonini e direção de Fernando Gilbert, o projeto é considerada por ele como algo muito pessoal e que tem a intenção de  rodar o Brasil.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Jaqueta: Zara/ T-Shirt: Zara/ Jeans: Reserva/ Bota: Melissa)

Com apenas 25 anos e quatro de carreira, o único meio que Juliano Laham não explorou são os enredos cinematográficos. Mesmo assim, o artista garantiu que isto não deve durar muito já que vontade é algo que não lhe falta, afinal, ele parece carregar o gosto pela dramaturgia desde o berço. Embora não tenha entrado de primeira nesta profissão, o galã já possuía uma inclinação para a área desde o seu batismo. “Quando estava na barriga da minha mãe, ela e meu pai discordaram bastante do nome que eu teria. Minha mãe queria que eu me chamasse ‘Juliano’, porque, segundo ela, era nome de artista”, relembrou.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Jaqueta Levi’s, Jeans Docthos, Regata Reserva)

Apesar de ser predestinado a brilhar nos palcos e telinhas, o rapaz chegou a apostar na carreira de engenharia e piloto de helicóptero antes de embarcar neste mundo artístico. “Um dia, vendo os aviões pousando, comecei a me perguntar se aquilo realmente era algo que eu gostava. Percebi que queria ajudar as pessoas através do meu trabalho e com aquela profissão isto não aconteceria”, contou. Foi através da indicação de um amigo que ele acabou descobrindo o seu lugar no mundo. O ator acabou investindo em um curso teatral da Fátima Toleto e, a partir de seu encantamento, decidiu sair de São Paulo, em 2014, para morar no Rio de Janeiro para tentar a sorte.  “Amo o que faço. É gratificante sair de cena e ver o público transformado. Não parei mais”, confessou.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Camisa bege: Beagle/ T-Shirt: Zara/ Jeans: Damyller / Sapato: Melissa/ Óculos: Zerezes)

Apesar das coincidências da vida, o destino parece ter colocado Juliano Laham no caminho certo antes mesmo de o galã nascer. Na verdade, para entender de onde o rapaz vem é necessário analisar toda a sua árvore genealógica. Com sangue libanês e nascimento em solo brasileiro, foi através de coincidências da vida que o levaram a estar no Brasil neste exato momento. O talento artístico é algo que corre em suas veias, afinal, é filho da primeira modelo internacional do Líbano, Luciana Farah, queridinha de Elie Saab nos anos 90. O sucesso de sua mãe acompanhado do trabalho autônomo de seu pai levaram o casal a morar no Brasil por algum tempo na busca de melhores oportunidades. Foi neste meio tempo que Juliano acabou vindo ao mundo. Com apenas seis meses, ele foi morar no Líbano onde viveu até completar cinco anos. No entanto, o pai do artista acreditava que o solo brasileiro seria melhor para a criação de seus filhos. “Por ter altos índices de miscigenação, o Brasil recebe de braços abertos o mundo inteiro. O povo ama este lugar de todas as formas, afinal, temos várias culturas dentro do nosso próprio território”, comentou. Exatamente por isto que a família retornou. No entanto, aos 10 anos, acabou saindo novamente do país para passar um período na Inglaterra e no Qatar.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Bomber Jacket: Levi’s/ T-Shirt: Armadillo/ Jeans: Reserva/ Tênis: Vert/ Meia: Zara)

Com uma quantidade tão extensa de carimbos no passaporte e uma vivência incrível de mundo, Juliano Laham acaba simbolizando muito bem o real significado da globalização e da miscigenação cultural. “Minha mãe até brinca que nós parecemos uma família de ciganos, porque nunca paramos em lugar nenhum. Sempre vivemos com uma mala na mão. De qualquer forma, olho para trás e vejo que, mesmo assim, nunca perdemos as nossas origens. Ao mesmo tempo, é muito positivo poder levar na nossa vida um pouco de cada cultura”, contou.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Jaqueta: Zara/ T-Shirt: Zara/ Jeans: Reserva/ Bota: Melissa)

A partir desta característica peculiar fica até difícil definir e entender quais são as origens do ator e como se define no contexto global. Para ele, este termo é muito mais fácil do que podemos imaginar. “Não consigo dizer apenas uma nacionalidade. Sou metade brasileiro e libanês. Não renego nenhuma das minhas duas origens. Falo árabe em casa, tenho um contato direto com a minha família que mora no exterior. Não quero perder a prática. De qualquer forma, é muito interessante me sentir representado por dois mundos bem diferentes. Sou muito grato e honrado”, agradeceu. Fronteiras, para o artista, não são nem um pouco impeditivas.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Casaco de tricot: M.D / Jeans: Renner / Tênis: Vert)

Por ter uma cabeça tão aberta quando o assunto é diversidade, fica até complicado para Juliano entender o que significa preconceito racial, social e cultural. No entanto, basta abrir o jornal que a verdade nua e crua fica exposta na sua frente. Divergências na fronteira com Venezuela, brigas por xenofobia em Copacabana e tantas outras manchetes que tornam a ideia de um país acolhedor um pouco mais distante. “Falar sobre isto é sempre muito delicado. Obviamente, nós, brasileiros, temos os nossos ancestrais índios, negros e portugueses. Precisamos defender isto com unhas e dentes. No entanto, tudo se aprende com o próximo. Sendo assim, se hoje o país é uma potência, é porque houve uma grande miscigenação. Temos antepassados italianos, portugueses, japoneses, entre outros. Chega a ser hipocrisia pensar o contrário e ser contra a imigração contemporânea. Temos que nos questionar quem somos e de onde viemos. Sou completamente contra este preconceito contra outros povos se refugiarem aqui. Precisamos urgentemente respeitar o próximo. Nós ganhamos muito mais do que perdemos com esta mescla”, criticou.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Jaqueta Levi’s, Jeans Docthos, Regata Reserva)

Juliano é um homem heterossexual, bonito e branco. Exatamente por estas características que fica difícil sentir na pele o preconceito racial, de gênero e por orientação sexual. No entanto, por ter o lado árabe muito forte em sua vida, o rapaz comentou que já sofreu por conta da sua cultura. “Já sofri muito bullying quando era pequeno por conta disto na escola. Aqui no Brasil, as crianças me chamavam de homem bomba e por aí vai, por eu ser árabe. Ficava muito triste por ver este cenário”, lamentou.

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Bomber Jacket: Levi’s/ T-Shirt: Armadillo/ Jeans: Reserva/ Tênis: Vert/ Meia: Zara)

Por sempre ter viajado muito, Juliano Laham acaba sendo a prova viva de que mistura é sempre algo positivo. A sua formação conta com contribuições de diversas sociedades o que resultou em um rapaz sensível, que cuida do próximo e completamente antenado às causas sociais. Exatamente por isto, ele faz questão de brigar pelo futuro do Brasil e se informar na hora das eleições. Atualmente, o país vive tempos sombrios de polarização e pensamentos retrógrados. De acordo com Juliano Laham, o dever de casa para o segundo turno já está feito. “Espero muito que o Brasil seja um país com mais investimento na cultura e educação, porque, na minha opinião, o ponto de partida é sempre o conhecimento e a instrução. Se queremos bons cidadãos, precisamos focar nisto. Temos somente a ganhar com isto. Escolas são sinônimos de ótima saúde, gestão, entre outros. Tudo começa neste ponto e espero que o candidato que elegermos consiga construir isto”, comentou. Com esperança na melhora da sociedade brasileira, o ator aposta no voto consciente e na busca por visões de mundo mais igualitárias. A gente também, Juliano!

(Foto: Marcio Farias/ Beleza: Stephanie Farah/ Styling: A-Produção/ Créditos: Jaqueta: Zara/ T-Shirt: Zara/ Jeans: Reserva/ Bota: Melissa)

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