*Por Rodrigo Otávio
Chegar entre os cinco últimos participantes do Big Brother Brasil é, sem dúvida, um feito que merece ser celebrado. E os brothers e sisters que continuam na disputa pelo prêmio milionário tiveram uma festa especial. A comemoração incluiu um jantar caprichado, decoração exclusiva inspirada na trajetória do programa e, claro, a oportunidade de revisitar os momentos mais marcantes — ou pelo menos, os que tentaram ser. Mas, pensando rapidamente, será que o telespectador comum conseguiria lembrar quem são os finalistas do BBB 25? Mais ainda: conseguiria se lembrar de alguma passagem realmente marcante desta edição? Talvez uma das poucas expressões que tenha colado na memória popular seja o icônico “pomba suja“, dito por Vinícius — que, aliás, é um dos raros destaques da temporada, ao lado de Aline. No mais, quem se lembrará de Diego Hypolito e Vitória Strada pelo BBB? Ou de João Pedro, Guilherme e Renata? O BBB 25 não teve enredo nem história marcante – talvez a carência de ovos da dieta de Gracyanne. E só.
Vitória Strada, que chegou com força, oscilou entre protagonismo e apagamento. Foi intensa, mas se perdeu no meio do caminho. E o mais curioso: o programa caminha para sua final sem um personagem que brilhe de verdade, alguém que encarne aquele perfil clássico de favorito ao título. As redes sociais, especialmente o X (antigo Twitter), têm sinalizado que Renata pode ser essa figura. Mas tudo ainda é muito nebuloso — e a torcida parece mais protocolar do que apaixonada.
Na verdade, o BBB 25 passou quase despercebido. Foi ignorado por grande parte do público e, não raramente, sua audiência ficou atrás de “Tieta”, novela que completará 40 anos em breve. Uma situação que ilustra o desinteresse geral por esta edição

Aline Patriarca foi um dos destaques do BBB25 (Foto: Divulgação/Globo)
Rejeição, pautas rasas e a inconveniente coincidência: No top 5 da rejeição, apenas uma pessoa é branca
Mais uma vez, o programa abordou questões afirmativas de forma rasa, beirando o superficial. Camilla e Vitória Strada protagonizaram momentos de tensão ligados a esses debates, mas sem aprofundamento. E um dado chama atenção: Camilla se juntou a um triste ranking — o das mulheres negras mais rejeitadas da história do programa. Eis os números:
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Karol Conká (BBB 21) – 99,17%
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Nego Di (BBB 21) – 98,76%
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Aline (BBB 5) – 95%
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Camilla Maia (BBB 25) – 94,67%
A única exceção no pódio da rejeição é Viih Tube, branca, que ocuparia no ranking acima a terceira colocação geral. A reincidência de rejeições tão altas em participantes negros merece reflexão. O que faz com que estas pessoas estejam recorrentemente entre as rejeitadas?

Camilla. Jogadora se soma a mais uma das negras a sair com alto índice de rejeição (Foto: Divulgação/Globo)
Tadeu e o dilema da condução
Outro ponto sensível: Tadeu Schmidt. Embora seu estilo mais paternalista seja assumido por ele — e conquiste parte do público —, sua atuação em momentos cruciais é, por vezes, tímida. Faltou pulso firme. Faltou transformar o programa em jogo, como fazia Tiago Leifert, que tinha menos carisma, mas maior domínio sobre a dinâmica competitiva.
Tentativas frustradas e elenco mal escalado
É preciso reconhecer: Rodrigo Dourado, diretor da atração, tentou de tudo para movimentar o jogo. Provas dinâmicas, reviravoltas, surpresas… Ele fez sua parte. A culpa pelo marasmo não recai exatamente sobre sua condução. Mas é impossível não apontar a escolha do elenco como um dos principais fatores para o insucesso da edição. A ideia inicial era promissora: nomes fortes, como Gracyanne Barbosa, prometiam agitar a casa. Junto a ela, pessoas com personalidade marcante, como Aline e Vinícius, alimentavam expectativas de confrontos, estratégias e enredos envolventes. Mas Gracyanne optou por uma postura mais neutra — ou, em alguns momentos, francamente incoerente. Diogo Almeida gerou polêmica ao ser visto como manipulador, embora essa percepção seja passível de debate.
Dona Delma, sogra de Guilherme, foi uma escolha que caiu no colo do público — mas revelou-se equivocada. Embora simpática, ou minimamente carismática, sua falta de combatividade a tornava uma figura deslocada. Definitivamente, não tinha o perfil de uma participante de reality show. Era mais visita de domingo do que peça do jogo.

Dona Delma foi uma das plantas do BBB24 (Foto: Divulgação/Globo)
O jardim das plantas
Com poucas figuras de personalidade forte — além de Vinícius, Aline e Vitória Strada —, o BBB 25 talvez seja a edição com a maior concentração de “plantas”. Danielle Hypólito, Maike, Vilma e Delma são nomes que, honestamente, passaram pela casa sem deixar rastro. Pareciam mais turistas do que jogadores. Foram ao BBB para relaxar, não para competir.

Diego Hypolito. Ginasta não brilhou no BBB (Foto: Divulgação/Globo)
O subsolo do esquecimento
Já Arleane, Marcelo, Edy, Raíssa e Eva estão em uma categoria ainda mais apagada: a dos que o público nem lembra que participaram. São figuras que, para serem identificadas, exigem consulta ao painel de ex-brothers. Entraram e saíram sem deixar marcas, engrossando a longa lista dos que só são lembrados quando se diz “aquele do BBB tal…”.

Arleane e Marcelo. Ambos passaram batido pelo BBB (Foto: Divulgação/Globo)
Um BBB que não foi
O saldo é amargo. O BBB 25 teve uma estrutura sólida, uma produção que se esforçou, um apresentador carismático, mas não encontrou alma. Faltou brilho, faltou narrativa, faltou conexão. Quando a própria audiência prefere uma reprise de quase 40 anos, é sinal de que a fórmula precisa ser revista com urgência. Que o BBB 26 não repita o erro: a escolha do elenco precisa voltar a ser o coração do programa. Sem isso, não há dinâmica que salve.
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