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Apesar de forte repercussão, “Aquarius” e Sonia Braga não ganham prêmios em Cannes. “Fica uma experiência intensa”, diz diretor

Apesar da derrota, o Brasil não volta de mãos abanando. No sábado (21), o documentário “Cinema Novo”, de Eryk Rocha, ganhou o “Olho de Ouro”

Publicado em 22/05/2016 | Por Junior de Paula

Não foi dessa vez que o Brasil ganhou mais um prêmio principal no Festival de Cinema de Cannes. O longa brasileiro “Aquarius”, do diretor Kleber Mendonça Filhoapesar de muito bem cotado e apontado por publicações especializadas como um dos favoritos da noite de entrega das Palmas de Ouro, volta para o país sem nenhum prêmio na bagagem, depois de perder para o longa “I, Daniel Blake”, do diretor Ken Loach. Já Sonia Braga, também muito elogiada e forte concorrente ao prêmio de Melhor Atriz  da 69ª edição do Festival de Cannes, foi preterida pelo júri em detrimento da atriz filipina Jaclyn Jose, pelo longa “Ma’Rosa”.

Sonia Braga em cena de "Aquarius"

Sonia Braga em cena de “Aquarius”

Apesar da derrota, “Aquarius” ganhou muita visibilidade no mundo, mas principalmente no Brasil, depois que o diretor e o elenco do longa – que, além de Sonia Braga, inclui Humberto Carrão, Maeve Jinkings e Emilie Lesclauxse, entre outros – se posicionaram no alto da escadaria do Grand Théàtre Lumière e mostraram cartazes com palavras de ordem “contra o Golpe” e o presidente interino Michel Temer.

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Por conta disso, o diretor fez um balanço pós-premiação em sua página no Facebook, em que diz que o longa cumpriu o que precisava ser cumprido na Croisette. “Tivemos 9 dias indescritíveis no FESTIVAL DE CANNES apresentando AQUARIUS em première mundial e em competição. Prêmios não são matemáticos, por mais que a imprensa, a crítica e cinéfilos defendam seus filmes amados. Fica uma experiência intensa de repercussão, imprensa espetacular, discussão emotiva e política em torno do filme e do Brasil, do amor e da história. E esse filme pernambucano em parceria com a França e rodado na praia do Pina começa uma longa carreira até agora programada em 18 países (Sydney, Austrália, daqui a 2 semanas). E começa também o percurso até o Brasil, em especial ao Recife. Obrigado a todos! AQUARIUS. PS: estou jantando nesse momento com Paul Verhoeven, parcialmente responsável por eu fazer filmes hoje é que teve belo filme na competição de Cannes 2016. Que incrível”.

Elenco de Aquarius e o diretor, Kleber Mendonça Filho, protestam "contra o Golpe" no Festival de Cannes

Elenco de Aquarius e o diretor, Kleber Mendonça Filho, protestam “contra o Golpe” no Festival de Cannes

Em tempo: apesar da derrota de “Aquarius”, o Brasil não volta de mãos abanando. No sábado (21), o documentário “Cinema Novo”, de Eryk Rocha, ganhou o “Olho de Ouro” do Festival de Cannes, enquanto, “A Moça Que Dançou Com o Diabo”, concorrente na categoria curta-metragem, não ganhou o prêmio, mas levou uma distinção do júri.

 

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