*Por Brunna Condini
‘Meu Ayrton, por Adriane Galisteu’, lançada no início deste mês, tem obtido índices considerados bastante satisfatórios para os executivos da HBO Max. Eles querem continuar investindo em produções deste tipo. Adriane Galisteu celebra o feito, e conta que tem dividido seu tempo entre a divulgação da série documental, a apresentação do reality ‘A Fazenda 17’, na Record; e a preparação para o lançamento do livro ‘Menopausa Sem Mistérios’, no próximo 1º de dezembro, em São Paulo. A obra, escrita em parceria com seu médico Dr. André Vinicius, parte da experiência de Adriane, “que foi bem dura”, como ela mesmo define, trazendo detalhes sobre esse processo e período da mulher.
Ela conversou com o site Heloisa Tolipan a caminho da gravação de ‘A Fazenda’ e admitiu sobre a série: “Quase não fiz, foi muito difícil pra mim. Já havia recebido outras ofertas, mas tudo em tom polêmico. Essa produção não é ‘resposta’ a nenhuma outra produção sobre o Ayrton, gosto de frisar. É, além do meu ponto de vista da história, também parte importantíssima da minha vida. E só aconteceu, mais de 30 anos depois, porque após a série que fizeram na Netflix, as pessoas nas redes sociais pediram muito para que eu contasse o que vivi com ele. Ayrton é um herói nacional e sempre será essa inspiração. E quantas obras forem feitas sobre ele, ainda será pouco. Fiz mais uma homenagem para esse homem incrível”.

“Decidi escrever esse livro contando um pouco dessa travessia da menopausa. Como você passa, um monte de gente passa também” (Foto: Bruno Fiorentino)
Como disse na série, a apresentadora continua aberta à aproximação com a família do piloto. Alguém já fez esse movimento depois do lançamento de ‘Meu Ayrton’? “Não. Mas eu sigo aberta. E confio que um dia isso vai acontecer”. À frente de “um programa super difícil de apresentar”, em um horário de disputa acirrada com a Globo, Adriane se equilibra entre pressão de audiência, redes sociais e as marcas de quem foi muito julgada nos anos 90, mas se recusa a ficar presa ao passado:
Eu não guardo mágoas. Não sou essa mulher, não perco tempo com isso. Mas o que aconteceu está lá, não é para ser esquecido – Adriane Galisteu

“Minha série é mais uma homenagem pra esse homem incrível” (Foto: Danilo Borges)
Galisteu também reflete sobre o quanto a sociedade, e ela mesma, mudaram desde aqueles anos de exposição intensa. “Lá atrás tinha um jeito meio estranho de fazer a coisa. Era meio bruto, áspero, cheio de julgamentos. Me lembro que todas as entrevistas que eu dava me colocavam em uma situação muito difícil. Até com jornalistas que eram meus amigos, como o Jô Soares (1938 – 2022) e a Marília Gabriela. É só você ver nos trechos da série”, lembra. “Apesar disso, sempre me relacionei bem com a imprensa, com respeito, nunca deixei de dar entrevista. Mas muitos só estão atrás de frases de efeito, para gerar polêmica, é uma pena”. Hoje, no entanto, a apresentadora enxerga transformações importantes:
Mudou o tom, mudou o jeito que as pessoas encaram… acredito que essa coisa do ‘apagamento’, que tentaram fazer comigo quando o Ayrton morreu, é algo muito grave e as pessoas não aceitam mais, não pega bem. Acho muito importante as coisas se transformarem para melhor. Mas naquela época isso era muito forte. Sigo em frente. Tudo me fortaleceu ainda mais para chegar até aqui – Adriane Galisteu
Ayrton Senna e Adriane Galisteu na década de 1990, quando namoraram (Imagem divulgação série HBO Max)
Ela aponta que parte da hostilidade que viveu vinha de preconceitos estruturais da época. “Contavam uma história e a galera acreditava naquilo. Aqui havia um julgamento pesado. No exterior, era diferente: me tratavam muito mais próximo da realidade. O papel da imprensa era retratar, não julgar”. E enfatiza que, apesar de tudo o que foi dito sobre ela, não acionou a Justiça contra ninguém: “Nunca processei. Meu advogado falava: ‘Não gaste seu dinheiro com isso, vai comprar uma bolsa’. E ele tinha razão. Uma hora a história vira. E virou”.
Essa forma de ver a vida, também passa por como lida com decepções, até mesmo no campo pessoal. “Sempre vou muito de peito aberto e, por causa disso, já me decepcionei muito. Teve amiga que tirei de um lugar difícil, que se tornou uma grande profissional na TV… e levei uma facada inacreditável dela. Claro que não é mais minha amiga íntima, mas eu não desejo mal, não carrego essa energia ruim. Ela pediu desculpas e seguimos, não da mesma forma, mas vou em frente. Resolvo o que dá para resolver. O resto, deixo ir”. Essa postura, mais leve e assertiva, se reflete inclusive na maneira como cria o filho, Vittorio, de 15 anos.
Quero que ele veja minhas fragilidades. Quero que converse comigo sobre os erros dele. A gente vai errar junto. Antigamente pai e mãe não mostravam esse lado. Faço diferente. Quero Vittorio próximo e para isso, preciso mostrar humanidade – Adriane Galisteu

“Acho que essa coisa do ‘apagamento’, que tentaram fazer comigo quando o Ayrton morreu, é algo muito grave e as pessoas não aceitam mais” (Foto: Danilo Borges)
A Fazenda, carnaval e descanso
Apresentando ‘A Fazenda‘ desde 2021 e há cinco edições, ela vive uma rotina intensa com o reality e se vê em um dos momentos mais maduros da carreira. “Me sinto muito bem fisicamente, preparada para as pressões. É um programa que mexe muito com os ânimos das pessoas e do país, mas a gente está conseguindo ser primeiro lugar quase todas as noites. Para quem está fora da Globo, isso é uma vitória gigantesca”, destaca. A apresentadora conta que, quando percebe estagnação, ela mesma cria movimento. “Se tem alguma coisa meio parada, eu invento outra para mim. Parar, eu não vou parar. Esse é meu jeito. Preciso de desafios constantes. Sou do movimento, da ação”.
E descanso, está programado? “Provavelmente só depois do carnaval mesmo. Sigo no carnaval em outra posição, não mais como rainha de bateria, mas me sinto uma rainha para sempre na Portela. Foram anos de Portela, sempre super bem recebida. Faço parte da história do carnaval, continuo lá. Agora, À frente da escola, apresentando o desfile. Então, minha folga só vem depois do carnaval”.
Foram 18 anos como Rainha de Bateria, entre a Portela e a Unidos da Tijuca. Tenho muitas histórias de carnaval para contar e é um lugar que eu pertenço – Adriane Galisteu

“Me sinto muito bem fisicamente, preparada para as pressões” (Foto: Danilo Borges)
Menopausa sem mistérios e sem silêncio
Foi justamente essa energia inesgotável que quase sucumbiu quando a menopausa bateu à porta. O susto virou aprendizado. E livro. “Estou com 52 anos, entrei no climatério aos 48. Eu era absolutamente desinformada. Acreditei que o que sentia era estresse”. E desabafa:
Achei que estava dormindo mal porque estava estressada, engordando porque estava estressada… até me dar conta de que estava sem hormônio nenhum. Fiquei muito triste. A mulher na menopausa sempre foi vista como quem já não serve para nada. Não me reconhecia – Adriane Galisteu
A vulnerabilidade veio acompanhada de medo. “Pensei: ‘E agora? Tenho uma agenda lotada, como vou fazer? Será que vou perder meu marido? Será que não sirvo mais?’ Fiquei muito sozinha nesse rolê até admitir que precisava de ajuda. Tive muitos sintomas, muitos mesmo”. Das dificuldades, veio o desejo de amparar outras mulheres. “Decidi escrever esse livro contando um pouco dessa travessia. Como você passa, um monte de gente passa também, só que ninguém fala. No livro tem meu depoimento, mas tem também soluções, sintomas, formas de tratar. Não é um livro de leitura corrida, é de consulta”, diz, sobre a obra escrita com o ginecologista Dr. André Vinícius, especialista em climatério.
Com lançamento marcado para 1º de dezembro, ‘Menopausa Sem Mistérios’ marca uma nova fase da apresentadora, informada, medicada e, sobretudo, disposta: “Tenho tanta vida ainda para viver, e quero me manter como sou, cheia de gás. Não vou parar”.
Revivendo memórias e aprendizados que ficam
Ainda sobre a série, Galisteu recorda que nas filmagens ficou muito mexida e que lembranças vívidas vieram à tona. “Quando entrei no apartamento de São Paulo em que ficávamos, veio o cheiro do suco de laranja das manhãs. E quando entrei na casa do Braga, em Portugal, um lugar muito nosso e que foi muito importante pra mim, foi muito emocionante. A casa tinha o mesmo cheiro, a cama do quarto em que dormíamos no mesmo lugar, voltei no tempo”. Da relação com o ídolo, ela guarda um mantra que passou a guiar sua própria trajetória: “Precisei ser muito forte desde cedo, a vida nunca foi fácil pra mim. Ayrton me conheceu assim, com o ‘pacote’ da alegria que eu tinha, e também com os problemas. Mas se tem uma coisa que ele me ensinou e fez toda diferença, foi que a vida é para ser vivida. É agora, e no meio disso, vamos vendo como resolver as questões. Aprendi essa urgência de viver”.

Adriane Galisteu revisita memórias com Ayrton Senna, conta que algumas coisas precisaram ficar de fora da série; lida com a pressão de comandar ‘A Fazenda 17’ e lança livro sobre menopausa (Divulgação HBO Max)
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