Minas Trend: Sustentabilidade e novos espaços digitais sob a ótica de Hellen Formaggini, designer analista de tecnologia e inovação do Senai Horto


No maior Salão de Negócios da América Latina, expositores, e compradores do Norte a Sul do país mergulham em vários temas sobre moda e comportamento com o SESI E SENAI TALKS, incluindo uma análise sobre a transição da moda brasileira do atual sistema linear de produção e consumo para um modelo circular. A analista de tecnologia do SENAI Horto comenta: “O espaço digital entra muito como um interlocutor para negócios quando falamos de sustentabilidade. Hoje, além do mercado de segunda mão de roupa, que já está consolidado, o mercado de insumos já é uma realidade também em muitos países. Vai desde insumos têxteis e materiais para confecção de peças, até peças de carro e resíduos que viram matéria-prima, ou seja, o que pode ser descartado de alguma forma por uma empresa, se torna matéria-prima para outra. A tecnologia é uma facilitadora para essas conexões na troca e venda entre as empresas, e também começa a impactar em grande escala ambientalmente, além de conscientizar as empresas a praticar a economia circular”

Hellen Formaggini tem uma trajetória linda na moda e que a gente aqui do site acompanha há anos. A designer analista de tecnologia e inovação do SENAI Horto sempre foi pura paixão trabalhando em tantas frentes, como assinando a criação e desenvolvimento de coleções de inúmeras marcas mineiras e nacionais, incluindo ainda a sua própria label. E é essa expertise e muito mais que ela compartilha durante a palestra “Sustentabilidade x Novos Espaços Digitais” , hoje, quarta-feira (dia 20), às 14h, no Minas Trend, o maior Salão de Negócios da América Latina, promovido pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG). “Sou apaixonada pela construção das roupas e seus materiais. Com a pandemia, tive a oportunidade de repensar e percorrer um novo caminho e hoje atuo em projetos de inovação e iniciativas para fomento à indústria de moda. Levo minha experiência de mercado e conhecimento técnico para marcas que necessitam e têm potencial de crescimento”, diz.

Hellen Formaggini, analista de tecnologia do SENAI Horto, sempre trabalhou na linha de frente no setor de estilo em desenvolvimento de produtos para grandes marcas (Divulgação)

Hellen Formaggini: sinônimo de garra e perseverança na moda (Divulgação)

A analista vai falar sobre o mercado da moda em transformação e a relação da sustentabilidade com os novos espaços digitais. “A moda hoje tem procurado repostas de como trabalhar a sustentabilidade dentro das marcas e nos produtos. Na realidade, é um grande desafio, pois ainda dependemos de insumos e outros recursos para produzir. Existem várias formas de percorrer um caminho mais sustentável e, um deles é começar a pensar: ‘Como posso ter o menor impacto possível com essa peça?’. Vários nichos de mercado com impacto mínimo vêm crescendo também, como por exemplo o mercado de revenda de moda”, aponta. Trata-se de um dos modelos de negócio sustentável que está em ascensão. Conhecido ainda como resale ou second hand, ele faz com que o ciclo de vida de um produto seja muito maior e, assim, diminuindo o impacto do descarte. Estamos falando da transição da moda brasileira do atual sistema linear de produção e consumo para um modelo circular. E vemos o exemplo de diversas marcas e plataformas digitais que fazem mega sucesso com peças second hand ou investem no upclycling.

É de suma urgência também no mundo e no Brasil o gerenciamento de resíduos têxteis. E a revenda de insumos, deadstock, já tem se mostrado uma realidade em muitos países. O gerenciamento de resíduos é uma grande oportunidade para a indústria do vestuário. E temos visto casos crescentes de empresas com know-how de logística para transformar em moda toneladas de sobras de tecidos das indústrias, por exemplo, que seriam aterrados ou incinerados. O Brasil representa hoje a quinta maior indústria têxtil do mundo.

Temos pontuado sempre que a questão da reciclagem pré e pós-consumo, o ecossistema de inovação, a transparência na cadeia de fornecimento e as estratégias para o desenvolvimento de produtos circulares e ambientalmente responsáveis são sinônimos de soluções mais limpas em prol do planeta.

Hellen comenta ainda sobre como a pandemia apressou a migração das vendas para o digital para que os negócios sobrevivessem e aponta os novos caminhos adotados para revenda no segmento da moda. ‘É importante mesmo para marcas de nicho estarem de alguma forma em diferentes plataformas para alcance da geração Z, por exemplo. Hoje a venda online não acontece apenas no e-commerce, as plataformas de rede sociais se tornaram um dos principais canais para captar esse novo consumidor. As vendas podem sair desde os pequenos criadores de conteúdo até de vídeos super elaborados. Chamamos de venda granular. Então, é obrigatório estar atento e trabalhar com o máximo de ferramentas de dados que o digital oferece para quem deseja ser relevante nas redes”, observa.
E, ainda segundo Hellen, “o espaço digital entra muito como um interlocutor para negócios quando falamos de sustentabilidade. Hoje, além do mercado de segunda mão de roupa, que já está consolidado, o mercado de insumos também já é uma realidade em muitos países. Vai desde insumos têxteis e materiais para confecção de peças, até peças de carro e resíduos que viram matéria-prima, ou seja, o que pode ser descartado de alguma forma por uma empresa, se torna matéria-prima para outra. A tecnologia é uma facilitadora para essas conexões na troca e venda entre as empresas, e também começa a impactar em grande escala ambientalmente, além de conscientizar as empresas a praticar a economia circular”.