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À espera de recursos para filme sobre a revolta de escravos no século XVII, Antônio Pitanga comenta: “A gente continua lutando sem descer a guarda “

O ator, que é casado com a deputada do PT Benedita da Silva, se posicionou contrário aos recentes acontecimentos no cenário político e cultural do Brasil. "Isso que está aí é um golpe claro e organizado pelas instituições, meios de comunicação, Supremo e pelos políticos que estiveram com o Lula e a Dilma (Rousseff) e deram uma facada nas costas deles"

Publicado em 13/07/2016 | Por Julia Pimentel

A história é de 1635, mas a luta para trazer a Revolta dos Malês para os dias de hoje é bem atual. A mobilização dos escravos do século XVII na Bahia para tomar o poder é o enredo do filme produzido por Flávio Tambellini e sugerido e dirigido pelo ator Antônio Pitanga. Em entrevista exclusiva ao HT, o pai dos atores Camila e Rocco Pitanga disse que o projeto está em fase de captação de recursos. “É um projeto que começa na África e vem para a Bahia, que foi o maior entreposto de escravos do Brasil. É a história dos negros que vieram do norte da África e que se organizavam, falavam árabe, tinham conhecimento de física e matemática e que se uniram para tomar o poder. É um filme que vai ter Seu Jorge, Rocco Pitanga, Camila Pitanga, Taís Araújo, Lázaro Ramos e uma turma boa e de responsa no elenco. Estamos tocando para tentar no final desse ano iniciar a pré-preparação”, adiantou.

Antõnio e o filho, Rocco Pitanga (Foto: AgNews)

Antõnio e o filho, Rocco Pitanga (Foto: AgNews)

Apesar da manifestação ter ocorrido há mais de 300 anos, Antônio ressaltou a importância de contar sobre essa parte da nossa história aos brasileiros. Segundo o ator, é necessário que nós saibamos da nossa própria trajetória. O que, para ele, não acontece. “O Brasil não conhece o Brasil. Você vai falar do Malês e ninguém nem sabe o que foi. É preciso saber que houve um movimento na Bahia, dos mais importantes do país, pela democracia. Isso tem tudo a ver com os dias de hoje. É a questão dos direitos humanos, do preconceito, da oposição do brasileiro em não ser escravizado e não aceitar ser uma massa de manobra”, pontuou.

Para o ator, o projeto de filme Malês é importante para apresentar a história do país aos brasileiros (Foto: AgNews)

Para o ator, o projeto de filme Malês é importante para apresentar a história do país aos brasileiros (Foto: AgNews)

E, em tempos de crise, a situação para conseguir captar recursos para a produção de um filme fica ainda mais difícil. Embora Antônio Pitanga afirme que esse processo nunca tenha sido fácil, o ator e diretor do projeto reconheceu que, agora, está ainda pior. “Hoje está ainda mais complicado por causa desse golpe e da destruição de todos os tipos de apoio às leis de incentivo. É dramático, mas a gente continua lutando sem descer a guarda porque eu acho que foi assim a minha formação como pessoa. Eu já enfrentei várias ditaduras e não vai ser um golpe que vai fazer que eu esmoreça. Eu ainda acredito no meu país e nas pessoas”, argumentou.

Segundo Antônio, após as mudanças no cenário político, ficou ainda mais complicado conseguir captar recursos para a cultura (Foto: Reprodução)

Segundo Antônio, após as mudanças no cenário político, ficou ainda mais complicado conseguir captar recursos para a cultura (Foto: Reprodução)

Sobre o momento pelo qual os brasileiros estão passando nos últimos tempos, o ator se posicionou contrário a tudo o que está acontecendo. “Isso que está aí é um golpe claro e organizado pelas instituições, meios de comunicação, Supremo e pelos políticos que estiveram com o Lula e a Dilma (Rousseff) e deram uma facada nas costas deles. Se a situação atual serve para os brasileiros e para quem está no poder, obviamente, é porque houve uma traição. Os que estão no poder hoje foram Ministros e vices dos presidentes do PT. Eu estou vendo uma situação delicada e de uma grata surpresa, porque a juventude está tomando uma consciência política muito grande, sem partidos, e sabendo que estamos vivendo uma situação que não é democrática. As pessoas que elegeram a Dilma a escolheram pelo voto democrático para que ela exerça o seu mandato, e não para um golpe. Você pode dizer que ela errou, fez isso ou aquilo. Mas, a pior democracia é melhor do que o Congresso fechado. Na verdade, é melhor que qualquer órgão fechado”, manifestou-se o ator Antônio Pitanga.

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