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Suspeitos de racismo contra Taís Araújo seriam os mesmos do caso Maju Coutinho e podem pegar até oito anos de reclusão

A Polícia Civil informou que vai quebrar o sigilo de ao menos 30 internautas suspeitos e que as investigações não descartam a participação de menores de idade

Publicado em 05/11/2015 | Por Lucas Rezende

Depois de a atriz Taís Araújo ter ido na manhã de ontem à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, para depor sobre os ataques racistas que sofreu em sua página do Facebook no final de semana, o caso começou a andar com mais velocidade. A Polícia Civil informou que vai quebrar o sigilo de 30 internautas suspeitos dos comentários, e, segundo o delegado-titular da DRCI, Alessandro Thiers, os culpados podem pegar até oito anos de prisão. Agora, duas hipóteses de peso foram acrescentadas à investigação: a suspeita de que os nomes envolvidos nos ataques componham uma quadrilha (podendo ser a mesma que disparou ofensas contra a jornalista Maria Julia Coutinho, da TV Globo) e a participação de menores de idade.

tais araujo

De “escuridão” a “entrou na Globo pelas cotas”, a página oficial da atriz no Facebook foi infestada de comentários preconceituosos

Se confirmada a segunda teoria, os menores responderiam de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente; enquanto o restante seria enquadrado pelo crime de quadrilha, com até três anos, ganhando acréscimo de mais um terço da pena, podendo ir, dessa forma, a quatro de reclusão. Partindo do pressuposto de que o crime de injúria racial tem pena máxima de três anos, também com acréscimo de um terço dependendo do julgamento, essa soma pode chegar a oito anos de cadeia. Enquanto as investigações ainda avançam, quem está na mira da polícia é o grupo QLC The Return, que também é apontado como autor dos ataques contra Maju Coutinho. Os integrantes comentaram a repercussão do caso de Taís e comemoraram o fato da Polícia Federal não ter tomado rédea da situação. Alguns perfis – que já são falsos – criaram outros tão fakes quanto, denunciando pessoas que não tinham a ver com o caso para despistar as investigações.

No teor das mensagens? “Prepara os fakes que vamos zoar uma criola famosa”, “comenta xingando essa macaca, quem não laikar (curtir) os comentários lá vai tomar ban (ser banido)”, “isso não dá nada, se desse nós estava preso faz tempo já, pelo ataque da Maju”. Taís Araújo não se manifestou publicamente desde o final de semana. Maria Julia Coutinho, por sua vez, antes da ligação ser estabelecida, havia defendido a colega de emissora: “Linda, sexy, talentosa. Os cães ladram, mas a caravana passa”.

Reprodução de uma das publicações do grupo apontado como autor dos ataques (Foto: Reprodução)

Reprodução de uma das publicações do grupo apontado como autor dos ataques (Foto: Reprodução)

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Relembre o caso

Era noite de sábado e Taís Araújo estava no palco do Teatro Faap, em São Paulo, atuando ao lado no marido Lázaro Ramos na peça “O Topo da Montanha”, um texto sobre Martin Luther King que fala sobre afeto, tolerância e igualdade. Ironia do destino, foi o momento em que sua página oficial no Facebook ficou abarrotada de comentários racistas (“entrou na Globo pelas cotas” e “escuridão” estavam entre alguns). A atriz, que não apagou nenhum comentário ofensivo, e garantiu que “tudo está registrado e será enviado à polícia federal”, disse que faz questão que todos sintam o que ela sentiu: “A vergonha de ainda ter gente covarde e pequena nesse país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça. Sigo o que sei fazer de melhor: trabalhar. Se a minha imagem ou a imagem da minha família te incomoda, o problema é exclusivamente seu!”.

Não demorou muito para o assunto mais comentado do Brasil no Twitter ser a #SomosTodosTaisAraujo, acompanhada de mensagens de solidariedade. “Agradeço aos milhares que vieram dar apoio, denunciaram comigo esses perfis e mostraram ao mundo que qualquer forma de preconceito é cafona e criminosa. E quero que esse episódio sirva de exemplo: sempre que você encontrar qualquer forma de discriminação, denuncie. Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado. A minha única resposta pra isso é o amor!”, escreveu ela, que ainda ironizou com os preconceituosos:  “Aproveito para convidar você, pequeno covarde, a ver e ouvir o que temos a dizer (na peça sobre King). Acho que você está mesmo precisando ouvir algumas coisinhas sobre amor”.

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