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Em “Espelho da Vida”, João Vicente de Castro comenta sobre seus dois personagens: “É o trabalho mais difícil da minha carreira”

O ator de 35 anos revelou ainda qual a sua relação com a temática espiritual, abordada por Jhin na novela: "A ideia da não finitude me agrada muito. Se eu pudesse escolher, eu gostaria que a vida não acabasse aqui. Essa novela fez eu refletir bastante e conhecer o espiritismo”

Publicado em 15/02/2019 | Por Leticia Sabbatini

O telespectador, que costuma embarcar na dramaturgia da TV Globo, vem pedindo, cada vez mais, personagens próximos à realidade humana. Assim, apostando nessa fórmula que mistura erros e acertos, o mocinho Alain, de Espelho da Vida, conseguiu conquistar o público de casa. Porém, ainda que cative a todos com a sua emocionante evolução, o passado do personagem, como Gustavo Bruno, tem sido um motivo de irritação para aqueles que acompanham a novela. “Essa dualidade é um desafio porque, da mesma forma que começaram a adorar o Alain, detestam as atitudes do Gustavo”, explicou o ator João Vicente de Castro que, por interpretar ambos os personagens, encontra-se no meio dessa relação de amor, ódio e identificação. Conseguindo um tempinho entre as gravações, o ator conversou com o site HT e contou como é estar dividido entre o mocinho e vilão.

 

Na trama, Alain é um cineasta que chega à Rosa Branca para rodar um filme sobre a história de Júlia Castelo (Foto: Reprodução)

Um dos primeiros contatos que João Vicente teve com a atuação foi por meio do famoso canal Porta dos Fundos, fundado por ele, Gregório Duvivier, Fábio Porchat, Ian SBF e Antonio Tabet, em 2012. Ainda que tenha aprendido muito com a enorme variedade de personagens, que mudavam a cada vídeo publicado no YouTube, o ator admitiu que o trabalho mais difícil em que já esteve inserido é o atual, em Espelho da Vida: “O Alain é quase um protagonista, um herói, mas que tinha uma possibilidade de ter uma rejeição do público muito grande, por estar sempre em conflito com a mocinha e brigando com a personagem da Irene Ravache [Margot], que é extremamente carismática. Nunca trabalhei com um desafio tão grande. É o trabalho mais difícil da minha carreira e, para completar, ainda recebi o Gustavo de presente”.

Como a novela foi iniciada com cenas no atual tempo para que o público pudesse entender todo o contexto antes de mergulhar de vez no passado, a repercussão do mocinho de João Vicente foi super receptiva entre os telespectadores. Nesse sentido, segundo o artista, foi muito complicado receber a grande quantidade de comentários sobre a falta de carisma inicial de Alain. “Na verdade, sendo muito sincero, doía um pouco quando o criticavam, porque a gente faz um personagem com carinho e não quer ouvir que ele é chato. Eu tentava achar um carisma em algum lugar e o grande desafio foi esquecer isso. É para levar porrada e para apanhar mesmo, porque se isso acontece. Você está cumprindo o que te foi designado para aquele papel” afirmou.

E João Vicente comemorou: “Felizmente, as pessoas entenderam, por competência do texto da Elizabeth Jhin, que ele é um ser humano com pontos fortes e fracos. Como todos nós, ele é um sujeito que vive com os erros e sofre a consequência deles”. Para a surpresa do ator, que reabriu o Twitter recentemente para acompanhar de perto os comentários, além de entender o personagem, uma grande parte do público começou a torcer pela felicidade dele com a mocinha Cris, interpretada por Vitória Strada. “Eu fiquei muito espantado e feliz em ver que as pessoas desejam muito que eles fiquem juntos. Se depender da internet, eles terminam juntos sim, viu?”, pontuou ele sobre o triângulo amoroso que seu personagem está inserido.

No passado, Gustavo Bruno desenvolve uma relação de ódio com o pintor Danilo Breton, amante de Júlia (Foto: Globo/Paulo Belote)

Porém, ainda que tenha conquistado os telespectadores a partir da humanidade de Alain, João Vicente comenta as nuances do vilão Gustavo. “Ele é um sujeito que deixa a ética para trás, com o objetivo de conseguir o que quer. É um vilão totalmente claro e com bem menos carisma”, opinou. Com diferenças rígidas entre os personagens e gravando cenas diárias em que precisa mesclar os dois, o ator detalhou ainda o que faz para separar bem o Alain do Gustavo e vice-versa: “Existe uma dificuldade em fazer um e outro, porque eu preciso ter muito fixada a diferença entre os dois, sem magoar esses pontos de distinção, por exemplo, no jeito de se mexer, o tom de voz, o jeito de falar e o comportamento. O Alain, nesse caso, tem o corpo mais solto, eu fiz o Gustavo com o corpo mais preciso e duro. O Alain é mais coloquial, o Gustavo fala mais devagar, com a voz mais pausada, como antigamente”. E prosseguiu comentando a experiência em seu lado mais técnico: “Teve um dia que eu estava fazendo uma cena como o Gustavo e me alertaram que eu estava falando como o Alain, o que é muito louco já que é a mesma voz. Tudo sai do João Vicente e precisa ser filtrado”.

Assim, aumentando o distanciamento entre João e seus personagens, que se negam a acreditar em qualquer tipo de espiritualidade, o ator  levou a conversa para um lado ainda mais pessoal. Aos 35 anos e em seu primeiro trabalho com Elizabeth Jhin, conhecida por abordar o espiritismo e a reencarnação em suas novelas, ele assumiu que não tem muita fé. Ainda assim, graças à vivência proporcionada por Espelho da Vida, João admitiu que espera que a crença seja verdadeira de alguma forma. “Eu sou uma pessoa que acredita em um monte de coisa, mas não sou um cara de muita fé. Eu até gostaria de ter mais, sabe? Mesmo assim, a ideia da não finitude me agrada muito. Se eu pudesse escolher, eu gostaria que a vida não acabasse aqui. Essa novela fez eu refletir bastante e conhecer o espiritismo”, concluiu.

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