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Coração espaçoso: Milena Nogueira é salgueirense apaixonada, compartilha o amor do marido pela Portela e será rainha de bateria no RS: “Acima da bandeira, gosto do samba”

Mulher do sambista Diogo Nogueira, Milena falou sobre a preparação para o carnaval, adiantou um pouco de sua fantasia à frente da bateria e comentou a polêmica das rainhas afastadas da comunidade: “Acho que a visibilidade inerente ao posto é o motivo mais comum da disputa pelo cargo”

Publicado em 24/01/2016 | Por Karina Kuperman

Em clima de carnaval, Milena Nogueira já transita por entre as escolas de samba do coração. E são muitas! Salgueirense convicta, ela também tem uma enorme simpatia pela Portela, leva a Caprichosos de Pilares no coração com todo o carinho e, nesse ano, desfilará à frente da bateria da Imperatriz Dona Leopoldina do Rio Grande do Sul, que homenageará seu marido, Diogo Nogueira. “Por viver neste meio temos amigos em praticamente todas as escolas e somos muito bem recebidos sempre! Acima de bandeira, a gente gosta é de samba, de carnaval. Na hora dos desfiles a gente acaba torcendo para todas mandarem bem. É só na apuração que rola uma competição. Mas também não chega a ser um Fla-Flu”, contou ela, sobre o amor do casal por tantas agremiações.

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Milena desfilou em 2015 na mesma posição no Salgueiro (Foto: Divulgação)

Se, em quatro anos no Salgueiro, ela nunca chegou a ser rainha da escola e já esteve no posto em outras agremiações, ela jura: não se sente desvalorizada pela vermelho-e-branca. “Não acho que seja questão de valorizar. O Salgueiro hoje tem a rainha das rainhas (Viviane Araújo) à frente da bateria e eu me sinto muito honrada por pertencer à escola e estar no posto de musa há cinco anos. Me orgulho muito disso”, garantiu ela, que não adianta detalhes de sua fantasia por nada. “Só digo que promete. Não tenho autorização para contar, mas quem está esperando ver a Milena discreta de sempre na Avenida vai ficar surpreso e, espero, de queixo caído”, contou.

Já na Imperatriz, por outro lado, ela pode dizer um pouquinho: “Será digna de realeza, com costeiro grande, cheio, muito brilho e movimento mas sem perder o conforto”, disse ela, que foi coroada de surpresa. “Estive na apresentação do Diogo e me convidaram. Estou me preparando para voltar ao Sul antes do Carnaval, mas, enquanto isso não acontece, tenho ouvido o samba da Imperatriz Dona Leopoldina e ensaiado com ele”, garantiu. Apaixonada pelo enredo por um motivo especial – a homenagem ao marido, Milena é só alegria em participar da festa. “Achei a ideia incrível. Eles estão homenageando não só o Diogo e o pai dele, mas grandes ícones do ritmo através do Clube do Samba, um bloco que hoje é administrado pela minha sogra, Ângela Nogueira, e nos tempos do meu sogro lançou grandes talentos”, lembrou. Falando em rainha de bateria: será que Milena não pensa em voltar para a Caprichosos de Pilares, onde se consagrou no cargo? “A escola está no meu coração para sempre. Vivi momentos inesquecíveis com aquela comunidade. Tenho certeza que se houver disponibilidade de ambos os lados, desfilarei com eles novamente”, garantiu.

Falando em momentos na comunidade, como verdadeira amante do Carnaval, qual a opinião de Milena sobre as rainhas que são atrizes ou modelos e, geralmente, tem poucos vínculos com as suas escolas? “Acho que o samba da comunidade não perde seu brilho com a presença das atrizes e modelos. Mas, estou para ver alguma que tenha o samba no pé como alguém da comunidade. Os integrantes da comunidade dão um verdadeiro show! Mas as atrizes e modelos têm um glamour diferente e atraem pessoas que talvez não se interessassem em conhecer as tradições do carnaval se elas não estivessem lá. Acho legal ocuparem o posto de rainha de bateria, que tem um perfil social. Tem espaço para tudo o que é alegre e bonito nessa festa”, opinou ela, que acredita que a disputa por esse cargo é graças ao glamour. “Acho que a visibilidade inerente ao posto é o motivo mais comum, mas, particularmente, acho o melhor lugar para desfilar, porque é o coração da escola. A batida e a emoção são incríveis”, declarou.

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A vermelho-e-branca é a escola do coração de Milena (Foto: Washignton Possato/Divulgação)

Que muitas rainhas não sambam, isso é inegável, mas, para Milena, a dificuldade pode ser contornada. “Como isso não conta pontos para a escola, a rainha de bateria não precisa sambar perfeitamente, mas tem que se esforçar né! Fazer umas aulas de samba e, se mesmo assim não der conta, caprichar no carão e no carisma. O mais importante é acompanhar a bateria e encantar o público”, disse. E o que muda na vida pessoal de uma rainha? “A gente acaba abrindo mão de um monte de atividades para se dedicar aos ensaios (de quadra, de rua, os secretos, ensaio técnico), à confecção de figurinos elaborados, eventos sociais e até a rotina de exercícios muda. Eu, que sou sócia do meu marido no centro de treinamento (Fitness 4 You) deixo de malhar lá para fazer aulas de samba”, entregou.

E o que é mais importante na Avenida: sambar, sorrir ou ter o corpo bonito? “Sambar é fundamental para quem quer ter um posto de destaque numa escola de samba. O sorriso é inevitável porque a energia é boa demais. E o corpo bonito é reflexo de cuidados com a saúde e do esforço que sambar requer e dá uma segurança maior para desfilar com aquelas fantasias maravilhosas e pequenininhas. Dá para escolher os três?”, riu. A inspiração a frente da bateria, ela sabe de cor: “A energia da escola e o esforço dos membros para estar ali me motivam. E entre tantas rainhas inspiradoras, tenho a sorte de estar sempre admirando e aprendendo  com a Viviane Araújo, que é top queen”, garantiu ela, que já está contando os dias para a festa: “O carnaval é nossa raiz, faz parte da nossa cultura. Gente do mundo todo vem aqui para ver o nosso espetáculo”, comemorou.

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