“A favela está conquistando seu espaço”, frisa Reinaldo Junior, que estreia na Globo a convite de Lázaro Ramos


Vencedor do prêmio Ubuntu 2019 de Melhor Ator, pela peça “Oboró: Masculinidades negras”, o ator é um dos nomes que integra o elenco da série ‘Falas negras’, no qual vive Baquaqua, um africano escravizado no Brasil. O especial, que será exibido em 20 de novembro e dirigido por Lázaro Ramos, faz um resgate de nomes negros que desde 1600 vêm travando uma luta contra o racismo e muitos deles foram ‘apagados’ dos livros de História

O ator Reinaldo Junior estreia na TV Globo, no especial ‘Falas Negras’, com direção de Lázaro Ramos

*Por Rafael Moura

Há décadas, novembro tem se tornado referência para pessoas que buscam uma sociedade mais igualitária e pela luta antirracista. O mês que se tornou um símbolo de luta, e resistência do povo negro, que historicamente tem sido o protagonista do enfrentamento ao racismo articulado nas diversas camadas sociais, principalmente pelo reconhecimento de Zumbi dos Palmares como um grande líder nessa marcha. O ator Reinaldo Junior traz os conceitos de ‘nós, por nós’ e ‘vidas negras importam’ em sua essência.

Ele reúne em seu currículo trabalhos altamente premiados: Melhor Ator pelo Prêmio Ubuntu 2019 por Oboró – Masculinidades Negras; ganhador do Prêmio Shell 2020 na categoria Inovação por Terreiro Contemporâneo; indicado a melhor ator no Prêmio Olhares da Cena 2017, co-Idealizador e Curador do Projeto ‘Segunda Black‘, entre outros. O artista, que é de Mesquita, Baixada Fluminense, também é produtor e diretor de movimento da Confraria do Impossível. Aos 29 anos, com o longo currículo de prêmios, Reinaldo mostra que como diz em suas próprias palavras “a favela está conquistando seu espaço”.

O ator Reinaldo Junior na premiada peça ‘Oboró: masculinidades negras’ (Foto: divulgação)

Após uma carreira cheia de histórias, premiadas nos palcos, Reinaldo estreia na nas telinhas, no especial ‘Falas Negras’, da TV Globo, interpretando Mahommah Gardo Baquaqua, que será exibido em 20 de novembro. Dirigido por Lázaro Ramos, cada episódio é como um livro de histórias pretas que traz narrativas de grandes personagens que, desde 1600 até os dias de hoje, vêm lutando contra a escravidão, a segregação racial, o racismo e a intolerância. “Baquaqua foi um herói pouco conhecido no Brasil, mas traz um olhar para além do que os livros e o mercado apresentam que é importante para desmistificar e popularizar para mais de 100 milhões de brasileiros a verdadeira história, contada por nós, através da luta e riqueza do nosso povo”, afirma.

O ator Reinaldo Junior no especial da TV Globo ‘Falas Negras’ será Mahommah Gardo Baquaqua

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Sua vida, dentro e fora dos palcos e sets, é pautada no combate ao racismo e a humanização aos corpos dos homens negros. “Rei Black”, como é conhecido, foi convidado por Lázaro Ramos para interpretar Babaquara após ver sua atuação no espetáculo ‘Esperança na Revolta’, que foi indicado ao Prêmio Shell em três categorias, sendo premiada em direção, por André Lemos.

Para Reinaldo Junior expandir seu trabalho do teatro para as telinhas é de grande importância para levar representatividade aos seus. “Sou da Baixada Fluminense, o acesso ao teatro é muito restrito, a minha arte pouco é vista pelos meus familiares e amigos de infância. É quase um evento levá-los ao teatro. A TV é grande responsável pela construção do imaginário social, estar nessa plataforma hoje, é levar representatividade para mais de 100 milhões de brasileiros que têm a nossa cara, a nossa cor e o nosso jeito preto”, afirma.

“É fundamental para os nossos que exerçamos o Black Money, empregando e valorização de profissionais negros”

Para além de discurso, Reinaldo abre espaço para pessoas negras na prática e o ator faz questão ter uma equipe toda composta por pessoas negras cuidando de sua carreira. Dar força ao Black Money é uma das suas missões e, segundo ele, empoderar só é possível no coletivo. “Minha equipe é Black Excellence, por isso é fundamental para os nossos que exerçamos a filosofia Black Money, por meio de empregabilidade, valorização de profissionais negros em todos os setores. Negociações, comunicação e a estratégia a partir de uma agenda pautada na negritude, me dando todo o respaldo afetivo e profissional para que eu não me sinta sozinho em cena”, enfatiza.