*Por Brunna Condini
Caco Ciocler gosta do cinema e o cinema gosta dele. Até agora ele contabiliza cinco longas para estrear em 2026. “Essa diversidade de personagens no audiovisual é o sonho de todo ator, um privilégio”. E em ‘(Des)controle’, que pode ser visto a partir de hoje (dia 5), em circuito nacional, ele fala, ao lado de Carolina Dieckmmann, de um tema sensível e urgente: o alcoolismo. No filme, Caco é Zeca, marido da escritora Kátia Klein, vivida pela atriz. “É um filme, que quando você se dá conta, já está absolutamente capturado emocionalmente por ele”.
Ao pensar na produção dirigida por Rosane Svartman e Carol Minêm, o ator sintetiza uma importante camada da história, ao falar do homem “bem-intencionado” que não percebe a pressão que ajuda a produzir. “Traz uma denúncia sutil da masculinidade tóxica, de como lidamos com a sobrecarga das nossas companheiras”, afirma. Em um momento profissional especialmente produtivo, Caco, que também está no elenco de ‘Quarto do Pânico’, ao lado de Isis Valverde, que chega com exclusividade ao catálogo do Telecine no streaming, a partir de 13 de fevereiro, também comenta os múltiplos projetos que se acumulam para este ano, reflete sobre a liberdade criativa que vive hoje e relembra sua participação no remake de ‘Vale Tudo’, exibido no ano passado:
Fiz um personagem que não existia na versão anterior, né? Então, foi libertador, uma ótima experiência, porque eu estava livre da síndrome de comparação que a novela sofreu. Só veio coisa boa, adorei fazer – Caco Ciocler

Cinema em alta, debate de alcoolismo sem glamour e uma crítica a masculinidade tóxica: Caco Ciocler vive fase livre, diversa e potente (Foto: Divulgação/Globo)
Masculinidade tóxica
Para Caco , ‘(Des)controle’ é uma história que não se revela de imediato, ela se infiltra no espectador de maneira quase imperceptível, como o próprio vício que retrata. “O público pode esperar um filme surpreendente, que se transforma ao longo da narrativa. Ele tenta reproduzir o percurso, o processo da adicção. É uma história que provoca muita emoção, compaixão, e que convida quem assiste a sair transformado”. O ator elabora que a experiência vai além do impacto emocional direto. “Você pode esperar aprender, se divertir. É um filme que fala sobre o universo terreno, sobre as fragilidades humanas, e que também provoca prazer na experiência de assistir”, conclui.

Caco Ciocler e Carolina Dieckmmann em ‘(Des)controle’ (Foto: Divulgação)
No longa, Caco interpreta Zeca, um homem que ama a esposa, mas falha em perceber o peso que ela carrega. Caco destaca que essa contradição é o coração político da história. “É um filme tão feminino… e o Zeca é um cara gente boa, bem-intencionado, mas esse é um erro geralmente masculino: não enxergar o sofrimento ou a pressão que as nossas companheiras estão vivendo”. E salienta, que a grande falha não está no momento da ruptura do casal, mas no que vem antes dela:
Tem uma denúncia da masculinidade tóxica. A gente não percebe a pressão ao redor delas, ou pior: tenta resolver a pressão colocando mais pressão, mesmo com a melhor das intenções. ‘Vamos viajar, vamos nos divertir’, é um jeito muito masculino, muito direto, pouco profundo de lidar com a tristeza feminina – Caco Ciocler

Carolina Dieckmmann e Caco Ciocler com seu núcleo familiar em ‘(Des)controle’: “Tem uma denúncia da masculinidade tóxica” (Foto: Divulgação)
No entanto, Caco observa que o personagem não é construído como vilão. “Ele é o cara que faz o corte, que diz: ‘se você não pedir ajuda, vai começar a perder coisas importantes’. É uma denúncia da masculinidade tóxica, mas também o retrato de um homem que começa a entender isso e que, mesmo com o casamento rompido, consegue se colocar à disposição da ex-mulher, do que ela realmente precisa”.
Alcoolismo sem glamour e a linha tênue do descontrole
O artista acredita que um dos maiores méritos do filme é escapar da romantização do alcoolismo, ainda comum na ficção. “Quando vamos ver uma obra sobre o tema, tendemos a romantizar a queda, como se fosse um grande drama. Mas é muito tênue a linha entre o controle e o descontrole. Quando você se dá conta, já perdeu o controle.” Caco diz que o processo de preparação também trouxe aprendizados pessoais:

“‘(Des)controle’ é um filme que fala sobre o universo terreno, sobre as fragilidades humanas, e que também provoca prazer na experiência de assistir” (Foto: Divulgação)
Me fez ter um outro olhar. O álcool é uma droga socialmente aceita, e muitas vezes a gente normaliza situações sem perceber. Aprendi sobre a doença, sobre o AA, sobre a recaída, que, se acontece, você volta do ponto onde parou. Isso eu não sabia. Foi um filme bastante elucidativo – Caco Ciocler
Momento de liberdade criativa e produção intensa
Vivendo uma fase intensa de trabalho, ele celebra a diversidade de trabalhos que se acumulam. “Tenho vários projetos coincidindo agora: filmes que vão estrear, um solo no teatro que está sendo escrito, talvez um musical que está sendo negociado, além da direção do meu quarto filme. É uma fase muito produtiva”. Às vésperas do lançamento de ‘Quarto do Pânico’, adaptação brasileira do sucesso de 2002 dirigido por David Fincher e estrelado por Jodie Foster e Kristen Stewart; agora com roteiro de Fábio Mendes e direção de Gabriela Amaral Almeida; Caco amplia ainda mais o leque de registros no cinema ao viver um personagem extremo, distante de tudo o que já fez, e celebra justamente essa possibilidade de transitar por universos tão distintos:
Meus últimos filmes e os que vêm pela frente, são todos muito diferentes. Isso é raro no audiovisual. Me sinto privilegiado, honrado, feliz por ainda me enxergarem em lugares tão plurais. Isso é encantador para um ator – Caco Ciocler

André Ramiro, Marco Pigossi e Caco Ciocler em ‘Quarto do Pânico’ (Foto: Divulgação)
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