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Donald Trump causa incômodo ao servir sanduíches de rede de fast food conhecida por posição homofóbica

Atletas foram recebidos na Casa Branca com hambúrgueres da Chick-fil-A, que financia grupos anti-LGBTQ

Publicado em 05/03/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

Na segunda-feira, dia 4, pela segunda vez em seu governo, o presidente americano Donald Trump serviu fast food para atletas durante uma comemoração na Casa Branca. Só que, agora, ele conseguiu se superar: entre a louça finíssima e os sousplats de prata colocados sobre a elegante mesa de mogno da sala de jantar estavam… sanduíches de duas gigantes. Tudo bem, é Trump sendo Trump. A questão que gerou muito incômodo nos Estados Unidos é que a Chick-fil-A é conhecida por sua oposição feroz aos direitos LGBTQs. O campeão da vez foi o time de futebol americano Dakota State Bison.

Trump recebe os atletas do Dakota State Bison com fast food (Foto: Divulgação)

“Nós poderíamos ter contratado chefs, poderíamos, mas vamos comer fast food” porque eu conheço vocês”, disse o mandatário para os atletas, que se acabaram de rir. Trump também fez uma espécie de saudação à Chick-fil-A: “Chick-fil-A, perguntam. Chick-fil-A, eu respondo!” Em janeiro, Trump recebeu os atletas da universidade de Clemson com hambúrgueres, fritas e refrigerantes do McDonald’s e do Wendy’s. Não tão constrangedor, mas igualmente calórico.

O presidente justificou o primeiro banquete de gordices com a paralisação do governo devido à oposição dos democratas à construção do muro na fronteira com o México. Ontem, porém, a desculpa foi a proteção dos interesses americanos: “Todos nós torcemos pelas empresas americanas, certo?”. Trump encorajou os atletas a se servir e disse que comeria um sanduíche no pódio, mas não o faria porque isso causaria “muita agitação entre os repórteres”.

A Chick-fil-A ganhou notoriedade nacional nos Estados Unidos por conta dos patrocínios milionários que oferece a grupos que anti-LGBTQs. A empresa veio a público para afirmar que sua fundação não participa mais desses financiamentos, mas uma investigação nos documentos fiscais da companhia concluiu que a entrega de recursos a grupos que condenam ou discriminam ativamente a comunidade LGBTQ nunca foram interrompidos.

Lanche da Chick-fil-A servido na Casa Branca por Donald Trump

Fundada em 1946 por um batista devoto, a Check-fil-A é conhecida por abraçar valores religiosos. Suas lojas, que contam 2.200 unidades, não abrem aos domingos e nem no Dia de Ação de Graças e no Natal. Há filiais no Canadá e na África do Sul. É a terceira maior rede de fast food americana, ficando atrás apenas do McDonald’s e do Wendy’s.

Muitas cidades nos EUA não autorizam a entrada de restaurantes da rede. Em 2015, Denver paralisou temporariamente o processo de abertura de um restaurante da Check-fil-A no aeroporto até que a empresa garantisse que não discriminaria funcionários LGBTQ. Em Glastonbury, Connecticut, o McDonald’s está enfrentando uma loja vizinha recém-aberta da rival com um cartaz “sutilíssimo” em que se lê “We welcome everyone” (algo como “Todos são bem-vindos”).

 

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