Cinema & TV

De farmacêutica à atriz: a história de Liza Gomes, a Lucilene de “O Sétimo Guardião”

A capixaba ,que vem roubando a cena na novela de Aguinaldo Silva, tem uma história de vida digna de enredos de dramaturgia. Vem entender!

Publicado em 23/01/2019 | Por Bárbara Tenório

A história da atriz Liza Gomes se confunde com emocionantes enredos de folhetim. Nasceu em uma cidade bem pequena no interior do Espírito Santo e é caçula de cinco filhos de um casal de cafeicultores da região. Até os sete anos, ela morou na fazenda e não imaginava nem no seu maior sonho que um dia estaria na novela do horário nobre da TV Globo. Liza saiu de casa precocemente, aos oito anos, para estudar em uma cidade vizinha. Sempre seguindo os passos dos irmãos mais velhos, ela veio para o Rio de Janeiro concluir o ensino médio. E foi aqui que conheceu e se encantou pelo mundo da atuação. Mas esse amor surgiu um pouco tímido e, só aos 34 anos, ela conseguiu abrir mão de tudo e acreditar no sonho de ser atriz. A própria Liza contou ao site HT um pouco mais desse percurso até chegar à Lucilene de “O Sétimo Guardião”.

Filha de cafeicultores, Liza Gomes trilhou um caminho de muitos desafios até chegar à Lucilene de “O Sétimo Guardião” (Foto: Vinícius Mochizuki)

Influenciada por uma amiga do colégio, Liza começou a frequentar o teatro que ficava na rua lateral de onde ela estudava. “Comecei a ir em todas as peças que estavam em cartaz. Depois entrei para a companhia de teatro do colégio, fiz alguns cursinhos até ingressar no Tablado. Mas eu só tinha 15 anos e não sabia se continuaria estudando teatro, pois eu não conseguia me imaginar aqui sozinha. Eu também voltaria para a minha terra se minha família voltasse e lá não tem teatro”, revelou a atriz, que acrescentou: “Acabei ficando aqui e fui fazer farmácia. Eu não gostava de farmácia, nunca gostei. Na verdade eu queria fazer Comunicação Social, mas meus pais falaram que se eu voltasse para o interior, o campo de comunicação lá não seria bom. Eu estava indo fazer a minha inscrição na UFRJ para jornalismo e acabei não indo. Uma menina que morava na república comigo falou: ‘Por que você não faz farmácia? Você pode assinar até três farmácias e sustentar seus cursos de teatro’. E acabei fazendo isso”.

E foi assim, em uma relação um pouco conturbada entre remédios, receitas médicas e personagens, que a atriz passou oito anos de vida carioca. “Eu sempre fui muito sincera com os meus chefes nas farmácias que eu trabalhava. Eu dizia que estava ali porque precisava me sustentar, mas não era o que eu mais gostava de fazer na vida”, contou Liza, que saia dos estabelecimentos e ia para a CAL estudar artes cênicas. Precisou de um chefe mais exigente para dizer à ela para escolher entre uma ou outra profissão. “Ele falou: ‘Ou você é atriz ou é farmacêutica e ele realmente estava certo. Eu não me doava 100% para nenhum dos dois. Saí de lá e liguei para o meu pai dizendo que eu precisava do meu tempo integral para me dedicar ao meu sonho e se ele me ajudaria financeiramente, porque eu iria deixar de ser farmacêutica. Ele disse que me daria um prazo de dois anos e nada mais”, contou.

Por oito anos ela se dividiu entre a carreira como farmacêutica e os cursos de teatro no Rio (Foto: Vinícius Mochizuki)

Aos 34 anos Liza abandonou a primeira profissão para se dedicar unicamente à atuação. “A partir daí as pessoas começaram a me ver como atriz, porque nem meus amigos próximos me enxergavam assim. E aí nesse período vi um curso que iria abrir em Copacabana do Aguinaldo Silva. E pensei: ‘Quero fazer uma novela desse cara’. No primeiro dia de inscrição e no primeiro horário eu já estava lá. Fiz dois anos e no segundo ele me chamou para fazer o teste para a novela e eu consegui. Foi a tempo do prazo exatamente que me pai me deu”, relembrou Liza Gomes, que está no seu primeiro papel na TV como a diarista que trabalha na casa de quase todos os personagens da novela e, por isso, sabe da vida de todo mundo. “O que eu gosto nela é que a Lucilene é leve. Para ela, o que ela faz não é fofoca, ela só fala demais. E gosta das pessoas que convive, então ela acha que faz parte daquilo ali. Minha personagem é uma pessoa justa e não aceita injustiças. Por mais que ela seja fofoqueira, não há maldade nisso”, analisou a atriz, que espera por mais oportunidades depois desse papel. “Eu estou tendo um retorno muito bom lá de dentro. Eu estou gravando, mas não estou me vendo, então o retorno que eu tenho é dos funcionários que assistem e pelo o que eu ouço, estou me saindo bem”, afirmou.

O sucesso tem sido tanto, que no Espirito Santo o pai de Liza ganhou um novo apelido: Pai da menina fofoqueira da novela. “Ele assistia peças minhas, mas ficava muito preocupado, porque não via futuro naquilo se eu voltasse para lá um dia. E agora, apesar deles não verem muita televisão, porque eles dormem às 8 horas da noite, eles conseguiram acompanhar algumas cenas e minha mãe me disse que quando meu pai me viu a primeira vez ele chorou muito”, contou a atriz, que também destacou a receptividade por parte do elenco. “Tanto o elenco quanto os diretores me receberam super bem, eu não imaginava que seria tão bom. Na primeira semana cada dia eu gravava com atores de núcleos diferentes e então todos os dias pareciam ser o primeiro dia, e eu ficava bem nervosa. Mas na hora de contracenar todos trocavam muito comigo. Eu tive muita sorte. Só tenho a agradecer. Eu vou para o Projac agradecendo e volto de lá agradecendo mais”, admitiu Liza.

Ela fez o teste para a novela das 9 da Globo depois de fazer o curso do Aguinaldo Silva (Foto: Vinícius Mochizuki)

No final do ano passado, junto com a estreia de “O Sétimo Guardião”, a atriz esteve em cartaz no Rio no espetáculo “ÀKILOQNOSKALA”, com direção de Carmen Kawahaha, no Teatro Solar de Botafogo. E nesse ano tem estreia no cinema com o longa “A Volta”, dirigido por Ronaldo Uzeda, ao lado de Antonia Moraes e Natalia Rodrigues. Depois de tantos desafios para chegar até aqui Liza deu um recado para aqueles que sonham alto como ela: “Se quer realmente mesmo ser ator ou atriz, tem que acreditar e estudar muito. O estudo é fundamental. E, sobretudo, persistir e acreditar que vai conseguir. Não é fácil, mas não é impossível”.

Pesquisas relacionadas