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Alô, Queiroz! Paraíso do Tuiuti distribui laranjas durante ensaio na Sapucaí

Depois de fazer história ano passado com o enredo "Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?" e transformar Michel Temer num vampiro sugador do trabalhador brasileiro, a Tuiti contará agora a história do bode que foi eleito vereador em Fortaleza

Publicado em 25/02/2019 | Por Heloisa Tolipan

Para bom entendedor, meia palavra basta: a Comissão de Frente da Paraíso do Tuiuti distribuiu laranjas para o público ontem, no ensaio técnico da Marquês de Sapucaí, na altura do setor 1.

A Comissão de Frente tinha homens engravatados, bailarinas e um homem fantasiado de…bode (expiatório).

Coreógrafo da comissão de frente, Felipe Moreira não fez questão alguma de tentar contemporizar o deboche: “Resolvemos lançar laranjas, em referência ao atual momento político”.

Como se sabe, Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro,  foi citado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras  (Coaf) por ter movimentado R$ 1,2 milhão durante um ano, incluindo pagamentos de R$ 24 mil a Michelle Bolsonaro, mulher do presidente eleito.

Depois de fazer história ano passado com o enredo “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?” e transformar Michel Temer num vampiro sugador do trabalhador brasileiro, a Tuiti contará agora a história do bode que foi eleito vereador em Fortaleza. Sem ter feito campanha, o animal recebeu votos em forma de protesto.

Confira a letra do samba-enredo da Paraíso do Tuiuti:

Samba Enredo 2019 – O Salvador da Pátria
G.R.E.S Paraíso do Tuiuti

O meu bode tem cabelo na venta
O Tuiuti me representa
Meu Paraíso escolheu o Ceará
Vou bodejar lá iá lá iá

Vendeu-se o Brasil num palanque da praça
E ao homem serviu ferro, lodo e mordaça
Vendeu-se o Brasil do sertão até o mangue
E o homem servil verteu lágrimas de sangue

Do nada um bode vindo lá do interior
Destino pobre, nordestino sonhador
Vazou da fome, retirante ao Deus dará
Soprou as chamas do dragão do mar

Passava o dia ruminando poesia
Batendo cascos no calor dos mafuás
Bafo de bode perfumando a boemia
Levou no colo Iracema até o cais
Com luxo não! Chão de capim!
Nasceu muderna Fortaleza pro bichim

Pega na viola, diz um verso pra iô iô
O salvador! O salvador! (da pátria)

Ora meu patrão!
Vida de gado desse povo tão marcado
Não precisa de dotô
Quando clareou o resultado
Tava o bode ali sentado
Aclamado o vencedor

Nem berrar, berrou, sequer assumiu
Isso aqui iô iô é um pouquinho de Brasil

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