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Armando Babaioff fala sobre a responsabilidade de interpretar um policial em época de banalização da violência

“Tenho muito respeito por todos estes profissionais, é um trabalho digno. Não sei qual o arco que este personagem pode vir a ter, mas tenho certeza que posso esperar muita retidão, porque é um cara que tem aversão à corrupção. Se ele estiver presente em qualquer situação, será o primeiro a dizer que aquilo não é correto ou agir de forma efetiva para evitar. Se houver algum assunto que fale sobre corrupção, iremos tratar com toda a seriedade do mundo”, comentou

Publicado em 03/09/2018 | Por Ana Clara Xavier

Vestir uma farda em época de instabilidade política, banalização da violência e aumento sucessivo de crimes não é uma tarefa fácil para ninguém. Dessa vez, quem ficou incumbido de representar a classe policial brasileira, na trama de Segundo Sol, foi o ator Armando Babaioff, que vive Ionan. “Tenho muito respeito por todos estes profissionais, é um trabalho digno. Não sei qual o arco que este personagem pode vir a ter, mas tenho certeza que posso esperar muita retidão, porque é um cara que tem aversão à corrupção. Se ele estiver presente em qualquer situação, será o primeiro a dizer que aquilo não é correto ou agir de forma efetiva para evitar. Se houver algum assunto que fale sobre corrupção, iremos tratar com toda a seriedade do mundo”, comentou. Para entregar a demanda deste personagem, o ator ainda assistiu vários tipos de filmes que trouxessem a figura de um policial para compreender como funcionam os trejeitos de quem vive desta profissão.

Armando Babaioff é um dos irmãos da família Falcão e interpreta um policial (Foto: Divulgação)

Além de policial, Armando Babaioff também interpreta um homem de família. Na trama, ele é casado com a atriz Roberta Rodrigues, com quem nunca havia trabalhado antes. “A gente se descobriu nos exercícios que fizemos antes de gravar e posso dizer que fiquei impressionado com ela. Que atriz! É uma profissional que percebe o que está acontecendo e se aproveita de cada detalhe para aprimorar a sua atuação. Isto é muito bacana, porque acabo me alimentando deste jogo”, comentou.

Juntos, os papéis Armando e Roberta vivem uma relação complicada chafurdada pelo ciúmes da personagem de Roberta, que chega a colocar pessoas no caminho do oficial para testar a sua fidelidade. “Nunca vivi nada parecido, mas já ouvi histórias semelhantes a esta como gente que instalou aplicativos no celular para receber prints do whatsapp do outro”, afirmou. Apesar deste sentimento doentio ser fruto da imaginação da mulher, o rapaz realmente acaba se apaixonado por uma colega de trabalho, vivida por Nanda Costa.

Para completar, Ionan ainda é mais um membro da família Falcão, o núcleo principal da novela. Sendo assim, ele contracena diretamente com o protagonista, vivido por Emílio Dantas, e o antagonista, interpretado por Vladimir Brichta. Trabalhar com esta galera, para ele, é um dos maiores desafios de seu personagem, já que precisa aparentar esta familiaridade. “Temos que manter o frescor deste primeiro encontro, que foi uma coisa mais explosiva e bonita de se ver. Durante a preparação, inclusive, nós, do núcleo da família Falcão, começamos a contar histórias de quando éramos pequenos e isto nos ajuda muito quando estamos gravando juntos, porque vamos relembrando estas coisas. Este fato colabora para aparentar que a gente se conhece há 30 anos”, comentou.

Armando conseguiu entrar nesta novela devido a sua excelente atuação no espetáculo Tom na Fazenda (Foto: Divulgação)

Juntamente com todas estas faces da interpretação de Ionan, o ator ainda precisa lidar com a dificuldade da prosódia baiana. “Estou me policiando para não ser pernambucano e colocar referências da fala da minha terra. Tive uma grande aula de prosódia na Globo, o que ajudou muito, mas também conviver com os outros atores falando ‘bahianês’ contribui muito. Tanto que a minha referência de sotaque é o Beto Falcão, vivido pelo Emílio Dantas”, explicou.

Ionan não é uma figura simples de interpretar. Existem, principalmente, três divisões muito importantes na curva de interpretação deste personagem que precisam ser levadas em consideração. “A minha dificuldade é entender as diversas camadas deste personagem que vem de uma família famosa, que torce para o Bahia e que também é policial. Quero mostrar que existe um ser humano por trás desta farda”, explicou. Estas diferentes faces da personalidade de seu papel apenas contribuem para trazer a realidade para a cena. “Os personagens são muito reais, não é algo chapado, são tridimensionais. Eles são como somos na vida. Este é um mérito da criação do João Emanuel Carneiro”, parabenizou.

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