Cinema & TV

46º Festival de Cinema de Gramado: Carlos Saldanha, cineasta queridinho de Hollywood, é homenageado no segundo dia

Diretor de A Era do Gelo 2 e 3, Rio 1 e 2 ganha Troféu Eduardo Abelin. Além disso, Adriana Esteves está em Gramado para prestigiar o seu filme, Benzinho, no qual faz uma mulher forte e empoderada

Publicado em 19/08/2018 | Por Ana Clara Xavier

Se Gramado já é conhecido pelo seu glamour particular, neste sábado a cidade ganhou um toque quase que hollywoodiano. O motivo? A presença do renomado produtor, roteirista e diretor Carlos Saldanha. O carioca possui uma fama internacional e é o brasileiro de maior destaque no maior pólo cinematográfico do mundo por fazer parte de filmes conhecidos no universo da animação como A Era do Gelo 1, 2 e 3, Robôs, Rio 1 e 2 e muito mais! O cineasta foi o escolhido da vez para receber o Troféu Eduardo Abelin, que no ano passado foi entregue ao também diretor de desenho Otto Guerra. Além da homenagem, o segundo dia do 46º Festival de Cinema de Gramado teve a exibição dos primeiros curtas e longa internacional, juntamente da presença de Adriana Esteves. Vem conferir!

Saiba: 46º Festival de Cinema de Gramado: Internacionalidade e discussão política marcam o primeiro dia

Carlos Saldanha é o primeiro homenageado do Festival deste ano (Foto: Pressphoto)

Carlos Saldanha passou pelo tapete vermelho cumprimentando vários admiradores do seu trabalho. Posou para fotos e ainda deu abraços em fãs. Ele exibia um sorriso de orelha a orelha, sem conseguir esconder a felicidade que estava sentindo pela condecoração. “Este é um momento de muita honra para mim, porque foi um grande reconhecimento. Minha carreira foi praticamente feita no exterior e mesmo assim recebi um prêmio aqui no Brasil. Tem outro significado para mim. Muito especial. Fico muito feliz com o carinho que o público tem pelos meus projetos. É incrível poder ver as crianças crescendo assistindo A Era do Gelo e, agora, adultos vendo o Touro Ferdinando. É uma recompensa muito grande. A verdade é que todos nós queremos contar boas histórias e bons personagens, não importa como”, discursou o cineasta. Antes de subir ao palco, ele ainda recebeu uma homenagem que relembrava toda a sua larga trajetória pelo cinema, através de desenhos bem humorados do animador Otto Guerra.

Isabella Saldanha, esposa do cineasta, posa ao lado de Carlos no Kikito (Foto: Pressphoto)

O segundo momento mais marcante da noite tem tudo a ver com a montagem Benzinho. O filme foi o único longa brasileiro da noite e impressionou o público por seu caráter mais doce e amoroso. Na trama, uma mãe de família é colocada contra a parede quando o seu primogênito é convidado para jogar handebol na Alemanha. Até a ida do menino, ela terá poucos dias para se acostumar com a ideia é liberar o seu filho para o mundo. “Este filme é uma história de amor da mãe com os filhos, a irmã e o companheiro. Temos duas mulheres muito fortes cercadas por muitos homens, mas elas são o motivo que impulsiona toda a família a lutar por seus ideais. Elas não se declaram feministas, mas bem que poderiam. Este longa fala de carinho em um momento difícil que estamos vivendo. É baseado nas nossas mães, tias e outras figuras fortes que temos nas nossas vidas”, comentou o diretor Gustavo Pizzi. Ao todo, a versão demorou quase cinco anos para ser concluída e já é sucesso no exterior tendo sido exibido em outros lugares ao redor do mundo. “O nosso cinema sempre foi muito requisitado e agora não é diferente”, sugeriu Otávio Müller.

Benzinho conta a história de mulheres fortes em empoderadas (Foto: Pressphoto)

O longa mostra uma realidade bem próxima ao cotidiano dos brasileiros e, apesar de não ser considerado feminista, ele valoriza a força do gênero feminino. “A mulher, neste filme, é uma protagonista e não um objeto. Isto é revolucionário. Nós precisamos dar espaço para outros olhares seja o gênero feminino ou a comunidade LGBT e os negros. Precisamos abrir os olhos e o coração, só assim vamos conseguir mudar junto com o mundo. Precisamos de empatia e amor”, comentou Karine Teles, roteirista e atriz.

Adriana Esteves é a protagonista de Benzinho (Foto: Pressphoto)

Crise econômica, existencial e relacionamento entre duas mulheres são características estruturais do primeiro filme estrangeiro do 46º Festival de Cinema de Gramado. O longa Las Herederas retrata a história de um casal de mulheres com mais de 60 anos, que mora no Paraguai, que está enfrentando uma crise econômica. Ao mesmo tempo, a mais velha está lutando pela sua própria liberdade depois de enfrentar anos de relacionamento abusivo. De acordo com a equipe, isto tem total ligação ao sistema de repressão que afirma existir no nosso país vizinho. “A crise deste casal vai de encontro também a uma crise do país. Não se esqueçam que nós passamos por uma ditadura de 35 anos e todas as pessoas da minha idade viveram isto. Eu, por exemplo, vivi terrivelmente este momento histórico. Esta história é universal, para mim”, comentou Ana Brun e o diretor Marcelo Martinessi ainda completou: “Mesmo com os ditadores tendo saindo de cena, este sistema ainda está presente na sociedade. Esta história fala sobre uma busca pela liberdade”.

Elenco e equipe do filme Las Herederas chegando para a exibição do longa (Foto: Pressphoto)

A trama retrata a crise de um casal, da solidão, de um relacionamento abusivo e de uma busca pela libertação. No entanto, muitas pessoas confundiram o propósito desta montagem.  “Apesar da união feminina não ser o assunto principal, a maioria das pessoas que criticou este filme no Paraguai foi por causa disto. No entanto isto é apenas um detalhe no enredo do longa”, lamentou Ana. Mesmo tendo se tornado um tabu, o diretor deixa claro que poderia ser qualquer outro casal passando por aquela trama. “A gente assume que estas duas mulheres vivem juntas em seu mundo sem que isto seja o tema central. Queríamos contar isto com muita naturalidade”, comentou Marcelo.

Esta é a primeira vez que o diretor paraguaio Marcelo Martinessi exibe um filme no Festival de Cinema de Gramado. “Está sendo muito bonito poder estrear aqui”, comentou. A montagem é fruto de uma parceria internacional também com Brasil, Alemanha, França, Paraguai e Uruguai. Esta carreira no exterior já garantiu, até mesmo, o Prêmio da Crítica em Berlim. No Brasil, o lançamento nacional será no dia 30 de agosto e, para o cineasta, esta parceria entre os países latinoamericanos é essencial e deve ser sempre reproduzida. “Eu acredito muito na co produção da América Latina, principalmente, porque, às vezes, deixamos que os fundos internacionais da Europa moldem o cinema que queremos fazer. Acredito ser muito importante que a gente mostre a nossa força conjunta”, afirmou.

Marcelo Martinessi apresenta o longa minutos antes de ser exibido (Foto: Pressphoto)

O primeiro curta-metragem exibido no Festival de Cinema de Gramado curiosamente se chama Um Filme de Baixo Orçamento. O título já exibe a proposta clara e objetiva da produção. O filme fala sobre o Instituto Brasileiro de Ciências Alternativas e de Segunda Importância que, em tese, atuaria nos projetos mais ousados do país. “Para mim é uma honra muito grande poder exibir um filme aqui no Festival de Cinema de Gramado, porque é um evento que tem uma história muito bonita com o audiovisual nacional. Está sendo uma sensação indescritível. Este filme foi muito difícil de fazer e espero que seja bacana de ver também”, comentou o roteirista Paulo Leierer.

iretor Paulo Leierer do Curta-metragem brasileiro “Um Filme de Baixo Orçamento” e a Montadora Camila Gutierrez apresentando o curta (Foto: Pressphoto)

O segundo curta da noite trouxe uma proposta bem mais audaciosa. Guaxuma conta a história de duas meninas que cresceram juntas na praia e retrata todas as lembranças da protagonista daquele tempo passado. O filme possui uma estética de desenho animado o que dá uma atmosfera completamente inesperada. Ao apresentar a montagem, a diretora Nara Normande aproveitou para se mostrar também politicamente. “Primeiramente, Fora Temer. Este curta é muito pessoal e estou muito feliz com o resultado dele. É uma co-produção com a França, que foi um passo muito importante. É um filme feito em areia. Foi tudo feito à mão sem qualquer computação gráfica, por isso demorou muito para fazer. E queria falar ‘Lula Livre’ também”, finalizou.

 

Pesquisas relacionadas