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Em bate-papo, Gustavo Duque fala sobre experiência em Hollywood, “Zé do caixão” e cinema nacional: “Não devemos nada para ninguém”

O ator ainda comentou como foi trabalhar no filme "The lost City of Z", produção na qual atua ao lado de Robert Pattinson e Tom Holland, o novo Homem-Aranha, como foi desenvolver uma amizade com Matheus Nachtergaele nos bastidores da série sobre Mojica e como entrou na profissão para perder a timidez

Publicado em 14/12/2015 | Por João Ker

Apesar de as reclamações sobre 2015 estarem lotando as redes sociais, há quem diga que o ano foi muito bem, obrigado. É o caso de Gustavo Duque, o ator brasileiro que é uma das novas promessas do nosso país no mercado cinematográfico hollywoodiano e que acumulou projetos incríveis, como uma participação na série “Zé do Caixão”, ao lado de Matheus Nachtergaele, o longa-metragem “Apneia”, no qual fez par romântico com Thaila Ayala, e “The lost City of Z”, produção norte-americana na qual atuou com nomes como Charlie Hunnam, Robert Pattinson e Tom Holland, o próximo homem-Aranha. Em entrevista exclusiva ao HT, o ator fala sobre todos esses projetos, a experiência trabalhando com alguns dos atores mais reconhecidos do país e do avalia o cinema nacional e ainda fala sobre como entrou na profissão “para perder a timidez”.

Gustavo Duque estreará o filme "The lost City of Z" em 2016, no qual atuou com Robert Pattinson, Charlie Hunnam e Tom Holland (Foto: Faya | Divulgação)

Gustavo Duque estreará o filme “The lost City of Z” em 2016, no qual atuou com Robert Pattinson, Charlie Hunnam e Tom Holland (Foto: Faya | Divulgação)

“Comecei em um curso livre de teatro, em Belo Horizonte, sem ter muitas pretensões. Aquilo me ajudava a perder um pouco da minha timidez e, talvez, esse possa ter sido o meu objetivo inicial”, explica Gustavo sobre como entrou na profissão de ator, ainda aos 16 anos  Nada mal para quem hoje já coleciona peças, novelas e produções internacionais. “O que sei é que gosto de ser ator e espero estar sempre atuando no teatro, na TV e no cinema”, explica o artista.

No próximo ano, ele estreia nos cinemas a produção “The lost City of Z”, clássico literário de David Grann, que ganhou a direção de James Gray e conta a história de um grupo de exploradores que entram na floresta amazônica em busca de um tesouro perdido. “Cheguei ao set muito inseguro e um pouco nervoso, mas fui muito bem recebido por todos. Estávamos sempre juntos essa, e a amizade fora do set foi fundamental. (…) No início, era muito engraçado olhar para o lado durante a cena e ver o vampiro de “Crepúsculo” (Robert Pattinson) e o novo Homem-Aranha (Tom Holland)”, ri o ator, sem perder a humildade ao comentar sobre a produção.

Abaixo, você confere o nosso bate-papo com Gustavo Duque na íntegra, e percebe por que o rapaz está só no começo, mas já conta com um futuro brilhante pela frente.

HT: Você já trabalhou no cinema, teatro e TV. Como ator, qual dessas esferas lhe dá mais liberdade criativa e com qual você se identifica mais? 

GD: Eu me sinto honrado com a chance de trabalhar em todas essas esferas, mas comecei no teatro com 16 anos e essa foi a minha escola. O palco é a minha base como ator, é onde me sinto mais à vontade. Mas também aprendi muito trabalhando na TV. Cheguei sem nenhuma experiência com a câmera, e o resultado ali é instantâneo, sem tempo para ensaio. Esse aspecto me ajudou a criar um estado muito aflorado de prontidão de concentração (é preciso estar muito focado para fazer uma cena bem e, às vezes, você só tem uma chance para que dê certo), mas confesso que o cinema e as séries entraram de vez na minha vida. Nos últimos três anos, descobri um lugar onde me sinto muito feliz trabalhando: foram quatro longa-metragens, duas séries e vários curtas. O que sei é que gosto de ser ator e espero estar sempre atuando no teatro, na TV e no cinema.

HT: Quando você decidiu entrar nessa profissão e qual era o seu objetivo no início? Isso chegou a mudar com o tempo?

GD: Eu era muito novo para já ter um objetivo traçado. Comecei em um curso livre de teatro, em Belo Horizonte, sem ter muitas pretensões. Aquilo me ajudava a perder um pouco da minha timidez e, talvez, esse possa ter sido o meu objetivo inicial. Depois, claro, minha paixão pela atuação ganhou força e o objetivo passou a ser o de transformar isso na minha profissão, algo que tem permanecido até hoje.

HT: “Zé do Caixão” revive o trabalho de um dos maiores nomes do terror nacional. Qual a sua relação com o Mojica e sua obra? Você se considera um fã do gênero? Se sim, qual (quais) seu (s) título (s) preferido (s)?

GD: Antes da série, eu conhecia a história do Mojica a partir de um ponto de vista bem superficial. Eu sabia que ele foi um cineasta responsável por dar vida a um dos personagens mais importantes do cinema brasileiro. Em 2008, eu estava gravando uma novela em São Paulo e fui assistir no cinema “A encarnação do demônio”,  filme no qual ele atuou e dirigiu. Achei incrível! Hoje, depois de me aprofundar em sua história, eu o vejo com muito respeito e admiração.

Teaser de “Zé do Caixão”

HT: Na série, você é uma espécie de aprendiz do Zé do Caixão. Como foi ter essa relação em cena com o Matheus Nachtergaele? Chegou a receber alguma dica dele que tenha te ajudado?

GD: Ele é foda, e está incrível na série. Sempre admirei o trabalho do Matheus e desejei trabalhar com ele. Passamos quase três meses juntos, entre preparação e filmagem, e sempre houve uma relação de amizade e de parceria. Aliás, isso rolou entre todos do elenco, o que foi fundamental para o resultado final da série: formamos uma trupe, a “Trupe do Zé”.

HT: “Apneia” é um filme bem dark e que fala muito sobre o instinto e as relações humanas. Conte um pouco mais sobre o seu personagem e a experiência de trabalhar no longa.

GD: Foi incrível trabalhar nesse filme! Ele conta a história de três meninas sem muita estrutura familiar ou referência de valores na vida, o que acaba levando-as a tomarem caminhos bem duvidosos. Eu faço o Marcos, um cara super apaixonado pela namorada e que acredita ter encontrado a mulher da sua vida.

Trailer de “Apneia”

HT: Seu par romântico no filme é com a Thaila Ayala, que aparece fazendo sexo com vários outros caras enquanto vocês ainda estão juntos. Como você se sentiria na posição do seu personagem?

GD: A Júlia (personagem da Thaila) foi criada pelo pai, que era muito ausente. Para suprir essa ausência, ele mandava dinheiro para a filha , o que fez com que ela crescesse transitando por um vazio existencial, sem muita identidade. Ela então acabou escolhendo um caminho quase sem volta, repleto de sexo e drogas, o que, para o meu personagem, se transforma na maior decepção, porque ele descobre que é sempre traído. É bem difícil manter um relacionamento assim, eu consigo entendê-lo.

Gustavo Duque comenta as filmagens de "The lost City of Z": "No início, era muito engraçado olhar para o lado durante a cena e ver o vampiro de "Crepúsculo" (Robert Pattinson) e o novo Homem-Aranha (Tom Holland)" (Foto: Faya | Divulgação)

Gustavo Duque comenta as filmagens de “The lost City of Z”: “No início, era muito engraçado olhar para o lado durante a cena e ver o vampiro de “Crepúsculo” (Robert Pattinson) e o novo Homem-Aranha (Tom Holland)” (Foto: Faya | Divulgação)

HT: “The Lost City of Z” fala sobre um explorador que se perdeu em busca de uma civilização na Amazônia. Conte um pouco sobre o seu personagem e como foi participar de uma produção internacional com tantos nomes já consolidados em Hollywood.

GD: Fiquei muito feliz em rodar esse filme de aventura, no meio da selva, com muitas cenas de ação e contando com a direção de James Gray. Foi um uma experiência incrível! No início, era muito engraçado olhar para o lado durante a cena e ver o vampiro de “Crepúsculo” (Robert Pattinson) e o novo Homem-Aranha (Tom Holland). No longa, eu sou um explorador do grupo principal, que, junto com Percy Fawcett (Charle Hunnam), vai para a selva amazônica em busca de provas de uma civilização perdida. O grupo é formado por cinco aventureiros: Charle Hunnam, Robert Pattinson, Edward Ashely, Angus McFayden e eu.

HT: Durante as gravações, alguém do elenco foi uma surpresa, boa ou ruim, para você?

GD: Cheguei ao set muito inseguro e um pouco nervoso, mas fui muito bem recebido por todos. Estávamos sempre juntos essa, e a amizade fora do set foi fundamental, mesmo com o Charle Hunnam deixando claro que torceria para o Conor McGregor na luta contra o José Aldo. Ainda assim tivemos uma boa amizade fora do set (risos).

HT: Depois dessa experiência, como você compara o cinema nacional com o hollywoodiano? Quais as principais semelhança e diferenças entre os dois? Acha que precisamos melhorar em algum aspecto?

GD: É muito difícil essa comparação, até porque sou um ator começando a carreira no cinema. Mas, mesmo com essa pouca experiência, pude perceber que, em Hollywood, existe uma indústria e um mercado que investem e arrecadam milhões de dólares. A diferença estrutural deles para a nossa é enorme. Mas a minha geração é privilegiada: nosso cinema vem crescendo muito e produzindo filmes de qualidade, mas ainda precisamos ter mais investimentos. Acho que o público precisa prestigiar mais os filmes nacionais, o que ajudará a fortalecer nosso mercado e, assim, ele poderá receber mais investimentos. Para mim, essa é a principal diferença, porque no “fazer cinema” somos tão capazes quanto qualquer um. Não devemos nada para ninguém.

HT: Você está voltando em breve para Los Angeles. O que pode nos adiantar sobre os planos profissionais para a viagem?

GD: Vou a Los Angeles para um período de estudo. Por enquanto, não existe nenhum novo projeto 100% fechado.

HT: Quais são seus planos futuros para a carreira? Existe algum ator que você use como inspiração na profissão? 

GD: Não faço muitos planos. Deus vai me guiando e, assim, vou caminhando e torcendo que no meu caminho apareçam outros filmes. Tenho o Wagner Moura como uma grande referência e sempre fui muito fã do Heath Ledger.

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