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6º Cine Fest Brasil-Buenos Aires: os filmes “Cássia Eller” e “Nora” saem consagrados no festival que exalta a indústria nacional do audiovisual

Dos dias 18 a 24 de junho, o 6º Cine Fest Brasil-Buenos Aires baixou no Village Recoleta com 24 películas brasileiras – da mais recente safra – na mala. E nós, de HT, contamos tudo que aconteceu nessa edição

Publicado em 27/06/2015 | Por Lucas Rezende

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A indústria nacional do audiovisual vem mostrando a que veio e provando por a+b a sua força quando o assunto é apresentar aos latinos o que nossa sétima arte tem de melhor. E isso não é de hoje. HT já acompanha faz tempo como nossos longas estão ultrapassando a fronteira por meio de grandes eventos produzidos pela Inffinito Produções, das irmãs Adriana e Cláudia Dutra + a sócia Viviane Spinelli. Recentemente, seja no Uruguai ou a Argentina, as iniciativas de festivais de filmes brasileiros atuam como peças-chave para o que nós mais precisamos no momento: estreitar as relações culturais e comerciais, alavancando o caráter de exportação dessa indústria. Prova de como isso vem sendo feito? Depois de Montevidéu em maio, o evento chegou na Argentina em sua sexta edição e consagrou dois longas e suas respectivas homenageadas, Cássia Eller e Nora Rónai.

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Mas, antes de contar os resultados dessa edição, expliquemos detalhadamente como funciona o festival. Dos dias 18 a 24 de junho, o 6º Cine Fest Brasil-Buenos Aires baixou no Village Recoleta com 24 películas brasileiras – da mais recente safra – na mala. Além da apresentação do que a gente vem fazendo por nossas bandas, os hermanos – assim como os uruguaios também fizeram – puderam escolher as nossas melhores produções por meio de uma mostra competitiva. Nela, disputaram 14 longas selecionados por um timão de curadores: Luiz Dolino, Ricardo Cota, Sérgio Sá Leitão e Walter Lima Júnior. E o resultado foi super interessante. Dois documentários se sagraram vencedores. Primeiro, o “Cássia Eller”, de Paulo Henrique Fontenelle, diretor que esteve em Buenos Aires, mas retornou antes do encerramento e não pode receber o troféu em mãos.

Mas o que importa é a riqueza que o material proporciona a quem tem acesso. No documentário, Fontenelle, que também assina o roteiro da obra, nos faz reviver a breve, porém marcante passagem da cantora pelo cenário musical nos anos 90. Sob um aspecto social, a morte de Cássia teve uma repercussão nacional que segue até hoje, por conta da guarda de seu filho, que acabou ficando, surpreendentemente, com sua parceira Eugênia. Lançado em 2014, “Cássia Eller” mostrou uma turma musical bacana como Nando Reis e Oswaldo Montenegro, por exemplo; e foi exibido no segundo dia de festival junto com o curta “Guida”, da diretora Rosana Urbes, e a comédia romântica “Ponte Aérea”, da talentosa Júlia Rezende.

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E melhor do que entender a grandeza do vencedor, é analisar quem estava no páreo junto. Uma briga de gigantes que só vem a reforçar o nível qualitativo dessa safra que a Argentina recebeu. A prova? “Trinta” – sobre o carnavalesco Joãozinho Trinta, que aliás foi o vencedor do 6º Cine Fest Brasil-Montevidéu – , a comédia “Loucas para Casar”, “Democracia em Preto e Branco”, “A Estrada 47”, e “A História da Eternidade”. Fácil para “Cássia Eller” podemos saber que não foi. Ah, isso sem contar com os representantes de garbo e elegância de cada longa que estiveram in loco aguardando pelo resultado. Tinha de Matheus Nachtergaele a Ingrid Guimarães, passando por Pedro Asberg, Vincent Ferraz e Camilo Cavalcante.

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Está se perguntando onde Nora Rónai – como dissemos no inicio desse texto – entra na história? A produção que conta sua trajetória venceu em uma categoria diferente, a de curtas. O que mostra que a nossa indústria joga nas onze, babies. Nessa etapa, foram nove curtas em competição, e destes, os argentinos preferiram a história dirigida por Gabriel Mendes e Fernando Muñoz. Aqui, uma nota: o filme é campeão duplo nessa temporada, já que também faturou o prêmio no 6º Cine Fest Brasil-Montevideu e levou o segundo troféu Lente de Cristal no Circuito Inffinito. Tamanha performance se deve em parte à emoção que a produção leva contando a história da nadadora brasileira ouro inúmeras vezes em sua categoria no Brasil e no exterior. Com um fôlego invejável tanto dentro como fora da água, ela fugiu com a família da Itália durante a Segunda Guerra Mundial e foi parar no nosso amado Rio de Janeiro. Entendeu agora por que arrebatou os latinos, né?

Pois bem. Os dois vencedores da noite – em meio a tanta disputa – foram anunciados por Luciane Gorgulho, Chefe do Departamento de Cultura da Área Industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, bom citar, dão uma senhora mão para que os dois festivais aconteçam. Além dessas duas categorias, a turma do BNDES também prestigiou e entregou – por meio de Marcio Cameron – o troféu Lente de Cristal para o estudante Benjamín Harguindey . O motivo? O prodígio analisou do filme “Samba & Jazz”, de Jefferson Mello como ninguém e se saiu como o melhor no concurso de crítica literária entre estudantes de cinema argentinos. HT lembra que foi a primeira vez que esse concurso foi feito e, pela estreia, deve se repetir.

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E não foi só. Nessa sexta edição, também houve a categoria hors concours, na qual o público argentino teve a chance de conferir em primeira mão o novo documentário de Adriana Dutra, com codireção e direção de fotografia Walter Carvalho: “Quanto Tempo o Tempo Tem”. E aqui o papo é cabeça, caros leitores. O doc faz uma reflexão – necessária! – sobre a questão do tempo e da falta dele no mundo contemporâneo. E a diretora contou com depoimentos de André Comte-Sponville, Thierry Paquot, Arnaldo Jabor, Francis Wolff, Luiz Alberto Oliveira, Raymond Kurzweil, Arthur Dapiéve, Monja Coen Sensei, Nélida Piñon e Nilton Bonder, entre outros. É só conter a curiosidade que “Quanto Tempo o Tempo Tem” já já ultrapassa a fronteira e entra em circuito comercial no Brasil.

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Aliás, essa não foi a única exclusividade dos hermanos. Na cerimônia de encerramento,  o Village Recoleta ficou abarrotado por causa da pré-estreia do filme “A Oeste do Fim do Mundo”, de Paulo Nascimento, que entrará em circuito comercial em Buenos Aires. Ele foi guardado para o final por um motivo nobre: é uma coprodução Brasil-Argentina. Na festa, ele foi representado pelo produtor Leonardo Machado, o produtor executivo argentino Martin Viaggio, e pela assistente de direção, Ane Sidermanque. E por fim, a chave de ouro ficou foi uma homenagem ao diretor argentino Luis Puenzo, ganhador do Oscar pelo filme “A História oficial”. No festival, ele foi homenageado com um troféu Lente de Cristal, entregue pela ministra da embaixada do Brasil, Gisela Padovan, e com a exibição de trechos do longa de 1985 restaurado. Nada mais justo para um evento que faz justiça: expandir a arte em nome da própria arte.

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Créditos: Reprodução

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